Eva Marie Saint: Saiba onde assistir a dez grandes performances da atriz vencedora do Oscar

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A atriz americana Eva Marie Saint, que morreu aos 102 anos nesta terça-feira (6), em sua casa, em Los Angeles, construiu uma carreira de mais de seis décadas no cinema, na televisão, no teatro e no rádio. Segundo Jeff Sanderson, representante da família, a artista morreu de causas naturais, cercada por familiares e pessoas próximas. Uma das estrelas da chamada Era de Ouro de Hollywood, Saint permaneceu em atividade até os 90 anos. Trinta anos após a morte de Renato Russo: 'Que país é esse?' ainda figura entre as mais tocadas Jorge Drexler: em seu terceiro álbum, o compositor propõe a música como 'ponte' em um mundo 'mais insensível' Nascida em 4 de julho de 1924, em Newark, Nova Jersey, Saint inicialmente pretendia ser professora. Durante a faculdade, porém, descobriu o interesse pela atuação. Depois de se formar, em 1946, começou a trabalhar no rádio e na televisão, antes de chegar à Broadway e ao cinema. Ela também estudou no Actors Studio, em Nova York, experiência que, segundo a própria atriz, ajudou a superar a timidez. "Sindicato de ladrões" (1954) Marlon Brando e Eva Marie Saint em "Sindicato de Ladrões" (1954) Reprodução/Divulgação Saint ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante com o primeiro papel de destaque de sua carreira e consolidou a imagem de "mulher de bem" complexa — um bastião da moralidade em meio a um mundo imperfeito. Em "Sindicato de Ladrões", a personagem de Saint é a primeira a enfrentar o sindicato controlado pela máfia, responsável pelo assassinato de seu irmão. Sua integridade serve tanto para humilhar quanto para inspirar um estivador (Marlon Brando) a agir. Embora a atuação revolucionária de Brando costume atrair a maior parte das atenções, grande parte de sua vulnerabilidade atormentada surge em resposta a Saint, cuja convicção firme e serena desperta sua consciência adormecida. O filme é um drama arrebatador sobre fazer a coisa certa e oferece uma explicação contundente para a decisão do diretor Elia Kazan de "revelar nomes" perante o Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara, dois anos antes. Onde assistir: disponível para streaming na Netflix e na Amazon Prime Video, e disponível para aluguel ou compra na Apple TV. "Cárcere sem grades" (1957) Este melodrama intenso de Fred Zinnemann — baseado na peça teatral de 1955 de Michael V. Gazzo — basicamente confina quatro atores em um espaço restrito e eleva a tensão ao máximo. Ambientado em grande parte em um conjunto habitacional de Nova York, o filme começa com um pai fanfarrão (Lloyd Nolan) fazendo uma visita indesejada a dois filhos. Um deles é veterano da Guerra da Coreia (Don Murray), tem uma esposa dedicada (Saint) e um bom apartamento; o outro (Anthony Franciosa) é visto pelo pai como um fracassado. O que ele não percebe é que o "bom filho" gasta 40 dólares por dia com morfina e o "mau filho" está à beira da ruína tentando manter à distância seus fornecedores de índole duvidosa. Eva Marie Saint encontra-se no centro desse turbilhão de emoções explosivas, com sua lealdade ao marido posta à prova pelos sentimentos que nutre pelo irmão dele. Onde assistir: não está disponível no momento para streaming por assinatura no Brasil "Intriga internacional" (1959) Eva Marie Saint e Cary Grant em "Intriga Internacional"(1959) Reprodução/Divulgação Escalada de forma astuta para um papel que rompia com o padrão habitual das loiras de Alfred Hitchcock, Saint surge em "Intriga Internacional" como uma aliada de índole ambígua de um publicitário (Cary Grant), confundido por um espião estrangeiro (James Mason) e seus capangas com outro homem. Enquanto a dupla foge de seus perseguidores pelo interior dos EUA — numa jornada que culmina em um confronto no Monte Rushmore —, suas verdadeiras intenções vêm à tona, mas Saint mantém o personagem (e o público) na dúvida sobre sua lealdade até o fim. A química entre Saint e Grant confere um brilho especial à produção mais grandiosa de Hitchcock. Onde assistir: disponível para streaming na HBO Max, e disponível para aluguel ou compra na Apple TV, Amazon Prime Video e Globoplay.

"Exodus" (1960) Baseado no romance de Leon Uris, esta obra monumental de três horas e meia sobre a fundação do Estado de Israel traz Saint no papel de uma figura com a qual o público pode se identificar: uma enfermeira americana envolvida em um conflito distante. A trama dirigida por Otto Preminger e com roteiro de Dalton Trumbo começa em um campo de detenção no Chipre, onde sobreviventes judeus da Segunda Guerra Mundial aguardam uma votação da ONU sobre a criação de uma pátria na Palestina. "Exodus" utiliza a personagem de Saint — uma viúva ingênua e bondosa — para conduzir o espectador americano por essa transformação política. O catalisador da história é Paul Newman como Ari Ben Canaan, um judeu palestino que assume o comando de um navio com mais de 600 pessoas e toma medidas ousadas para influenciar a votação da ONU. Primeiro, coordenando uma greve de fome e, depois, conduzindo o navio até a Palestina. O romance que surge entre eles confere um núcleo acessível a essa longa e densa aula de história. Onde assistir: disponível para aluguel ou compra na Apple TV e Amazon Prime Video. "O anjo violento" (1962) No primeiro (e menos expressivo) dos dois filmes que fez com John Frankenheimer, Saint interpreta Echo, uma das muitas vítimas do carisma de Warren Beatty, que parte o coração tanto de suas amantes quanto de seus familiares. Quando Berry-Berry, o andarilho vivido por Beatty, retorna à cidade após cumprir pena por agressão, seu irmão mais novo de 16 anos (Brandon deWilde) fica radiante ao vê-lo. No entanto, seu entusiasmo arrefece quando Berry-Berry passa a se interessar romanticamente por Echo, a garota por quem o caçula nutre uma paixão platônica. "O anjo violento" é um melodrama sulista intenso, ao estilo de Tennessee Williams, mas possui um viés trágico que extrai o melhor de atores como Saint e Beatty — este último protagonizando uma transformação de canalha predador em uma figura genuinamente digna de pena. Onde assistir: disponível para streaming no Amazon Prime Video. "36 Horas" (1965) Três anos após "Sob o Domínio do Mal", esse suspense de George Seaton apresentava um cenário semelhante: um oficial americano manipulado pelo inimigo para fins políticos diabólicos. Aqui, James Garner interpreta um major do exército dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial que sabe que as forças aliadas desembarcarão na Normandia. No entanto, ele acaba nocauteado e sequestrado pelos nazistas, que o convencem de que ele está em um hospital americano no ano de 1950. Eva Marie Saint interpreta uma enfermeira que participa desse estratagema elaborado para extrair dele informações sobre a invasão, mas suas motivações para participar da trama conferem complexidade à personagem. "36 Horas" não tem pretensões grandiosas, mas oferece uma premissa eficaz ao estilo de "Além da Imaginação", na qual uma história alternativa está prestes a ser reescrita. Onde assistir: disponível para streaming no Amazon Prime Video. "Os Russos Estão Chegando! os Russos Estão Chegando!" (1966) O filme foi aclamado na época a ponto de receber uma indicação ao Oscar de Melhor Filme, em grande parte devido ao seu esforço em satirizar (e ajudar a amenizar) tensões de longa data em plena Guerra Fria. O tempo não foi particularmente gentil com a farsa escrachada de Norman Jewison sobre um submarino russo que encalha perto de uma pitoresca cidade da Nova Inglaterra, mas as atuações são vibrantes — especialmente as de Alan Arkin e Carl Reiner, interpretando, respectivamente, um tenente russo que finge ser norueguês e um pai de família de férias, totalmente despreparado para uma invasão comunista. Eva Marie Saint aumenta a tensão no papel da esposa de Reiner, juntando-se a ele na luta para lidar com a situação que interrompe suas longas férias de verão. Onde assistir: disponível para aluguel ou compra na Apple TV e Amazon Prime Video. "Grand Prix" (1966) A segunda colaboração de Saint com John Frankenheimer talvez seja o melhor filme sobre automobilismo já feito — pelo menos quando a ação se concentra nas pistas urbanas onde pilotos de Fórmula 1 disputam a supremacia internacional. Fora das pistas, no entanto, "Grand Prix" dedica uma parte considerável de sua longa duração (três horas) a retratar as vidas e os romances de quatro pilotos. Saint interpreta uma jornalista americana que se envolve com o veterano campeão mundial vivido por Yves Montand — um homem que, por sinal, é casado. Mas todo esse drama apenas intensifica a tensão das corridas em si, filmadas com um imediatismo extraordinário (na altura dos olhos) e uma sensação constante de perigo iminente. Assim como os melhores filmes da fase áurea de Frankenheimer nos anos 60, "Grand Prix" alia um realismo documental cru ao impacto visceral típico do gênero. Onde assistir: disponível para aluguel ou compra na Apple TV, Amazon Prime Video e Globoplay. "O amor é tudo" (1970) Embora anunciado como comédia, o filme de Irvin Kershner expõe as crises domésticas de uma época em que a libertação sexual abalava as estruturas do casamento tradicional. George Segal interpreta um ilustrador publicitário que negligencia a esposa (Saint) e os dois filhos para se envolver com outras mulheres, incluindo a esposa de seu sócio. Há um tom de conto na maneira como Kershner e o roteirista Don Devlin se dedicam a questões paralelas — como os esforços de Segal para conquistar um grande cliente — em vez de tentar impulsionar a trama principal. O personagem mulherengo de Segal simplesmente vive suas aventuras extraconjugais e é basicamente isso, mas o desfecho equilibra-se com maestria entre o absurdo e a angústia. Onde assistir: disponível para aluguel ou compra na Apple TV e Amazon Prime Video. "Nada em Comum" (1986) Após uma pausa de 14 anos na atuação em longas-metragens, Saint retornou para "Nada em Comum", uma comédia dramática mediana que se destaca principalmente por marcar a despedida de Jackie Gleason das telas no papel de Max Basner — um vendedor idoso e rabugento que passa a exigir a atenção do filho publicitário (Tom Hanks) depois de perder o emprego e o casamento. No entanto, analisando a carreira de Saint, é fascinante vê-la abandonar um relacionamento ruim, em vez de sofrer ao lado de homens falhos, indignos ou que se fazem de vítimas. Como esposa de Basner, ela reflete a alegria de estar livre de compromissos antes de ser novamente envolvida pelo drama comovente à beira do leito, no qual expressa suas mágoas e o deixa sozinho com seu arrependimento. Esse momento é mais autêntico do que a trama batida sobre o jovem urbano que aprende o que realmente importa na vida. Onde assistir: disponível para aluguel ou compra na Apple TV e Amazon Prime Video.

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