EUA voltam a criticar Pix, 25 de Março e restrições do Brasil a big techs em relatório comercial
Em um relatório sobre as relações comerciais dos Estados Unidos com outros países, o governo americano voltou a criticar o sistema de pagamentos instantâneos Pix e políticas regulatórias adotadas pelo Brasil em relação às big techs. O documento foi publicado nesta terça-feira pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e retoma pontos já levantados em investigações comerciais anteriores envolvendo o país.
O texto lembra o relatório divulgado em julho do ano passado, quando o presidente Donald Trump chegou a ameaçar impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros.
O Relatório de Estimativa Nacional do Comércio de 2026 sobre Barreiras ao Comércio Exterior tem 534 páginas, com oito dedicadas ao Brasil.
No documento, o Pix aparece como um dos focos de preocupação de Washington. Segundo o USTR, haveria um possível “tratamento preferencial” dado pelo Banco Central ao sistema, o que, na avaliação do órgão, poderia desfavorecer empresas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento eletrônico. A agência destaca, por exemplo, que o uso do Pix é obrigatório para instituições financeiras com mais de 500 mil contas.
As críticas aparecem no Relatório de Estimativa Nacional do Comércio de 2026 sobre Barreiras ao Comércio Exterior, que dedica oito de suas 534 páginas ao Brasil. No texto, o USTR também afirma que o país mantém “tarifas relativamente altas” sobre importações em uma ampla variedade de setores, como automóveis, tecnologia da informação, eletrônicos, produtos químicos, plásticos, máquinas industriais, aço e têxteis.
Segundo o relatório, exportadores americanos enfrentam incertezas no mercado brasileiro porque o governo pode alterar tarifas dentro da flexibilidade permitida pelas regras do Mercosul.
O documento também aborda questões ligadas à propriedade intelectual e à pirataria. Apesar de reconhecer avanços nos últimos anos, o USTR afirma que ainda há desafios de fiscalização no país, citando “a ausência de penalidades com nível dissuasório e altos níveis de falsificação online e em mercados físicos”.
Nesse contexto, o relatório menciona a Rua 25 de Março, em São Paulo, um dos centros comerciais mais tradicionais da capital paulista, que aparece na Revisão de Mercados Notórios por Falsificação e Pirataria de 2025 devido à venda de mercadorias falsificadas. A agência também afirma que punições mais severas e maior fiscalização na região da tríplice fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai seriam importantes para avançar no combate a esse tipo de prática.
A Estimativa Nacional de Comércio é um relatório anual publicado pelo USTR que lista o que o governo americano considera barreiras às exportações de bens e serviços dos Estados Unidos, além de obstáculos a investimentos e ao comércio digital em outros países.
