Flávio Bolsonaro (PL) segue favorito para vencer o segundo turno na eleição presidencial do próximo domingo. No entanto, a consultoria de risco político Eurasia Group reduziu as chances de vitória do opositor de 70% para 60% nesta sexta-feira, ao avaliar que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou terreno nos últimos dias.
Em relatório divulgado a clientes, a consultoria avalia que o debate entre os dois presidenciáveis a ser realizado na noite desta sexta-feira na TV Globo “pode ser decisivo para o resultado da disputa”. Nas contas da consultoria, ajustando para eleitores prováveis, a vantagem de Flávio em relação a Lula é de um pouco mais de 2 pontos, “mas pode encolher ainda mais, já que uma campanha eficaz do PT transferiu o ímpeto para Lula”.
A Eurasia, porém, avalia que Flávio tem uma ligeira vantagem e acredita que os dois dias restantes até o segundo turno “devam ser insuficientes para Lula fechar uma diferença de 2 pontos”. De acordo com a Eurasia, uma abordagem probabilística focada exclusivamente no tamanho da vantagem resultaria em cerca de 70% de chance de vitória para Flávio Bolsonaro.
A consultoria, contudo, avalia que o problema do opositor “é a tendência”. “Sua vantagem média diminuiu cerca de 0,5 ponto desde o meio da semana, com outros institutos de pesquisa indicando uma redução de 1 a 2 pontos.
Isso sugere um forte efeito da campanha”, avalia a consultoria, ao destacar algum aumento nos índices de aprovação de Lula, além de alta nos índices de rejeição de Flávio. “Os ataques do PT, que parecem estar surtindo efeito, acusam Flávio de ter vínculos com milícias e de cortar programas sociais populares, como o Bolsa Família e o Pé-de-Meia.
Enquanto isso, promessas de passe livre no transporte público e Pé-de-Meia universitário, aliadas à aprovação da redução da jornada de trabalho, também elevam os índices de aprovação de Lula”, dizem os analistas Christopher Garman, Silvio Cascione, Raul Folino e Marcelo Alvarenga.
No relatório, eles notam que algumas vantagens de Lula têm retornado na medida em que o efeito da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) se dissipa. “No primeiro turno, escândalos de corrupção dominaram as manchetes, reforçando o pessimismo dos eleitores, o desprezo por Brasília e o desejo de mudança, o que prejudicou Lula.
Esses escândalos agora se dissiparam; muitos dos fatores que originalmente levaram a Eurasia Group a atribuir maiores chances de vitória a Lula estão agora se mostrando no segundo turno.” Flávio, porém, segue com vantagem, na avaliação da Eurasia.
“Uma vantagem de dois pontos ainda não é fácil de superar”, dizem os analistas. Para eles, embora a tendência favoreçam Lula, é improvável que o tempo seja suficiente para virar a disputa.
Além disso, a consultoria avalia que o debate será importante, mas acredita que Flávio tem vantagem, ao ter em vista que haverá algum ajuste de estratégias. A Eurasia enfatiza ainda que o desejo de mudança dos eleitores e o sentimento de estagnação ainda trabalham contra Lula, o que também dificulta uma “virada” do petista, ao mesmo tempo em que um aumento significativo na participação dos eleitores é “improvável”, apesar do esforço de mobilização do PT.
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