Os Estados Unidos agiram às pressas neste fim de semana para retirar todos os 12 bombardeiros B-1 da Força Aérea de uma base aérea no sul da Inglaterra, no Reino Unido, depois que os comandantes receberam novas ameaças sobre um plano apoiado pelo Irã contra a instalação, disseram dois oficiais americanos neste domingo. A retirada foi extremamente incomum: raramente se observam movimentos tão rápidos a partir de uma base aérea aliada em um país em tempos de paz, a milhares de quilômetros de uma zona de combate. Contexto: Homem é preso por suspeita de terrorismo em investigações sobre incidente de segurança em base no Reino Unido Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países A necessidade de retirar os bombardeiros da base, a RAF Fairford, foi considerada tão urgente que algumas aeronaves e suas tripulações partiram enquanto aviões de reabastecimento aéreo ainda estavam sendo acionados para dar suporte aos seus voos para os Estados Unidos. Pelo menos três das aeronaves já haviam pousado em sua base de origem na Dakota do Sul até domingo, disseram as autoridades, falando sob condição de anonimato para discutir assuntos operacionais. O Comando Europeu do Pentágono confirmou que os bombardeiros haviam deixado o país, mas se recusou a comentar quaisquer novos alertas. “Podemos agora confirmar que todos os bombardeiros americanos que estavam destacados para a RAF Fairford estão retornando às suas bases de origem nos Estados Unidos”, afirmou o comando em comunicado. “Os bombardeiros da Força Aérea dos EUA operam rotineiramente em todo o mundo para apoiar a prontidão das forças globais e os requisitos operacionais.” Autoridades americanas se recusaram, no domingo, a especificar a natureza das novas informações que motivaram a rápida retirada dos bombardeiros, alguns dos quais haviam chegado na semana anterior como parte de um rodízio normal de tropas. Um oficial americano afirmou que as novas informações faziam parte dos mesmos alertas de ameaça que surgiram três semanas atrás, mas detalhes específicos e um senso de urgência aumentaram nas últimas 24 horas, alarmando os comandantes. Entenda o caso: Possível plano de ataque contra base usada pelos EUA no Reino Unido levanta suspeitas de ligação com Irã, que nega envolvimento A retirada repentina ocorreu uma semana depois de a polícia britânica ter detido cinco homens que viajavam na manhã do domingo anterior em vans brancas perto da base, que tem sido usada por bombardeiros americanos na guerra EUA-Israel contra o Irã. Os homens foram libertados sob fiança um dia depois, após as autoridades não terem encontrado explosivos nas vans. Mas a polícia tem repetidamente afirmado que os homens continuam sob investigação, e um cidadão com dupla nacionalidade britânica e iraniana foi preso na quinta-feira sob suspeita de preparar atos terroristas. O primeiro-ministro Andy Burnham afirmou na semana passada que o governo britânico acredita que o Irã teve participação no planejamento desses eventos. Autoridades americanas e britânicas, assim como alemãs e israelenses, acreditam que a operação está ligada à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã ou a um quartel-general militar separado em Teerã. O Irã negou as acusações. O episódio apresentou às autoridades inúmeros enigmas enquanto tentam esclarecer os eventos da última semana, incluindo as prisões, a retirada frenética de 85 casas, um robô de desativação de bombas revistando as vans em busca de explosivos e uma reunião de segurança nacional convocada por Burnham. Em julho, a Guarda Revolucionária do Irã emitiu um comunicado alertando que permitir que os Estados Unidos utilizassem a base "torna Londres responsável" pelas ações americanas. "Qualquer base usada para lançar ataques em território iraniano", dizia o comunicado, "é um alvo legítimo para nossas forças". Em setembro, comandantes militares dos EUA receberam um alerta alarmante de agências de inteligência americanas e de outros países ocidentais, segundo autoridades americanas a par da situação. A base aérea da RAF Fairford era alvo de um possível ataque apoiado pelo Irã. Entenda: Investigação descarta explosivos em possível plano de ataque à base britânica, e cresce confusão sobre o caso Os contornos obscuros de um complô foram reunidos por meio de uma combinação de comunicações interceptadas, informantes e outras informações de inteligência. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que seus oficiais de inteligência também alertaram seus homólogos britânicos sobre um provável ataque patrocinado pelo Irã, embora não tenham fornecido um alvo específico. Os relatórios confidenciais alertavam que ataques subsequentes provavelmente incluiriam drones. Após o alerta inicial do mês passado, a preocupação entre as autoridades de toda a Europa aumentou consideravelmente. Segundo um alto funcionário americano, Israel alertou a Alemanha de que as bases americanas na região corriam um risco elevado, mencionando Spangdahlem e Ramstein em particular. Um plano apoiado pelo Irã para cometer um ataque no Reino Unido representaria uma grande escalada por parte de Teerã contra um país ocidental, em aparente retaliação à guerra liderada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã.
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EUA retiram bombardeiros às pressas de base aérea britânica após novas ameaças, dizem autoridades
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