EUA ameaça castigar Irã após ataques de rebeldes do Iêmen a navios

EUA ameaça castigar Irã após ataques de rebeldes do Iêmen a navios

Fonte: Bandeira



Irã e Estados Unidos prometeram, nesta quinta-feira (23), intensificar seus ataques depois que os rebeldes do Iêmen, aliados ao Irã, abriram outra frente em sua ofensiva contra navios sauditas no Mar Vermelho, e os preços do petróleo voltaram a ultrapassar os 100 dólares.


O conflito se espalhou para o Mar Vermelho esta semana, depois que rebeldes iemenitas declararam um bloqueio aos portos da Arábia Saudita e alegaram ter atacado dois petroleiros sauditas.


O preço do barril de Brent do Mar do Norte para entrega em setembro subiu 7,04%, a 100,69 dólares - um limite que não tinha alcançado desde maio passado -, devido aos temores sobre o trânsito de petróleo pelo Mar Vermelho, uma rota alternativa para evitar o Estreito de Ormuz.


Seu equivalente americano, o barril de West Texas Intermediate para entrega no mesmo mês, subiu 6,17%, a 92,19 dólares.


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou aplicar "um grande castigo militar" ao Irã e aos rebeldes houthis no Iêmen caso lancem novos ataques.


As hostilidades entre os EUA e o Irã foram retomadas no início deste mês após um cessar-fogo de algumas semanas, e voltaram a mergulhar a região no caos pelo controle do vital Estreito de Ormuz.


O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em uma reunião do Conselho de Segurança que a situação no Oriente Médio "está fora de controle".

"Uma crise alimenta a outra.

Uma escalada desencadeia a próxima", disse ele.


Jordânia e Kuwait informaram ter interceptado projéteis, e o exército do Irã e sua Guarda Revolucionária anunciaram golpes contra alvos militares americanos em ambos os países.


"As represálias das forças armadas continuarão enquanto prosseguirem os ataques dos Estados Unidos contra a infraestrutura e as zonas costeiras do país", afirmou o porta-voz das forças armadas iranianas, Mohammad Akraminia, segundo a televisão estatal.


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Irã denuncia atitude "irracional" dos EUA

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, denunciou, nesta quinta-feira, uma atitude "irracional" e "dominante" dos Estados Unidos, após 12 dias consecutivos de ataques americanos contra o território iraniano.


Os meios de comunicação estatais do Irã informaram, por sua vez, que um ataque americano matou duas pessoas em Shalamcheh, na fronteira com o Iraque.


Também relataram que dois mísseis americanos atingiram Bushehr, sede da única usina nuclear civil do país e alvo frequente de Washington.


Mais tarde, a agência de notícias Tasnim reportou que um míssil americano atingiu área próxima à cidade de Suza, na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz.


A Guarda Revolucionária afirmou ter impedido a passagem de três petroleiros por esta via nesta quinta-feira, enquanto Washington e Teerã disputam o controle desta rota pela qual transitava cerca de 20% do petróleo mundial antes da guerra.


Do outro lado da península arábica, os houthis iemenitas afirmaram que atacaram na quarta-feira, com mísseis e drones, dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, o Encelia e o Layla, concretizando assim a sua ameaça de bloquear a Arábia Saudita nessas águas, que servem de rota alternativa a Ormuz.


Riade confirmou que o Encelia foi atingido, sem fazer comentários sobre o outro petroleiro.


Até as 11h00 de quinta-feira (horário de Brasília), 18 embarcações carregadas com matérias-primas cruzaram o Estreito de Bab el-Mandeb — que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico —, contra 26 navios que atravessaram o estreito no dia anterior, segundo a consultoria Kpler.


Omã, mediador na prolongada guerra entre houthis e Arábia Saudita, afirmou que trabalha para retomar as conversas entre as partes, e expressou "grande preocupação" com a situação no Mar Vermelho.