EUA apostam que levantes populares podem levar a troca de regime, avalia especialista

 

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Os ataques realizados pelos Estados Unidos com apoio de Israel contra o Irã ampliam a tensão no Oriente Médio e ainda têm impactos difíceis de prever. A avaliação é da cientista política Cristina Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Unifesp, em entrevista à rádio CBN.

Segundo a especialista, a operação ocorre em meio a questionamentos sobre as reais motivações da ofensiva e pode ir além do campo militar.

"A dimensão do conflito em termos de efeito, em termos do Trump conseguir os objetivos e mesmo Netanyahu, porque é um ataque que vem com o apoio de Israel muito fortemente, a gente ainda não tem muita noção, porque a operação, ela continua em andamento. Mas me parece claramente haver um objetivo político também, não só militar, dos Estados Unidos, à medida que o Trump pede ao povo iraniano não só que continue nas ruas, mas que avance para a derrubada do atual governo representado pelo aiatolá Ali Khamenei."

Pecequilo afirma que o Irã vive um momento de fragilidade interna e tem hoje capacidade limitada de reação, o que torna incerto o resultado da estratégia americana de pressionar por mudanças no regime. A professora também destaca que intervenções externas nem sempre produzem a transição política esperada.

"E a expectativa norte-americana é sempre aquela: 'olha, eu vou derrubar o regime e vai existir por parte da população uma troca de governante, né?' Agora, raramente isso funciona, porque fica a questão: quem vai entrar? Quem que é o sucessor de Khamenei? É um cenário parecido, por exemplo, com o da Venezuela? Você tira um líder, mas coloca outro ligado ao regime para colocar o país nos eixos e alinhar com os Estados Unidos?"

Para ela, a resposta internacional deve ser cautelosa, enquanto o cenário regional permanece imprevisível.

Saiba mais sobre o ataque:

Israel e Estados Unidos fizeram um ataque contra o Irã no início da manhã deste sábado no horário local. Os americanos confirmaram que a ofensiva está em andamento.

As explosões foram ouvidas no centro de Teerã, capital iraniana, próximo aos escritórios do líder supremo, Ali Khamenei. Conforme a agência de notícias Reuters, ele foi transferido para um local seguro. Um aereporto da cidade também foi atingido. O ministro da defesa israelense, Israel Katz, afirmou que a ação ocorre para "eliminar ameaças".

As Forças Armadas de Israel disseram que acionaram sirenes de alerta aéreo em diversas regiões do país “para preparar a população para a possibilidade de lançamento de mísseis contra Israel”. O governo israelense também anunciou a suspensão das aulas e do deslocamento das pessoas ao trabalho.

O ataque ocorre num momento em que os Estados Unidos reuniram uma frota de caças e navios de guerra na região para tentar pressionar o Irã a chegar a um acordo sobre seu programa nuclear. A autoridade aeroportuária de Israel informou que fechou o espaço aéreo a voos civis.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou os ataques do país contra o Irã. Em um vídeo de oito minutos publicado em sua rede social, a Truth Social, o republicano afirmou que o objetivo do enclave é defender o povo americano de ameaças do governo iraniano.