EUA lançam operação e apreendem petroleiro com bandeira russa ligado à Venezuela no Atlântico

 

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Os Estados Unidos lançaram nesta quarta-feira uma operação para apreender no Atlântico Norte um petroleiro com bandeira russa ligado à Venezuela, encerrando uma perseguição que durou semanas e elevou a tensão entre Washington e Moscou. Segundo autoridades americanas ouvidas pela NBC News, a embarcação foi assegurada durante a operação, conduzida pelo Departamento de Segurança Interna (DHS), com apoio das Forças Armadas dos EUA.

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O navio, anteriormente conhecido como Bella 1 e rebatizado de Marinera, havia sido inicialmente perseguido pela Guarda Costeira americana ao largo da Venezuela no mês passado. Ele integra a lista de petroleiros sancionados pelos EUA por envolvimento no transporte de petróleo considerado ilícito e por operar dentro da chamada “frota fantasma”, usada para driblar sanções internacionais.

Moscou, aliada histórica do regime de Nicolás Maduro, criticou o que classificou como atenção “desproporcional” dos EUA ao petroleiro e chegou a enviar meios navais para escoltá-lo após a mudança de bandeira.

A perseguição ocorreu em meio ao bloqueio imposto pelo presidente Donald Trump a petroleiros sancionados que tentam entrar ou sair da Venezuela. No mês passado, os EUA já haviam apreendido dois navios-tanque ao largo do país sul-americano. Na terça-feira, Trump afirmou que a Venezuela entregaria entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos, reforçando o papel central das reservas venezuelanas em seus planos e o potencial de atrito com potências como Rússia e China.

Segundo autoridades americanas, o Bella 1 estava sob sanções desde junho de 2024. À época, o navio era considerado uma embarcação apátrida, que navegava sob bandeira falsa e estava sujeita a uma ordem judicial de apreensão. Durante a fuga para o Atlântico, a tripulação pintou uma bandeira russa no casco, mudou o nome do navio para Marinera e transferiu seu registro para a Rússia — uma manobra que passou a complicar a base legal da abordagem americana.

Dados do site MarineTraffic indicavam que, em 5 de janeiro, o navio se encontrava ao largo da costa oeste da Escócia, no Atlântico Norte. Durante o período, imagens divulgadas pela emissora estatal russa RT mostraram um navio da Guarda Costeira dos EUA acompanhando o petroleiro em meio à neblina. A emissora afirmou que a embarcação estava sendo monitorada por aeronaves de reconhecimento americanas.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou na terça-feira estar acompanhando “com preocupação” o que chamou de “situação anômala” envolvendo o Marinera. Em nota divulgada pela agência estatal Tass, Moscou afirmou que o navio navegava em águas internacionais do Atlântico Norte, sob bandeira russa e em conformidade com o direito marítimo internacional, apesar de estar sendo seguido por forças dos EUA e da Otan a milhares de quilômetros da costa americana.

A crise em torno do petroleiro ocorreu paralelamente a uma movimentação militar dos EUA no Reino Unido. Dados de rastreamento de voos mostram que ao menos 13 aeronaves de transporte C-17 da Força Aérea americana voaram de bases nos EUA para o território britânico entre sábado e segunda-feira. Registros também indicam a atuação de aeronaves P-8A Poseidon, usadas em patrulha marítima e vigilância, em missões a partir do Reino Unido entre domingo e quarta-feira. As Forças Armadas britânicas se recusaram a comentar se estavam monitorando o navio ou ativos navais russos na região.

O Marinera não é o único caso que desafia o bloqueio americano. Pelo menos outros três petroleiros sancionados que operavam recentemente perto da Venezuela também trocaram suas bandeiras para a Rússia, segundo o Registro Marítimo Russo. As embarcações — anteriormente chamadas Malak, Dianchi e Veronica — passaram a se chamar Sintez, Expander e Galileo, respectivamente.

Em comunicado divulgado na terça-feira, o Comando Sul das Forças Armadas dos EUA afirmou que permanece pronto para apoiar agências do governo americano no enfrentamento a embarcações e atores sancionados que transitem pela região, destacando que suas forças seguem “vigilantes” e preparadas para rastrear navios de interesse.

Em atualização.