EUA e Irã tiveram 'contatos', diz TV americana; Iranianos estão dispostos a ouvir propostas 'sustentáveis'

 

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Estados Unidos e Irã tiveram 'contatos' iniciais para uma negociação e os iranianos estão dispostos a ouvir propostas 'sustentáveis' para acabar a guerra. A informação é da rede de TV americana CNN.

Segundo uma fonte do governo iraniano, a aproximação foi iniciada pelo governo Trump nos últimos dias, mas 'nada que tenha chegado ao nível de negociações plenas'.

'Mensagens foram recebidas por meio de vários intermediários para avaliar se é possível chegar a um acordo para pôr fim à guerra. As propostas em análise visam não apenas alcançar um cessar-fogo, mas um acordo concreto para pôr fim ao conflito entre os EUA e o Irã', destaca a fala da alta autoridade para a CNN.

Apesar disso, a fonte se recusou a comentar as declarações públicas do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre as negociações, e enfatizou que a posição do Irã sempre foi clara: Teerã está pronta para considerar qualquer proposta viável.

Segundo o governo iraniano, o país não está pedindo negociações diretas, mas disposto a 'ouvir se um plano para um acordo sustentável que preserve os interesses nacionais da República Islâmica do Irã estiver ao nosso alcance'.

'O Irã está pronto para fornecer todas as garantias necessárias de que jamais desenvolverá armas nucleares, mas tem o direito ao uso pacífico da tecnologia nuclear'.

O fim das sanções também é algo prioritário para as conversas.

Uma reportagem do jornal americano The New York Times destaca que o príncipe Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita, teria incentivado o presidente dos Estados Uunidos,Donald Trump, a continuar a guerra no Irã.

Salman teria argumentado que a campanha em curso contra o Irã, seu rival de longa data, representa uma 'oportunidade histórica' ​​para remodelar o Oriente Médio.

Segundo a reportagem, o príncipe Mohammed argumentou que Teerã representa uma ameaça constante para a região, que só pode ser eliminada por meio de uma mudança de regime.

Autoridades sauditas rejeitaram as alegações, afirmando que o país 'sempre apoiou uma resolução pacífica para este conflito, mesmo antes de seu início'.

Uma série de reuniões a portas fechadas entre os ministros das Relações Exteriores do Egito, Turquia, Arábia Saudita e Paquistão, em Riad, na Arábia, abriu caminho para a mudança de postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Irã.

Uma reportagem do jornal Wall Street Journal conta que a comunicação começou através da inteligência egípcia, que conseguiu estabelecer um canal de comunicação com a Guarda Revolucionária na semana passada e apresentou uma proposta de suspensão das hostilidades por cinco dias. O objetivo era começar a pavimentar um espaço para o cessar-fogo.

Os Estados Unidos abriram o canal diplomático após os esforços dos intermediários, e Trump anunciou que as negociações estavam em andamento.

Apesar disso, mediadores árabes permanecem com dúvidas quanto à possibilidade de um acordo entre Washington e Teerã em breve, dadas as divergências entre suas posições. Como condição para o fim da guerra, o Irã exige que os Estados Unidos e Israel se comprometam a não realizar futuros ataques. Os iranianos também exigem indenização pelos danos sofridos durante o conflito.

Presidente Donald Trump em discurso no Congresso dos EUA.

Kenny HOLSTON / POOL / AFP

Nas negociações dos últimos dias, uma atenção especial tem sido dada à reabertura do Estreito de Ormuz, com a solicitação de que seja supervisionada por um comitê neutro. O Irã, no entanto, exigiu pagamento pela travessia de navios, assim como o Egito faz pelo Canal de Suez.

Essa ideia foi contestada pela Arábia Saudita, que se recusou a conceder a Teerã maior poder de negociação nas operações no Estreito.

Um dia após declarações contraditórias dos Estados Unidos e do Irã sobre as negociações, o governo iraniano afirmou nesta terça-feira (24) que as suas forças armadas lutarão 'até a vitória completa'. A afirmação é do major-general Ali Abdollahi Aliabadi, do Quartel-General Central de Khatam-al Anbiya, porta-voz do alto comando militar.

O Irã negou que quaisquer negociações estejam ocorrendo, mesmo com as notícias de que seu ministro das Relações Exteriores esteja conversando com outros chanceleres em toda a região. Os EUA afirmam que as negociações são indiretas e ocorrem por mediadores.

A televisão estatal iraniana citou Aliabadi dizendo:

'As poderosas forças armadas do Irã são orgulhosas, vitoriosas e firmes na defesa da integridade do Irã, e esse caminho continuará até a vitória completa'.

O general não especificou o que seria uma 'vitória completa', mas pareceu provável que os militares iranianos estivessem tentando alertar contra concessões em possíveis negociações com os Estados Unidos.

Durante as conversas entre Estados Unidos e o Irã, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, informou secretamente ao enviado da Casa Branca, Steve Witkoff, que o Líder Supremo Mojtaba Khamenei aprovou as negociações entre os dois países.

Ele também teria dado um aval para a busca de um acordo que terminasse o conflito, informou a emissora árabe Al Arabiya.

Khamenei teria concordado em negociar com Washington e chegar a um acordo. O novo Líder Supremo, nomeado após a morte de seu pai, Ali Khamenei, em ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro, teria concordado com um fim rápido da guerra, baseado nos termos do Irã.

Nessa segunda-feira (23), o presidente dos EUA, Donald Trump, decretou um cessar-fogo de cinco dias nos bombardeios a instalações de energia iranianas e afirmou que negociações 'produtivas' estão em andamento para pôr fim ao conflito.

O próprio Trump declarou que as negociações estão sendo conduzidas com 'um alto funcionário' que não é o Líder Supremo, sem informar quem seria. O Irã nega oficialmente que quaisquer negociações estejam em andamento.

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Jack Guez/AFP