EUA anunciam acordos com indústria armamentícia para desenvolvimento da defesa em meio a guerra no Irã
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (25) acordos com três dos maiores fabricantes de armamentos do mundo, em contratos de milhões de dólares. O anúncio acontece em meio a guerra contra o Irã, na qual os americanos já gastaram um valor bilionário.
No comunicado oficial divulgado, é revelado um esforço do governo Trump para 'colocar a base industrial de defesa em pé de guerra'.
Os acordos foram feitos com a BAE Systems, do Reino Unido, e com a Lockheed Martin e a Honeywell, dos EUA.
A Honeywell Aerospace irá 'aumentar a produção de componentes críticos para o arsenal de munições dos Estados Unidos', afirmou o Pentágono, incluindo sistemas de navegação, atuadores e 'soluções de guerra eletrônica'.
'Ao garantir uma demanda estável e de longo prazo por munições críticas, o Departamento desbloqueou um investimento plurianual de US$ 500 milhões da Honeywell Aerospace para modernizar e expandir sua capacidade de produção, representando uma vitória fundamental para a base industrial de defesa, que responde diretamente ao apelo do Presidente Trump e do Secretário Hegseth para construir um Arsenal da Liberdade resiliente e duradouro', diz o texto.
A BAE Systems quadruplicará sua produção de munições para os sistemas de interceptação de mísseis THAAD (de grandes altitudes) americanos, que foram amplamente utilizados na guerra entre Rússia e Ucrânia e ainda mais utilizados em meio à atual guerra com o Irã .
O Pentágono afirmou que a Lockheed aumentará sua produção de mísseis de ataque de precisão e também fará 'investimentos em ferramentas avançadas, modernização das instalações e equipamentos de teste essenciais para reduzir drasticamente os prazos de produção'.
Os três comunicados divulgados pelo Departamento de Defesa não especificaram o custo total dos acordos, nem explicaram como o governo dos EUA financiaria seus investimentos na construção de arsenais.
Irã afirma que não negociará com os EUA por 'falta de confiança' na diplomacia americana
Em posse de novo secretário de Segurança, Trump diz que negociações com Irã estão em curso: 'falando com as pessoas certas'
Reprodução/Redes Sociais
O Irã disse nesta quarta-feira (25) que não negocia e nem negociará com os Estados Unidos porque não é possível confiar na diplomacia americana. A afirmação é do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, primeira grande autoridade do governo iraniano a comentar abertamente sobre o tema.
Ele rejeitou os esforços de mediação, citando a traição à diplomacia quando o Irã foi atacado duas vezes durante negociações nucleares anteriores, antes do início do conflito.
Baghaei disse que o Irã não pode confiar na diplomacia americana e que as forças armadas iranianas estão focadas na defesa do território do país. Ele reconheceu que vários países, incluindo o Paquistão, ofereceram mediação, mas enfatizou que o Irã está sob bombardeio constante.
'Temos uma experiência catastrófica com a diplomacia americana. Fomos atacados duas vezes em um intervalo de nove meses, enquanto estávamos em meio a um processo de negociação para resolver a questão nuclear. Isso foi uma traição à diplomacia – uma expressão agora amplamente usada no Irã – e aconteceu não uma, mas duas vezes. Ninguém pode confiar na diplomacia americana. Nossas bravas forças armadas estão atualmente focadas em defender o território e a soberania do Irã contra esta guerra brutal e ilegal', declarou.
O porta-voz ainda declarou que os ataques militares americanos partiram de bases em países do Golfo Pérsico e que o Irã está exercendo seu direito à autodefesa, conforme o Artigo 51 da Carta da ONU.
Na entrevista, ele também explica que o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, é o responsável pela diplomacia externa do Irã.
'O Presidente do Parlamento, Sr. Ghalibaf, é um político de alto escalão que atua dentro dos mandatos e atribuições conferidos pela Constituição. A divisão de trabalho entre nossas autoridades é clara e transparente. No momento, estamos 100% focados em defender a soberania e o território do Irã contra esses ataques brutais'.
