EUA usam bomba de penetração para atacar posições de mísseis iranianos perto do Estreito de Ormuz, diz Comando Central
Os Estados Unidos atacaram “com sucesso” posições de mísseis antinavio iranianos perto do estreito de Ormuz com bombas antibunker, anunciou o Comando Central para o Oriente Médio (Centcom) dos EUA.
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"Horas atrás, forças dos Estados Unidos empregaram com sucesso várias munições penetrantes de 5.000 libras contra instalações iranianas fortificadas de mísseis ao longo da costa do Irã, perto do estreito de Ormuz. Os mísseis de cruzeiro antinavio iranianos nesses locais representavam um risco para a navegação internacional no estreito", publicou o Comando Central americano na rede X.
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Por que é tão difícil reabrir o Estreito de Ormuz?
Desde o início da guerra, que entra na terceira semana, Teerã tem atacado navios dentro e ao redor do Estreito de Ormuz, rota marítima vital para o escoamento de cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente, praticamente paralisando o tráfego marítimo.
O bloqueio fez com que os preços do petróleo e do gás natural disparassem em todo o mundo — e a disposição da República Islâmica em persistir com sua medida pegou de surpresa o presidente americano, Donald Trump, que exigiu ajuda de aliados para reabrir o Estreito.
O Iraque, por sua vez, entrou em contato com o Irã para tentar garantir a passagem de alguns de seus petroleiros pelo Estreito de Ormuz, segundo informou o ministro do Petróleo iraquiano, Hayan Abdel Ghani, na terça-feira. Como membro fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), as vendas de petróleo bruto representam 90% da receita orçamentária do Iraque, que exportava cerca de 3,5 milhões de barris por dia pelo Estreito.
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— Estamos em contato com as autoridades competentes para autorizar a passagem de certos petroleiros pelo Estreito de Ormuz, para que possamos retomar nossas exportações — disse Ghani, em entrevista à emissora local Al Sharqiya, referindo-se aos navios iranianos. — Precisamos fornecer a eles a identidade desses navios.
Também na terça, um petroleiro ancorado ao largo de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos — palco de ataques retaliatórios iranianos contra bases americanas — foi atingido por destroços e, segundo o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido, a embarcação sofreu "pequenos danos estruturais". Não há, até o momento, informações sobre feridos.
Crise previsível
Em 2011, um comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, o Exército ideológico do Irã, disse que bloquear o Estreito seria "mais fácil do que beber um copo de água".
Entenda: Enquanto bloqueia o tráfego no Estreito de Ormuz, Irã mantém fluxo de petróleo e exporta mais do que antes da guerra
Há décadas, os estrategistas militares americanos e as companhias petrolíferas do Golfo têm se preocupado com esse cenário. O Estreito é vital — uma artéria crucial para um quinto do abastecimento mundial de petróleo — e extremamente vulnerável a ataques. Tem apenas 34 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, obrigando todos os navios a passar bem próximos à fronteira sul do Irã.
Petroleiros trafegam por rotas estreitas, vulneráveis a ataques
Arte / O Globo
Desde o início da guerra, grande parte da Marinha iraniana foi afundada por ataques dos EUA e de Israel. Centenas de seus mísseis foram destruídos. Mas enquanto o Irã mantiver a capacidade de atacar navios em uma estreita faixa de água, terá uma ferramenta poderosa à sua disposição.
Esforço de Trump
Durante o fim de semana, Trump pressionou outros países para que enviassem seus próprios navios de guerra ao Estreito. Mas, por ora, poucos parecem dispostos a cooperar. China, Coreia do Sul, França e Reino Unido não responderam diretamente à exigência de Trump. Japão, Austrália e Alemanha a descartaram explicitamente. A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, foi categórica: "Esta não é uma guerra da Europa".
Presidente dos EUA, Donald Trump, em entrevista coletiva reunião no Centro Kennedy, na Casa Branca
Doug Mills/The New York Times
Na terça, após a recusa dos países, o republicano criticou, em sua plataforma Truth Social, a Otan, dizendo que a aliança é uma "via de mão única". E afirmou que os EUA não precisam "da ajuda de ninguém".
No entanto, em meio a pressão do líder republicano — que criticou na última segunda-feira a falta de “entusiasmo” de aliados ao seu apelo para proteger a navegação no Estreito —, ministros das Relações Exteriores da UE reuniram-se para discutir a possibilidade de ampliar a missão naval do bloco no Mar Vermelho. A ideia é encontrar formas de ajudar a reabrir a estratégica passagem.
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Ao mesmo tempo, autoridades reagiram ao alerta de Trump, classificando-a como “muito ruim” para o futuro da Otan, se os países europeus não se juntarem a Washington em seu esforço para reabrir a rota.
Embora as pressões econômicas sobre autoridades europeias sejam reais, há também um sentimento de déjà vu. Líderes na Europa e em outras partes do mundo lembram bem da última vez em que um presidente americano pediu a aliados que reunissem forças no Oriente Médio: em muitas partes do continente europeu, a invasão do Iraque em 2003 é vista como um erro custoso, impulsionado por informações falhas sob insistência do então presidente George W. Bush.
