EUA impedem repasse de R$ 18 milhões para Agência Mundial Antidopagem e exigem auditoria para \'fortalecer confiança\' em entidade

 

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Os Estados Unidos voltaram a se recusar a repassar sua contribuição financeira à Agência Mundial Antidopagem (AMA) e exigem a realização de uma auditoria independente como condição para liberar os recursos. A decisão, repetindo o movimento feito no ano passado, consta em documentos orçamentários obtidos pela AFP nesta sexta-feira e confirmados por uma reportagem da emissora esportiva ESPN.

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De acordo com os documentos, assinados na terça-feira pelo presidente Donald Trump, a Oficina de Política Nacional de Controle de Drogas (ONDCP, na sigla em inglês) reterá o aporte de US$ 3,6 milhões ( erca de R$ 18,8 milhões) destinado à AMA até que uma auditoria externa independente seja realizada, com o objetivo de “fortalecer a confiança dos Estados Unidos na organização”. O país é, de longe, o maior contribuinte individual do orçamento do órgão mundial de controle antidopagem e mantém divergências com a agência há vários meses.

A AMA passou a ser alvo de forte escrutínio na primavera de 2024, após revelações envolvendo nadadores chineses que testaram positivo para trimetazidina antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, mas não foram punidos. Na ocasião, a agência aceitou a explicação apresentada pelas autoridades chinesas, que atribuíram os resultados a uma contaminação alimentar.

A legislação sancionada por Trump estabelece que qualquer financiamento americano à AMA deve ser acompanhado dos resultados de uma auditoria conduzida por especialistas externos em antidopagem e por auditores independentes experientes, demonstrando que a agência sediada em Montreal, no Canadá, e seus dirigentes atuam em conformidade com suas obrigações.

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Emnota enviada à AFP, a AMA reiterou que “as contribuições anuais não estão sujeitas a condições”. “Se cada governo impusesse suas próprias condições à sua contribuição à AMA, seria um caos”, afirmou a entidade, ressaltando que já passa por auditorias regulares e independentes.

A agência destacou ainda que outras autoridades ao redor do mundo ajudaram a limitar o impacto da posição americana e que a AMA mantém uma situação financeira sólida, com um orçamento anual de cerca de US$ 56 milhões — metade financiada por governos e a outra metade pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

Por fim, a AMA afirmou que segue “disposta a trabalhar com todas as organizações americanas”, seja com o governo dos Estados Unidos, o comitê olímpico nacional ou os organizadores dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Los Angeles 2028. Representantes de todas essas instituições estiveram reunidos nesta sexta-feira, em Milão, para o lançamento oficial dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026.