EUA contradizem Irã e afirmam que bloqueio a portos iranianos em Ormuz vai continuar
O bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos permanece em vigor até a conclusão de um acordo de cessar-fogo com o Irã, previsto para 19 de junho, informou nesta segunda-feira (15) o Exército dos EUA em um comunicado.
O governo iraniano afirmou esperar que, mesmo antes da assinatura oficial, o bloqueio acabasse.
'O bloqueio militar aos portos iranianos permanece em vigor, restringindo todo o tráfego de entrada e saída desses portos. Não tente atravessar até que sejam dadas instruções explícitas', diz o comunicado.
Um trecho do acordo entre Washington e Teerã estipula que a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz 'gratuita' será 'apenas por 60 dias', período em que novas negociações entre o Irã e os Estados Unidos acontecerão.
A informação foi divulgada pela agência de notícias iraniana Fars, citando uma fonte familiarizada com as negociações.
'Esse princípio se repete em outras partes do texto. O Irã aceitará a passagem gratuita de navios apenas por 60 dias. Isso significa que os Estados Unidos aceitaram o princípio da cobrança de taxas, garantindo ao Irã apenas uma isenção de 60 dias', disse a fonte, citada anonimamente pela Fars.
A agência de notícias estatal oficial do Irã citou o vice-presidente do país nesta segunda-feira (15), dizendo que o acordo alcançado com os EUA foi apenas 'o primeiro passo' e que a próxima fase das negociações será mais difícil.
Em um discurso proferido em uma reunião sobre a reconstrução pós-guerra, o vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Aref, elogiou o acordo alcançado entre Teerã e Washington, mas, segundo a agência de notícias IRNA, também alertou que 'a tarefa mais difícil é um acordo permanente e a paz, que serão alcançados em 60 dias'.
Segundo a imprensa dos dois países, o memorando de entendimento acordado entre os EUA e o Irã inclui um período de 60 dias de negociações a partir da data de assinatura.
A assinatura do acordo está prevista para sexta-feira (19), e nos próximos dois meses as duas partes se dedicarão ao trabalho mais complexo de negociar diretamente o futuro do programa de enriquecimento nuclear de Teerã e outras questões controversas.
Vice de Trump afirma que EUA podem usar forças militares para garantir que Irã cumpra acordo
Vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, durante embarque para o Paquistão.
JACQUELINE MARTIN / POOL / AFP
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, não descartou a possibilidade de as forças militares dos EUA serem usadas para ajudar a garantir que o Irã cumpra o acordo sobre seus materiais nucleares, embora tenha dito que não 'acredita que as forças militares dos EUA serão necessárias'.
'Certamente conversamos com os iranianos sobre como vamos destruir esse estoque de urânio enriquecido. Os detalhes técnicos são um dos pontos que vamos abordar quando iniciarmos essas conversas técnicas na sexta-feira', afirmou em entrevista à rede de TV CBS.
Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, órgão de vigilância atômica das Nações Unidas, o Irã possui cerca de 900 libras de urânio (cerca de 408 kg) altamente enriquecido, que se acredita estarem enterradas sob os escombros de uma instalação nuclear atingida por ataques dos EUA e de Israel há um ano.
'Estamos falando em trabalhar com a AIEA e com os iranianos para entrar e destruir esse estoque de material enriquecido. Se desempenharemos um papel de observador ou um papel mais ativo, essas são as questões que definiremos em conversas técnicas', continuou.
Vance completou afirmando que, como Trump defendeu, os EUA querem que 'esse estoque de material enriquecido seja destruído'.
