EUA fecharam aeroporto próximo ao México acreditando em incursão de drones, mas eram balões de festa
Uma polêmica chamou atenção dos Estados Unidos nesta semana. O governo Trump decidiu por fechar o espaço aéreo e a movimentação de voos no Aeroporto Internacional de El Paso, no Texas, bem próximo da fronteira com o México, por 10 dias.
Pouco tempo depois, cancelou o fechamento. Só que, ao final da noite, chegou a impedir a passagem pela região e decolagens do aeroporto por algumas horas.
O motivo, de acordo com o governo americano, era de 'segurança'.
Uma reportagem do jornal Wall Street Journal revelou mais detalhes do caso. De acordo com as autoridades, foram avistados objetos a distância, em um raio próximo ao aeroporto. Apesar de algumas controvérsias, foram usadas armas a laser para destruir o que acreditavam ser drones de cartéis de drogas mexicanos.
Só que os objetos eram provavelmente balões de festa.
De acordo com o veículo, a arma é um sistema experimental usado pelos militares no exterior que pode representar um sério risco para a aviação comercial.
O caso provocou alvoroço em Washington, particularmente no Pentágono, onde autoridades se esforçaram para descobrir o que havia acontecido e quem era o culpado.
Especialistas em aviação que conversaram com o veículo afirmam que lasers de alta potência podem cegar ou distrair temporariamente os pilotos, causando lesões oculares e potencial perda de controle da aeronave, principalmente durante decolagens e pousos.
O Pentágono acredita que essas armas têm grande potencial para solucionar o crescente problema das ameaças de drones em todo o mundo, eliminando objetos aéreos perigosos com precisão e a um custo muito menor do que o uso de mísseis caros.
O problema surgiu devido a uma falha de comunicação entre o Pentágono, a Agência de Aviação dos EUA e o Departamento de Segurança Interna, segundo parlamentares e pessoas familiarizadas com a situação.
A senadora democrata Tammy Duckworth pediu que a agência (FAA) e o Pentágono coordenassem melhor suas ações. Duckworth é a principal democrata na subcomissão do Comitê de Comércio, Ciência e Transporte do Senado, responsável pela supervisão da FAA. Ela afirmou que as informações que recebeu são 'contraditórias'.
Autoridades do governo Trump disseram na quarta-feira (11) que a FAA havia fechado o espaço aéreo porque o Pentágono havia abatido drones de cartéis mexicanos que violaram o espaço aéreo dos EUA.
Essas incursões de drones, no entanto, são frequentes e normalmente não levam a fechamentos de espaço aéreo de longo prazo.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca.
SAUL LOEB / AFP
As autoridades policiais começaram a analisar os destroços destruídos para entender melhor os drones suspeitos. Pelo menos três dos objetos encontrados não eram drones, mas sim balões de festa, segundo o jornal.
Horas depois, a FAA reverteu abruptamente as restrições, sem muitas explicações.
O aviso designava o espaço aéreo ao redor do aeroporto como 'espaço aéreo de defesa NTL' e afirmava que os pilotos que não cumprirem a determinação 'poderão ser interceptados, detidos e interrogados pelas autoridades policiais'.
O documento alertava ainda que o governo dos EUA poderá usar 'força letal' contra aeronaves consideradas uma 'ameaça iminente à segurança'.
A restrição abrangia todos os voos de e para o aeroporto, se aplica até uma altitude de 18 mil pés e permanece em vigor até às 6h30 do dia 21 de fevereiro
Seria a primeira vez desde os ataques de 11 de setembro que o espaço aéreo sobre uma grande cidade dos EUA é fechado por um período prolongado por motivos de segurança, de acordo com a imprensa americana.
O Aeroporto Internacional de El Paso fica a aproximadamente seis quilômetros e meio da fronteira com o México, portanto a ordem exclui o espaço aéreo mexicano.
Em 2024, mais de quatro milhões de passageiros utilizaram o aeroporto.
