Os Estados Unidos atingiram neste domingo dois lançadores de mísseis iranianos na ilha de Larak, no Estreito de Ormuz, no primeiro ataque contra um alvo do Irã desde o final de julho.
Teerã retaliou atacando forças americanas posicionadas na Jordânia.
Em um comunicado, o capitão Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos EUA (Centcom), que supervisiona as operações militares americanas no Oriente Médio, afirmou que os ataques ocorreram depois que “as forças da Guarda Revolucionária Islâmica foram vistas se preparando para lançar foguetes e minas navais no Estreito de Ormuz”.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o ataque matou e feriu vários militares e civis e que Teerã responderia com “retaliação e punição”, informou a imprensa estatal iraniana.
Pouco depois, a TV estatal da Jordânia informou que oito mísseis lançados contra o país, que teriam como alvo bases americanas, foram interceptados.
O porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebbi, classificou o ataque como um “erro estratégico e fatal” que “mudará o equilíbrio contra aqueles que o planejaram”.
“O inimigo pagará pelas consequências desse erro de cálculo tanto no campo econômico quanto no militar”, acrescentou.
O ataque americano deste domingo parece ter sido menor e mais direcionado do que as últimas ofensivas conhecidas contra o Irã, realizadas em 29 de julho, quando os EUA atingiram “dezenas” de alvos em uma onda de bombardeios que durou duas horas.
Apesar do caráter aparentemente limitado do ataque dos EUA, eventuais retaliações do Irã podem provocar uma escalada e a retomada da violência na região.
Com as novas tensões, o petróleo Brent era negociado na noite de ontem em alta de 1,78%, cotado a US$ 89,57 o barril.
No mês passado, houve cerca de três semanas de ataques recíprocos entre EUA e Irã, que ameaçaram levar os países de volta a uma guerra em grande escala, mas não conseguiram reabrir totalmente o Estreito de Ormuz nem derrubar o regime islâmico, liderado pelo aiatolá Mojtaba Khamenei.
Desde então, os EUA passaram a priorizar o que batizaram de “guerra econômica” para tentar pressionar Teerã a capitular.
Ontem, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que deve anunciar semanalmente sanções secundárias a países que fazem negócios com Teerã, inicialmente com foco no sistema bancário.
“Estamos começando pelos bancos e dizendo a eles que não é aceitável manter dinheiro iraniano nem ajudar o regime”, disse Bessent em uma entrevista à Reuters.
Desde o anúncio das sanções, os EUA não chegaram a impor o “Dia D econômico” que havia prometido nem estabeleceu um prazo para que os parceiros comerciais de Teerã cumprissem as medidas.
Até agora, Washington apenas revogou o acesso ao sistema financeiro americano das filiais de um banco egípcio nos Emirados Árabes Unidos.
A primeira medida limitada mostrou que Washington hesita em agir contra alvos financeiros maiores que ajudam a financiar o regime iraniano, incluindo grandes bancos e entidades apoiadas pela China, por receio de desestabilizar ainda mais a economia mundial e os mercados financeiros.
O presidente americano, Donald Trump, tem encontrado dificuldades para encerrar o conflito, que alimentou a inflação e é impopular entre os eleitores dos EUA às vésperas das decisivas eleições de meio de mandato, em novembro.
Os EUA mantêm um bloqueio naval aos portos iranianos desde meados de julho.
“As forças americanas monitoram a região atentamente e continuam preparadas para proteger o livre fluxo do comércio [por Ormuz]”, afirmou Hawkins.
EUA e Irã trocam ataques pela primeira vez em um mês
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