EUA podem remover sanções ao petróleo iraniano já no mar, revela secretário
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse nesta quinta-feira (19) que o governo Trump pode, nos próximos dias, remover as restrições ao petróleo iraniano que já está no mar. De acordo com ele, isso elevaria o volume para cerca de 140 milhões de barris.
Em entrevista ao Fox Business, Bessent ainda afirmou que os EUA não estavam atacando a infraestrutura energética do Irã e que permitiram que as exportações de petróleo iranianas continuassem saindo do Golfo Pérsico.
'Nos próximos dias, poderemos retirar as sanções ao petróleo iraniano que está na água. São cerca de 140 milhões de barris', declarou.
Ele acrescentou que os Estados Unidos ainda tinham 'muito mais' que poderiam fazer em relação ao fornecimento de petróleo.
Bessent afirmou no início desta semana que petroleiros iranianos já estavam deixando o Estreito de Ormuz com o conhecimento dos EUA, ajudando a abastecer os mercados globais.
Nessa quarta-feira (18), Trump sugeriu a ideia de entregar a gestão do Estreito de Ormuz aos países que o utilizam.
Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump escreveu que, após 'acabar' com o governo do Irã, deixar o controle do Estreito para 'os países que o utilizam - não nós - ficassem responsáveis'. O presidente norte-americano disse ainda que o país não precisa do estreito. Portanto, vai "deixar que os países que o utilizam" encontrem uma solução.
"Eu me pergunto o que aconteceria se 'acabássemos' com o que resta do Estado terrorista iraniano e deixássemos os países que o utilizam - e não nós - responsáveis pelo chamado 'Estreito'. Isso despertaria alguns de nossos 'aliados' indiferentes", comentou.
Trump vem criticando as nações europeias depois que elas rejeitaram suas exigências de enviar navios de guerra para escoltar petroleiros através do estreito. Muitos líderes disseram que poderiam estar dispostos a se juntar a uma coalizão para patrulhar a região em disputa assim que as hostilidades cessarem.
Nesta terça-feira (17), os Estados Unidos disseram ter utilizado bombas de penetração profunda contra baterias antinavios do Irã ao longo do Estreito de Ormuz. O objetivo dos americanos é reabrir o local, que Teerã mantém fechado desde o início da guerra.
O estreito é uma passagem controlada pelos iranianos por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial. Desde que foi atacado, o Irã fechou a via, bloqueando o avanço de petroleiros, o que elevou o preço da commodity nos mercados internacionais.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou nessa terça que 'não vai demorar muito' para que os navios possam atravessar o Estreito. Segundo ele, a Otan está 'cometendo um erro muito tolo' ao não querer ajudar os americanos na guerra contra o Irã e no desbloqueio da passagem marítima.
Países da Ásia e da Europa recusaram o pedido para apoiar uma operação. Trump disse que poderia ter pressionado os aliados, mas que não precisa de ajuda. Questionado sobre o aumento dos preços em consequência do conflito, Trump disse que o objetivo é impedir que 'lunáticos' tenham armas nucleares. Ele prometeu que o valor do barril de petróleo vai cair em breve, com o fim da guerra.
O presidente também criticou o diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos. Joe Kent renunciou ao cargo dizendo, nas redes sociais, que não poderia, em sã consciência, apoiar a guerra. O republicano disse ser 'bom' que ele esteja fora do governo.
Os ataques de Israel nessa terça-feira mataram dois dos principais nomes do regime iraniano. Um deles foi Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã. Ele era classificado por Tel Aviv como o 'comandante efetivo' do país desde a morte do aiatolá Ali Khamenei. O outro foi Gholamreza Soleimani, comandante de uma unidade da Guarda Revolucionária, apontado como o responsável pela repressão violenta a protestos em janeiro.
O Irã também atacou Israel. Projéteis atingiram o entorno do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Teerã usou novamente um armamento conhecido como 'bomba de fragmentação' em retaliação à morte de Ali Larijani.
Secretário de Trump afirma que guerra com o Irã não será 'sem fim' e chama europeus de 'aliados ingratos'
Secretário de Defesa, Pete Hegseth, durante discurso para militares.
ANDREW HARNIK / POOL / AFP
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira (19) em uma coletiva de imprensa no Pentágono que o país não está se encaminhando para uma 'guerra sem fim' com o Irã, descrevendo a operação como 'extremamente focada e decisiva'.
Hegseth prestou homenagem às tropas americanas que foram mortas até agora no conflito do Oriente Médio.
Ele afirmou que os EUA estão 'vencendo de forma decisiva e em nossos termos' e que os resultados dos ataques ao Irã 'falam por si mesmos', declarando que os EUA atingiram mais de sete mil alvos no Irã.
O secretário de Defesa disse ainda que a capacidade do Irã de fabricar novos mísseis balísticos foi duramente afetada.
Pete Hegseth declarou aos repórteres que os objetivos continuavam sendo destruir os lançadores de mísseis do Irã, sua base industrial de defesa e sua marinha, além de nunca permitir que o Irã obtivesse uma arma nuclear.
O chefe da Defesa dos EUA acrescentou que países de todo o mundo, incluindo 'aliados ingratos' na Europa, deveriam agradecer a Trump por intervir no Irã.
