EUA exigem acordo permanente e que Irã entregue todo o estoque de urânio enriquecido
As delegações do Irã e dos Estados Unidos encerraram nesta quinta-feira (26) mais uma rodada de negociações indiretas em Genebra, na Suíça, sobre o programa nuclear de Teerã. O encontro ocorreu em meio ao reforço da presença militar americana no Oriente Médio e foi mediado por Omã.
Segundo o ministro das Relações Exteriores do país, houve progresso significativo, e os diálogos serão retomados em breve. Ele também afirmou que discussões técnicas ocorrerão na próxima semana, em Viena, na Áustria, e fez agradecimentos aos negociadores, à Agência Internacional de Energia Atômica e ao governo suíço.
Relatos da imprensa, no entanto, apontam entraves nas conversas.
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Segundo o site Axios, assessores do presidente Donald Trump e dos enviados do governo americano teriam ficado desapontados com o que ouviram do ministro de Relações Exteriores iraniano nas conversas da manhã. O Wall Street Journal informou que Washington exige o desmantelamento dos complexos de Fordow, Natanz e Isfahan, a entrega de todo o estoque de urânio enriquecido e um acordo permanente.
De acordo com a Al Jazeera, do lado iraniano, a proposta apresentada descarta o fim definitivo do enriquecimento e a desmontagem das instalações, e admite apenas uma suspensão temporária e limitada. Teerã também rejeita incluir o programa de mísseis nas tratativas.
Esta foi a terceira rodada de negociações em menos de um mês. Os Estados Unidos querem que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio, por temerem que o país busque construir uma bomba nuclear. Em contrapartida, o governo iraniano afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados à produção de energia.
O jornal americano The New York Times informou que Donald Trump considera um ataque mais limitado já nos próximos dias, caso avalie que as negociações não avançaram. Um bombardeio mais amplo, com o objetivo de derrubar o regime, ocorreria apenas nos próximos meses, se a pressão inicial não surtir efeito.
O Irã prometeu uma resposta “feroz” a qualquer tipo de ataque dos Estados Unidos, e indicou que pode atingir bases militares americanas no Oriente Médio.
