EUA revogam vistos de dirigentes do jornal La Nación da Costa Rica sem explicação
A diretoria do jornal costa-riquenho La Nación confirmou, no sábado, que os Estados Unidos revogaram o visto de turista de vários de seus integrantes, sem qualquer explicação prévia. A decisão atinge diretamente Pedro Abreu Jiménez, presidente do conselho do jornal, e a diretora Carmen Montero Luthmer.
“Até o momento, nenhum de nossos integrantes recebeu qualquer explicação oficial sobre os fundamentos dessas decisões”, afirmou o jornal, em comunicado.
A empresa acrescentou que reconhece “plenamente que os EUA, como qualquer Estado soberano, têm a prerrogativa de determinar os termos de entrada em seu território” e que respeita sua autoridade para tomar decisões migratórias conforme suas leis e políticas.
Initial plugin text
O comunicado também destaca que a informação teria circulado inicialmente por canais não oficiais, antes de os afetados serem notificados diretamente, situação que, segundo o jornal, “merece reflexão” em uma democracia que preza pela transparência e pelo devido processo.
Apesar do impacto da decisão, o jornal ressaltou que a medida não alterará sua linha editorial nem sua atuação jornalística.
“Em nenhuma circunstância esses fatos alterarão o compromisso nem o exercício independente do jornalismo que caracteriza o La Nación há 79 anos”, afirmou a diretoria.
O veículo reiterou ainda seu compromisso com a informação rigorosa, a investigação e a defesa de valores democráticos, em linha com sua trajetória.
O La Nación integra o Grupo de Diarios América (GDA), consórcio do qual O Globo faz parte, além de alguns dos principais jornais independentes da região, como El Tiempo (Colômbia), El Mercúrio (Chile), El País (Uruguai), El Universal (México) e El Comercio (Peru).
De acordo com o La Nación, o caso não é isolado. Nos últimos meses, o governo dos EUA retirou vistos de diversas figuras costa-riquenhas que “mantiveram oposição pública a decisões do presidente Rodrigo Chaves Robles, que está a poucos dias de deixar o cargo para Laura Fernández, que promete continuidade”.
Entre os casos citados estão o ex-presidente e prêmio Nobel da Paz Óscar Arias Sánchez, que teve o visto revogado em abril de 2025; ex-deputados e autoridades como Francisco Nicolás, Johana Obando, Cynthia Córdoba e Ana Sofía Machuca; integrantes do Judiciário e do Legislativo, como Rodrigo Arias e Paul Rueda; além do empresário Leonel Baruch e do magistrado Fernando Cruz Castro.
Alguns desses nomes sugeriram publicamente possíveis motivações políticas para as decisões, embora não haja confirmação oficial de Washington sobre os critérios adotados.
Por fim, o La Nación afirmou que continuará seu trabalho de “informar com rigor e veracidade sobre temas de interesse público, investigá-los com profundidade, manter uma crítica fundamentada dos acontecimentos nacionais e internacionais e contribuir para a preservação dos valores democráticos e das liberdades fundamentais que sustentam nossa convivência como sociedade”.
