EUA e aliados do Golfo criticam ‘escalada perigosa’ do Irã; veja onde República Islâmica já atacou
Os Estados Unidos e seis países aliados do Golfo afirmaram, em declaração conjunta, que as ações do Irã na região representam uma “escalada perigosa” e ameaçam a estabilidade no Oriente Médio. O texto, publicado originalmente em árabe e assinado por Kuwait, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e EUA, afirma que “atacar civis e Estados não combatentes é um comportamento imprudente que mina a estabilidade”.
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Os ataques retaliatórios do Irã contra Israel, bases militares dos Estados Unidos e países do Golfo já atingiram ao menos 16 locais no Oriente Médio no fim de semana. No centro de Israel, nove pessoas morreram após um míssil iraniano atingir diretamente um prédio residencial, segundo os serviços de emergência israelenses. Mais de 120 pessoas ficaram feridas, e 11 seguem desaparecidas.
No Irã, mais de 201 pessoas morreram no total e 747 ficaram feridos desde o início da ofensiva americana e israelense, de acordo com o Crescente Vermelho Iraniano. Três militares americanos também morreram, e outros cinco ficaram gravemente feridos, durante as retaliações iranianas no Kwait, um dos países da região que abrigam bases americanas.
Nesta domingo, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que 48 líderes iranianos morreram até agora na ofensiva que começou no sábado, quando EUA e Israel bombardearam alvos militares e nucleares, alegando a necessidade de conter o programa de mísseis e as ambições nucleares de Teerã. O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, o que provocou uma resposta militar imediata do país e ampliou o risco de um conflito regional.
Autoridades iranianas reagiram com tom de desafio. A televisão estatal leu uma declaração do Conselho Supremo de Segurança Nacional afirmando que o “martírio” de Khamenei desencadeará uma revolta contra os inimigos do país. A Guarda Revolucionária declarou que a morte do líder reforçará a determinação do Irã e prometeu punir Estados Unidos e Israel.
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O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que retaliar é um “direito legítimo” do país. Já o chefe de segurança Ali Larijani afirmou que novos ataques estão sendo preparados. Em Washington, o presidente Donald Trump advertiu o Irã a não ampliar a ofensiva e afirmou que, caso isso ocorra, os Estados Unidos responderão com uma força “nunca vista”.
Onde o Irã atacou
O mapa dos ataques retaliatórios do Irã contra Israel, bases militares dos Estados Unidos e países do Golfo
Arte O Globo
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A retaliação iraniana se espalhou por diferentes pontos do Oriente Médio e atingiu ao menos 16 locais, entre cidades, bases militares e infraestruturas estratégicas. Segundo autoridades da região e dos Estados Unidos, mísseis e drones foram lançados contra Israel, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Omã, Arábia Saudita, Iraque e instalações militares ligadas ao Reino Unido no Chipre, além de alvos próximos ao Estreito de Ormuz.
Em Israel, sirenes de alerta foram acionadas repetidas vezes entre a noite de sábado e a manhã de domingo. Em um dos ataques, um míssil iraniano atingiu diretamente um edifício na região de Bet Shemesh, no centro do país, que desabou parcialmente. Equipes de resgate confirmaram a morte de nove pessoas e informaram que 121 feridos foram retirados dos escombros, alguns em estado grave. Autoridades disseram que o impacto provocou danos extensos na área.
À noite, os bombeiros afirmaram que ao menos sete pessoas ficaram feridas próximo a Jerusalém após uma saraivada de mísseis lançados a partir do Irã. A polícia israelense declarou em outro comunicado que está realizando buscas na área de Jerusalém "após relatos de fragmentos de mísseis interceptadores que caíram em vários locais". Mísseis também atingiram outras partes de Israel, incluindo o distrito de Haifa.
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No Golfo, o Irã lançou ataques contra bases militares usadas pelos Estados Unidos. Entre os alvos estavam a base aérea de Al Udeid, no Catar; Ali Al Salem, no Kuwait, onde uma pessoa morreu e 32 ficaram feridas; Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos; e o quartel-general da Quinta Frota americana, no Bahrein, com quatro feridos, segundo a agência Fars. O Comando Central dos EUA afirmou que centenas de mísseis e drones foram interceptados e que os danos às instalações foram limitados.
Os Emirados Árabes Unidos estão entre os países mais afetados pela ofensiva. O Ministério da Defesa afirmou ter interceptado 137 mísseis e 209 drones lançados pelo Irã. Em Dubai, um incidente atingiu um prédio em Palm Jumeirah, bairro de alto padrão formado por ilhas artificiais em formato de palmeira, deixando quatro feridos e provocando um incêndio controlado pela Defesa Civil. Destinos turísticos e áreas estratégicas também registraram impactos: destroços de drones provocaram incêndios no hotel Burj Al Arab e em estruturas no porto de Jebel Ali, que recebe navios militares americanos.
A infraestrutura aérea também foi afetada. O Aeroporto Internacional de Dubai registrou danos leves em um saguão e ferimentos em funcionários, enquanto um incidente no Aeroporto Internacional Zayed, em Abu Dhabi, deixou um morto e vários feridos. Autoridades não confirmaram se os locais foram atingidos diretamente por projéteis ou por destroços de interceptações. Com o fechamento temporário dos aeroportos, milhares de turistas ficaram retidos no país.
No Catar, explosões foram ouvidas em Doha, 16 pessoas ficaram feridas e o governo classificou o episódio como uma “violação flagrante” de sua soberania. Em Bahrein, o Centro Nacional de Comunicação informou que o centro de serviços da Quinta Frota da Marinha dos EUA foi “alvo de um ataque com mísseis”. A frota é responsável por operações no Golfo Pérsico, no Mar Vermelho, no Mar Arábico e em partes do Oceano Índico.
Neste domingo, o país afirmou ter interceptado dezenas de mísseis e drones no domingo, embora imagens verificadas pelo New York Times indiquem que um projétil atingiu uma torre residencial. O Ministério do Interior afirmou também que o aeroporto sofreu danos depois de ter sido alvo de um ataque com drone.
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Quatro pessoas morreram na Síria depois que um míssil iraniano atingiu um prédio na zona industrial da cidade meridional de Sweida, segundo uma agência estatal de notícias síria. O míssil provavelmente tinha Israel como alvo, já que Sweida fica próxima de áreas sob controle israelense.
Em Omã, dois drones atingiram o porto comercial de Duqm, ferindo um trabalhador, e um petroleiro foi atacado próximo à península de Musandam, neste domingo, deixando cinco feridos e levando à evacuação da tripulação. Explosões também foram relatadas em Riade, na Arábia Saudita, enquanto um drone teria como alvo uma base americana em Erbil, no Iraque.
A Jordânia, que faz fronteira com Israel, afirmou que suas Forças Armadas derrubaram mísseis balísticos que tinham como alvo seu território. Um funcionário disse à agência de notícias AFP que não houve vítimas, apenas danos materiais.
Autoridades britânicas afirmaram ainda que mísseis iranianos atingiram uma base aérea do Reino Unido em Akrotiri, no Chipre, enquanto novos alertas e interceptações continuaram sendo registrados em países do Golfo ao longo de domingo. E um drone atingiu o principal aeroporto do Kuwait, de acordo com a mídia estatal.
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No Estreito de Ormuz, segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, neste domingo, três navios foram atacados. A Guarda Revolucionária do Irã reivindicou a autoria de ataques a três petroleiros supostamente americanos e britânicos, segundo a agência de notícias semioficial Mehr, embora os registros apontem que ao menos dois não têm ligações com os EUA ou o Reino Unido.
A empresa privada de segurança marítima Vanguard Tech disse que houve relatos de incidentes no estreito, compatíveis com as informações fornecidas pela UKMTO, envolvendo navios com bandeiras de Gibraltar, Palau, Ilhas Marshall e Libéria.
Incêndio em Dubai
Escalada após morte do líder iraniano
A morte de Khamenei se tornou o ponto central da crise. A mídia estatal iraniana confirmou o falecimento e decretou 40 dias de luto nacional, enquanto manifestações e protestos ocorreram em vários países da região.
Em Karachi, no Paquistão, confrontos ocorreram perto do consulado americano e deixaram mortos, segundo a AFP. Em Bagdá, manifestantes tentaram invadir a área onde fica a embaixada dos Estados Unidos.
Enquanto isso, Israel continuou a bombardear alvos no Irã durante a madrugada de domingo, incluindo lançadores de mísseis balísticos, segundo o Exército israelense. Autoridades israelenses afirmam que o país possuía cerca de 2.500 mísseis terra-terra no início da campanha militar.
O governo iraniano acusa Washington e Tel Aviv de violarem o direito internacional e levou o caso ao Conselho de Segurança da ONU. Estados Unidos e Israel, por sua vez, afirmam que a operação busca neutralizar uma ameaça iminente e impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.
Com ataques ocorrendo em diferentes frentes e promessas de novas retaliações, líderes internacionais temem que o confronto se transforme em um conflito regional de grandes proporções.
