EUA e Irã intensificam ataques no Golfo, sem sinais de recuo de nenhum dos lados
Pelo segundo dia consecutivo, os Estados Unidos e o Irã intensificaram a troca de ataques militares no Golfo Pérsico, ampliando os temores de um retorno à guerra e colocando em risco o acordo provisório firmado há cerca de três semanas para suspender o conflito.
Forças americanas realizaram nesta quinta-feira uma nova onda de bombardeios contra território iraniano, enquanto Teerã respondeu atacando bases e aliados dos EUA na região e ameaçou ampliar a ofensiva caso novos ataques sejam realizados.
Ao todo, pelo menos 14 pessoas foram mortas nos ataques contra o Irã.
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O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) disse ter atingido cerca de 90 alvos militares em todo o Irã, depois de outros 80 bombardeados no dia anterior.
Os ataques tiveram como alvo sistemas de defesa aérea, equipamentos de vigilância costeira, depósitos de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura logística ao longo do litoral iraniano.
O objetivo, afirmou, foi reduzir a capacidade do Irã de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.
Além de instalações militares, a imprensa iraniana informou que os bombardeios atingiram a região da usina nuclear de Bushehr, na costa do Golfo Pérsico, e a ponte ferroviária de Aq Taqa Khan, na província de Golestão, no norte do país.
A estrutura integra uma ferrovia que conecta o Irã ao Turcomenistão e ao Cazaquistão e vinha sendo utilizada para o transporte de mercadorias provenientes da Rússia, inclusive durante o bloqueio americano ao Estreito de Ormuz.
Também foram registradas explosões em Bandar Abbas, Konarak e Chabahar, além de ataques contra uma ponte ferroviária na rota para Mashhad, onde está previsto o enterro do líder supremo Ali Khamenei nesta quinta-feira.
Khamenei foi morto em 28 de fevereiro, nos bombardeios israelenses e americanos que deram início à guerra.
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O Ministério da Saúde iraniano informou que os dois dias de ataques americanos deixaram pelo menos 14 mortos e 78 feridos, a maior parte deles integrantes das Forças Armadas.
A imprensa estatal também informou a morte de pelo menos nove militares nos bombardeios de quarta-feira, além de três pessoas na província de Khuzistão e de um bombeiro em um aeroporto na cidade de Iranshahr.
Resposta iraniana
A resposta iraniana teve como alvo aliados dos Estados Unidos no Golfo.
Segundo a agência semioficial Iranian Students' News Agency, o Irã atacou bases americanas no Bahrein, no Kuwait e no Catar.
A Guarda Revolucionária afirmou ter atingido sistemas de defesa aérea em duas bases no Kuwait, infraestrutura de combustível utilizada pelos militares em duas bases no Bahrein e uma antena de satélite no Catar.
O grupo também advertiu que poderá ampliar os ataques para outras bases americanas na região caso Washington mantenha a ofensiva.
Durante a madrugada, sirenes de alerta aéreo soaram repetidamente no Bahrein, sede da 5ª Frota da Marinha americana, e também no Kuwait.
O Ministério da Defesa kuwaitiano informou que seus sistemas de defesa aérea interceptaram três mísseis balísticos, um míssil de cruzeiro e dez drones, enquanto as Forças Armadas do país disseram que uma pessoa ficou ferida por destroços.
O Bahrein afirmou ter abatido projéteis disparados contra seu território, sem divulgar mais detalhes.
Até o momento, não havia informações sobre danos no Catar.
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Na Jordânia, a Embaixada americana em Amã emitiu um alerta urgente informando que mísseis, drones e foguetes cruzavam o espaço aéreo do país e orientou cidadãos americanos a procurar abrigo imediatamente.
As Forças Armadas jordanianas informaram ter interceptado oito mísseis lançados pelo Irã e disseram que não houve vítimas nem danos.
Fontes de segurança relataram um ataque iraniano contra um acampamento da oposição curdo-iraniana em Erbil, no Curdistão iraquiano.
Os novos ataques ocorreram horas depois de o presidente americano, Donald Trump, afirmar que os ataques iranianos contra navios no Estreito de Ormuz significavam o fim do frágil cessar-fogo firmado entre os dois países.
Na quarta-feira, Trump declarou que o acordo provisório para interromper os combates estava "encerrado", mas, posteriormente, disse que permitiria a continuidade das negociações e afirmou não acreditar que a guerra seria retomada.
— Toda vez que eles nos atacarem, nós vamos atacar 20 vezes — disse, antes de ser questionado sobre a possibilidade de uma guerra em grande escala: — Não sei.
Nós venceríamos muito rapidamente.
Temos muitas maneiras de vencer.
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Após deixar a cúpula da Otan na Turquia, Trump voltou a ameaçar o Irã e publicou vídeos do que disse serem explosões em território iraniano.
Ele também voltou a ameaçar atingir infraestrutura civil iraniana, incluindo usinas elétricas e de dessalinização, além de impor um novo bloqueio aos portos do país e tomar a Ilha de Kharg, por onde passa cerca de 90% das exportações de petróleo iranianas.
Conversas suspensas
A troca de ataques ocorre cerca de três semanas após Estados Unidos e Irã assinarem um acordo provisório que previa um período de 60 dias de negociações para resolver as questões pendentes do conflito.
As conversas estão suspensas durante a semana de cerimônias fúnebres de Ali Khamenei e ainda não produziram avanços significativos.
Entre os temas pendentes estão a administração do Estreito de Ormuz, a liberação de bilhões de dólares em recursos iranianos congelados e, posteriormente, o futuro do programa nuclear iraniano.
As negociações também foram afetadas pela decisão dos Estados Unidos de revogar a autorização que permitia novas vendas de petróleo iraniano, uma das condições do acordo provisório.
Washington atribuiu ao Irã os ataques contra embarcações no Estreito de Ormuz, que praticamente interromperam o tráfego pela hidrovia e provocaram uma disparada nos preços do petróleo antes de uma leve queda nesta quinta-feira.
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O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que os Estados Unidos continuam descumprindo compromissos assumidos e advertiu que novas ações militares terão resposta.
— Os Estados Unidos ainda não aprenderam que intimidar e quebrar promessas já não sai de graça.
Vou dizer de forma clara: se vocês atacarem, serão atacados.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, também reagiu às declarações de Trump e afirmou que dizer que o acordo provisório chegou ao fim "não é um sinal de força, mas uma admissão do fracasso" da política americana em relação ao Irã.
Enquanto isso, o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, discutiu a escalada militar por telefone com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, e afirmou que os ataques contra navios comerciais no Estreito de Ormuz prejudicam os esforços para a segurança regional.
