Eve, da Embraer, conclui novos testes com

Eve, da Embraer, conclui novos testes com 'carro voador' e abre caminho para voos mais longos; vídeo

 

Fonte: Bandeira



A disputa pelo futuro da mobilidade aérea urbana ganhou trações decisivas no mercado brasileiro. A Eve Air Mobility, braço de veículos elétricos de decolagem e pouso vertical (eVTOL) da Embraer, concluiu a primeira campanha essencial de ensaios em voo com seu protótipo de engenharia. O avanço técnico prepara o terreno para a operação prática no país, através da parceira estratégica Revo.

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Segundo apurou O GLOBO, a empresa acompanha de perto o processo de desenvolvimento do veículo com a Eve e está prestes a anunciar formalmente as primeiras rotas comerciais e o cronograma definitivo para o início de suas operações de transporte de passageiros.

Protótipo de 'carro voador' da Embraer conclui etapa de testes de voo pairado

A campanha de testes da Eve, realizada recentemente, concentrou-se nos chamados voos pairados e de baixa velocidade. O voo pairado é uma manobra em que uma aeronave permanece imóvel no ar, em uma altitude e posição relativamente fixas em relação ao solo. O teste de voo pairado avalia a estabilidade, o controle e o consumo de energia da aeronave nessa condição

Ao todo, foram conduzidos 59 voos que serviram para calibrar os sistemas de controle, o comportamento térmico das baterias e os impactos aerodinâmicos do fluxo de ar gerado pelos rotores.

— Ao longo dos voos, confirmamos um desempenho estável e comportamento previsível dos sistemas de controle dentro do envelope avaliado, ao mesmo tempo, em que ampliamos nosso entendimento sobre cargas estruturais, aerodinâmica, propulsão e gerenciamento de energia, elementos fundamentais para a fase de transição e para o caminho rumo à certificação com os protótipos conformes — afirmou Johann Bordais, CEO da Eve.

Os principais marcos técnicos atingidos pelo protótipo incluem manobras progressivas que evoluíram de 27,7 km/h até o limite de 37 km/h. Além disso, a aeronave atingiu 65,5 metros e sustentou um tempo máximo de voo de 3 minutos e 48 segundos. Sob o aspecto da automação, crucial para a operação comercial regular do veículo, foram realizadas as primeiras demonstrações de pouso automático e do sistema secundário de comandos eletrônicos.

Eve testa protótipo do eVTOL

Divulgação/Embraer

O cronograma da empresa prevê que, após uma rodada de ensaios estáticos em solo nas próximas semanas, as simulações entrem na fase de voos de transição no segundo semestre. Esta será a etapa mais complexa do desenvolvimento, na qual os propulsores verticais (de sustentação) transferem a força de empuxo para as hélices horizontais (de cruzeiro), permitindo que o veículo voe sustentado pelas asas, como um avião convencional.

— Essa correlação entre modelos e comportamento real é o que permite uma expansão disciplinada do envelope de voo. Com os ensaios em solo planejados para a próxima etapa, estaremos preparados para iniciar os voos de transição, em que validaremos a sincronização entre os propulsores de sustentação (lifter) e de avanço (pusher) antes de avançarmos para a fase de voo de cruzeiro — explicou Marcelo Basile, líder de testes da Eve.

Revo começa a desenhar malha aérea

Enquanto a engenharia da Eve valida os dados teóricos na pista, a viabilidade comercial do projeto começa a ganhar contornos geográficos. A Revo finaliza os detalhes para mapear publicamente como será o cotidiano do usuário brasileiro a bordo dessas aeronaves.

A infraestrutura e a definição desses corredores aéreos são consideradas chaves para consolidar a vantagem competitiva da parceria no Brasil, onde a Eve já ostenta uma carteira global de encomendas superior a 2.900 intenções de compra, além de um canal direto de diálogo regulatório com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

Testes do protótipo de "carro voador" da Eve, subsidiária da Embraer

Divulgação/Embraer

Competição vinda de Nova York

O avanço em solo brasileiro ocorre em um momento de forte aceleração internacional do setor. No início de maio de 2026, a norte-americana Joby Aviation realizou o primeiro voo público de um eVTOL em Nova York, conectando o Aeroporto Internacional JFK ao centro de Manhattan em menos de dez minutos, um trajeto que pode levar até duas horas de carro.

A Joby atua em duas frentes que servem de termômetro para desenvolvimento do mercado brasileiro: integração urbana e preço vs. escala. A empresa absorveu a malha da Blade Air Mobility e desenha um modelo com a Uber (batizado de Uber Air) no qual o aplicativo coordena a viagem de ponta a ponta (carro-eVTOL-carro). Executivos das empresas ouvidos pelo GLOBO apontam que a tarifa inicial deve se equiparar à categoria Uber Black.

O grande desafio regulatório e financeiro de empresas como Joby e Eve não está apenas na decolagem, mas no tempo em que a aeronave permanece no chão. Para que a conta feche e o serviço deixe de ser um produto restrito ao nicho do táxi aéreo executivo tradicional, o índice de utilização dos veículos precisa ser contínuo.

Com os novos testes da Eve e o desenho operacional iminente da Revo, o Brasil se posiciona não apenas como um polo de exportação de tecnologia aeronáutica, mas como um dos primeiros laboratórios reais a testar se o modelo de negócio dos "carros voadores" consegue resistir à física, à regulação urbana e ao bolso do consumidor.

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