EUA x Cuba: Irmã de chefe de conglomerado militar cubano é presa pelo ICE em Miami
Em mais uma frente de pressão contra Cuba, autoridades dos EUA anunciaram na quinta-feira a prisão pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) da cidadã cubana Adys Lastres Morera, irmã da presidente do Grupo de Administração Empresarial SA (GAESA) — conglomerado que controla entre 40% e 70% da economia da ilha caribenha e que se tornou um dos pontos centrais da campanha atual de Washington.
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Irmã de Ania Guillermina Lastres Morena, que exerce a liderança da empresa, Adys foi acusada pelas autoridades americanas de ser a responsável "pela gestão dos ativos ilícitos da GAESA no exterior". A cubana foi presa em Miami, onde residia desde 2023. A residência permanente da cubana foi revogada pelo secretário de Estado Marco Rubio, na quarta, que a acusou de administrar "ativos imobiliários" a partir da Flórida, e "auxiliar o regime comunista de Havana". Ela ficará sob custódia do ICE até a deportação.
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"Não haverá lugar nenhum nesta Terra — muito menos em nosso país — onde nacionais estrangeiros que ameaçam nossa segurança nacional possam viver luxuosamente", afirmou Rubio em um post na rede social X, na noite de quinta-feira.
Washington intensificou uma campanha de pressão contra Havana desde o retorno do presidente Donald Trump à Casa Branca. Inicialmente, o governo americano ameaçou sancionar países que exportassem petróleo e outros combustíveis para Cuba, o que provocou uma grave escassez no território, repercutindo em apagões de até 22 horas. Em meio a novas pressões por mudanças na política e na economia da ilha comunista, o Departamento de Justiça americano indiciou Raúl Castro, um dos líderes revolucionários de 1959 e ex-presidente — em um movimento que elevou temores de uma repetição da intervenção na Venezuela, que levou à captura do presidente Nicolás Maduro.
Entre declarações hostis, negociações de alto nível e reforço da presença militar na região, autoridades dos EUA, incluindo Rubio, apontaram diretamente para a Gaesa, alvo de sanções no início do mês. A empresa, originalmente fundada por Raúl Castro para impulsionar o setor de defesa cubano, evoluiu para um império com US$ 18 bilhões em ativos e negócios variados, de acordo com Washington.
— Eles lucram com hotéis, construção civil, bancos, lojas e até mesmo com o dinheiro que seus parentes enviam dos EUA. Tudo, absolutamente tudo, passa pelas mãos deles — disse Rubio, que também afirmou que a organização tem profundos laços com a elite militar em Havana, em um vídeo gravado em espanhol.
Secretário de Estado, Marco Rubio
Brendan Smialowski / AFP
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Protesto e 'mudança de regime'
Rubio advertiu na quinta-feira que Washington estava muito focado em mudar o sistema comunista de Cuba, horas depois de a acusação formal apresentada contra Castro. Também na quinta, a Suprema Corte dos EUA autorizou ações judiciais sobre bens americanos apreendidos por Cuba em 1960. Em paralelo, o Exército americano também havia anunciado o envio do porta-aviões USS Nimitz e seus navios de escolta ao Caribe.
Rubio, cubano-americano e ferrenho opositor do governo de Havana, descreveu o país caribenho, situado a cerca de 145 quilômetros da Flórida, como um "Estado falido" mergulhado em uma grave crise econômica. Afirmou ainda que Havana não vai conseguir que "ganhar tempo", e que embora o país sempre prefira "uma solução diplomática", Trump tinha outras opções em relação a Cuba, que "sempre representou uma ameaça para a segurança nacional".
Na ilha comunista, milhares de pessoas, entre elas vários militares, policiais, funcionários públicos e empregados de estatais, participaram de uma manifestação de apoio a Raúl Castro nesta sexta, em frente à embaixada dos EUA em Havana. Na primeira fila estiveram o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, e outros membros do governo. (Com NYT e AFP)
