EUA e Brasil devem ampliar cooperação em segurança regional, diz senador republicano

 

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Uma aliança hemisférica mais ativa em segurança é não só possível como necessária entre Estados Unidos e Brasil. A avaliação é de Bernie Moreno, senador republicano por Ohio durante painel sobre relações bilaterais na 3ª edição do Summit Valor Brazil–USA 2026, nesta quarta-feira (13), em Nova York.

“Temos que ter uma aliança hemisférica muito ativa que leve à proximidade em todo o hemisfério. Acho que todos juntos devemos perseguir esse objetivo", afirmou Moreno.

O senador, que participou do painel ao lado de Clifford Sobel, ex-embaixador americano e fundador da Valor Capital, citou o Equador e a República Dominicana como exemplos bem-sucedidos de cooperação regional e defendeu que o modelo pode ser replicado com o Brasil e outros países na região.

Sobel destacou que nove agências americanas já operam em cooperação com órgãos de segurança brasileiros e que as duas partes já acordaram em Washington avançar ainda mais nessa parceria. "Isso vai crescer ainda mais no futuro. Todos queremos segurança para as nossas populações", disse o ex-embaixador.

Clifford Sobel

Vanessa Carvalho/Valor

Durante o painel, ambos destacaram as oportunidades para um engajamento estratégico entre EUA e Brasil. Segundo Sobel, os dois países vivem uma nova era em sua relação bilateral, impulsionada em parte pelo crescimento das preocupações americanas com a presença chinesa na região.

"Começamos a perceber a relação estratégica que deve haver entre duas democracias líderes do mundo. O resultado dessa manhã, com os processos de resolução de disputas e questões de tarifas, destaca a cooperação que haverá no futuro", afirmou o ex-embaixador.

Sobre a influência da China na região, o senador republicano classificou a questão como um "grande problema" e defendeu restrições coordenadas entre os países ocidentais.

"O Brasil, como o resto da América Latina, deverá ser restringido, banido quase, da infraestrutura de telecomunicações e dos veículos chineses. O Brasil já foi um país que produzia muito da indústria automobilística, e a China destruir essa indústria não faz sentido. Tem que haver políticas adotadas de maneira comum no Ocidente para termos uma aliança regional", afirmou Moreno.

Questionado sobre como propõe aproximar os dois hemisférios, o senador republicano — o primeiro nascido na América Latina na história do Senado americano — respondeu que a base do entendimento está nos valores compartilhados. "Queremos ter segurança, proteção e prosperidade. Temos recursos em cada país que complementam os do outro — eles não são concorrentes estratégicos", disse.

Para Moreno, o principal caminho para tornar a América Latina mais atrativa a investimentos passa pelo combate à corrupção. "A América Latina é corrupta há muito tempo. O movimento em direção a governos de centro e direita sem corrupção será um caminho melhor para o seu povo", afirmou.