EUA anunciam sanções contra autoridades do Irã, enquanto ativistas relatam temor de confissões forçadas entre presos
Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira sanções contra autoridades de segurança e ligadas ao setor bancário do Irã, sob as acusações de envolvimento com a violenta repressão a protestos pacíficos e lavagem de dinheiro no valor de bilhões de dólares do setor de petróleo. As sanções foram anunciadas em um momento em que apesar de sinalizações do governo iraniano sobre um possível arrefecimento da repressão, temores seguem entre os civis, incluindo da tentativa do regime de retirar confissões forçadas dos detidos.
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"Os Estados Unidos apoiam firmemente o povo iraniano em sua luta por liberdade e justiça", disse o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, em um comunicado, acrescentando que as sanções foram impostas sob a direção do presidente Donald Trump.
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Entre os alvos da medida americana está Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, a quem Washington acusou de coordenar a repressão e ordenar o uso da força contra os manifestantes. Quatro comandantes regionais das forças de segurança e da Guarda Revolucionária do Irã também foram incluídas na lista por suposto envolvimento na repressão nas províncias de Lorestan e Fars.
O comunicado da autoridade americana especifica que em Fars, as forças de segurança "mataram inúmeros manifestantes pacíficos", e que os hospitais estão "tão sobrecarregados com pacientes feridos por tiros que não conseguem admitir outros tipos de pacientes". Relatos que surgem do país, que ficou sem qualquer contato com o exterior por dias, em meio a um rigoroso bloqueio de internet e telecomunicações, descrevem um banho de sangue.
Embora autoridades iranianas tenham afirmado que execuções contra os manifestantes foram suspensas em meio à pressão americana, detalhes da repressão continuam a surgir. O Canadá afirmou nesta quinta-feira que um cidadão do país morreu "nas mãos das autoridades iranianas". Ativistas afirmam que persiste um temor sobre o uso de métodos de tortura para obter confissões forçadas das pessoas detidas durante os protestos.
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A TV estatal iraniana mostrou imagens do chefe linha-dura do judiciário iraniano, Gholamhossein Mohseni Ejei, interrogando várias pessoas acusadas de serem "manifestantes violentos". Ejei, que passou sua carreira no centro do aparato jurídico da República Islâmica, foi sancionado tanto pela União Europeia quanto pelos EUA.
A autoridade do regime já havia passado cinco horas dentro de uma das prisões de Teerã na quarta-feira, sob a justificativa de examinar os casos de presos, informou a televisão estatal. Segundo grupos de direitos humanos, também foram transmitidas dezenas de "confissões", que colocam sob suspeita.
"A mídia estatal começou a exibir as confissões forçadas de manifestantes poucos dias após o início dos protestos", afirmou a organização Iran Human Rights, sediada na Noruega. "Confissões obtidas sob coerção e tortura, exibidas antes dos procedimentos legais, violam o direito dos réus à presunção de inocência".
Em outro exemplo, a agência de notícias Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA, relatou que duas adolescentes presas na cidade de Isfahan, no centro do país, foram mostradas em "confissões forçadas" nas quais afirmavam ter recebido dinheiro de um indivíduo para participar de protestos de rua.
Grupos de oposição acusam Ejei de envolvimento na execução em massa de presos políticos em 1988. A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF, na sigla em inglês), afirmou que ele tem "sangue de jornalistas nas mãos", lembrando que ele chegou a morder um jornalista no ombro durante um debate em 2004.
As sanções americanas congelam quaisquer bens nos EUA dos indivíduos e entidades designados e proíbem cidadãos americanos de realizar transações comerciais com eles. Instituições financeiras estrangeiras estão sujeitas a sanções secundárias por realizarem transações com as entidades sancionadas. (Com AFP)
