EUA expandem guerra ao afundar navio iraniano no Oceano Índico; chefes do Pentágono dizem que 'regime está frito'
Um submarino dos EUA afundou uma embarcação militar iraniana no Oceano Índico, em águas internacionais, em um episódio que marca a expansão do conflito iniciado no sábado pelo presidente Donald Trump e pelo premier de Israel, Benjamin Netanyahu, contra o Irã. No quinto dia da guerra, novos ataques atingiram o país, e o secretário de Defesa dos EUA afirmou que “o regime está frito”, prometendo bombardeios mais intensos.
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A fragata Dena 75 foi atingida na madrugada desta quarta-feira (noite de terça-feira no Brasil) em águas internacionais, perto da costa do Sri Lanka. As autoridades locais afirmam ter recebido um chamado de socorro e lançaram uma operação de resgate. A bordo havia 180 tripulantes, e as equipes recuperaram 87 corpos.
Ao amanhecer, os Estados Unidos confirmaram que a embarcação havia sido afundada por um torpedo americano.
— Um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano que se achava seguro em águas internacionais. Ele foi afundado por um torpedo, uma morte silenciosa, o primeiro afundamento de um navio inimigo por torpedo desde a Segunda Guerra Mundial — afirmou o secretário da Guerra, Pete Hegseth, em entrevista coletiva, omitindo que, desde 1945, outros dois navios militares foram afundados por torpedos, em 1971 e 1982. — Eles (regime iraniano) estão fritos, e sabem disso.
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O IRIS (sigla usada para navios iranianos) Dena 75 estava em serviço desde 2015, e era equipado com mísseis terra-ar, armas de combate naval, canhões, metralhadoras e lançadores de torpedo. No fim de fevereiro, a embarcação participou de um evento naval organizado pela Índia — os EUA, também convidados, cancelaram a participação na última hora, alegando “demandas emergentes”.
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Dentro da guerra de grande porte lançada no sábado, o componente naval caminha ao lado dos ataques aéreos contra o Irã. Segundo o o chefe do Comando Central dos EUA, Brad Cooper, responsável por ações no Oriente Médio, 20 embarcações da Marinha local foram destruídas.
— Em termos simples, estamos focados em atirar em tudo que possa atirar em nós — disse Cooper, em mensagem divulgada pelas redes sociais.
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Ao atacar um navio de guerra fora do cenário principal de combate, a alguns milhares de quilômetros da costa iraniana, os EUA sinalizam que não estão preocupados com a expansão territorial da guerra. E que o apetite do Pentágono contra um regime que antagoniza desde 1979 não está perto do fim.
— Esta nunca foi a intenção que fosse uma luta justa, e não é uma luta justa. Estamos atacando quando estão vulneráveis, que é exatamente como deve ser — disse Hegseth, adiantando que a próxima fase da guerra será “o controle total dos céus iranianos”, o que deve ocorrer, em seus planos, “dentro de uma semana. — Como disse o presidente Trump, ondas maiores e mais numerosas [de ataque] estão a caminho. Estamos apenas começando. Estamos acelerando, não desacelerando.
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Nas últimas horas, os ataques dos EUA se concentraram nas capacidades de lançamento de mísseis e sistemas de defesa aérea ainda em operação. Segundo Hegseth, bombardeiros estratégicos B-1 e B-2 “realizaram ataques cirúrgicos contra muitas instalações de mísseis”, e um bombardeiro B-52, que tem grande capacidade de levar bombas, atacou “postos de comando e controle”.
— [Os ataques] ocorrerão, de maneira progressiva, em lugares mais profundos do território iraniano e criarão uma liberdade adicional de manobra para as forças americanas — disse, ao lado de Hegseth, o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine.
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Os israelenses também intensificaram os bombardeios, com seus caças trafegando livremente sobre os céus de Teerã, como alegam os comandantes locais e moradores. Nesta quarta-feira, as Forças Armadas de Israel afirmaram ter lançado mais de 5 mil explosivos sobre o Irã, contra instalações do governo e sistemas de defesa aérea da capital. Em outra frente, o país ampliou as operações por terra no Líbano, em resposta a ações do Hezbollah, aliado de Teerã — segundo as autoridades libanesas, 72 pessoas morreram desde segunda.
Até o momento, nem EUA nem Israel mencionaram com grande fanfarra ações contra as instalações nucleares iranianas, onde, de acordo com os dois países, o regime busca obter uma bomba atômica. Na terça-feira, a Agência Internacional de Energia Atômica disse não ter evidências de militarização das atividades nucleares locais.
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Mesmo enfraquecido, o Irã mantém sua ampla série de retaliações voltadas aos americanos e israelenses, e também a outros países da região. Centenas de projéteis foram lançados nas últimas horas, intensificando os protestos contra Teerã.
Em telefonema com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, o premier do Catar, Mohammad al-Thani, exigiu o fim dos ataques, e disse que eles demonstram “apenas a intenção de ferir seus vizinhos e arrastá-los para uma guerra que não é deles”. O chanceler do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que seu país tem um pacto de defesa mútua com a Arábia Saudita — atingida por drones — e que os iranianos “devem ter isso em mente”.
A Turquia convocou o representante do Irã após sistemas de defesa da Otan — aliança militar ocidental liderada pelos EUA e da qual Ancara faz parte — interceptarem um míssil balístico lançado em direção ao seu território. Em comunicado, uma porta-voz da organização disse que “nossa postura de dissuasão e defesa permanece forte em todos os domínios, inclusive no que diz respeito à defesa aérea e antimíssil”.
— Estamos tomando todas as medidas necessárias em estreito contato com nossos aliados da Otan. Para evitar que incidentes semelhantes se repitam, estamos emitindo nossos alertas nos termos mais claros possíveis — disse o líder turco, Recep Tayyip Erdogan, em uma reunião com militares.
Os turcos têm buscado a neutralidade na guerra, vetando o uso de seu espaço aéreo pelos americanos, mas um ataque, mesmo que não intencional, poderia mudar esse cálculo: o pilar da Otan é o pacto de defesa mútua entre seus membros, o Artigo 5º, invocado apenas uma vez, após os ataques de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos.
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Em mensagem na rede social X dirigida aos “líderes de países amigos e vizinhos”, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirma que tentou “evitar a guerra com a ajuda de vocês e por meio da diplomacia, mas o ataque americano-sionista não nos deixou outra escolha a não ser nos defender”.
“Respeitamos a soberania de vocês e continuamos acreditando que a paz regional deve ser garantida pelos países da região”, completou.
No Iraque, bases de grupos curdos foram bombardeadas, e tropas da Guarda Revolucionária deslocadas para a fronteira. Segundo a rede CNN, os EUA planejam armar milícias curdas no país vizinho para fomentar um levante popular contra o regime no Irã.
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Reprodução / X / @centcom
A resposta iraniana também é voltada ao Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção global de petróleo e que está virtualmente fechado pela Guarda Revolucionária. Na terça, Trump disse que poderia usar navios da Marinha para escoltar petroleiros, mas poucos querem se arriscar. Gigantes do setor, como a MSC e a Maersk, suspenderam viagens pela área, e a empresa de inteligência naval Kpler disse que o tráfego na área caiu 90% em relação ao período antes da guerra.
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Mas não está claro por quanto tempo o Irã conseguirá suportar os bombardeios e manter os atuais níveis de retaliação. Fontes ouvidas pelo New York Times garantem que o país tem capacidade para atacar “por mais alguns dias”, mas Dan Caine afirmou que os disparos de mísseis “diminuíram 86% em relação ao primeiro dia de combates, com uma redução de 23% apenas nas últimas 24 horas”, e os de drones “diminuíram 73% em relação aos primeiros dias”.
— Nós definimos o tom e o ritmo desta luta — concluiu Hegseth.
