'EUA agora têm de decidir se podem ganhar nossa confiança ou não', diz negociador-chefe do Irã após fracasso no Paquistão

 

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O principal negociador iraniano e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, indicou neste domingo que ainda há espaço para a continuidade da diplomacia, após negociações de paz entre Irã e Estados Unidos não resultarem imediatamente em um acordo para encerrar a guerra.

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Em uma declaração publicada nas redes sociais, ele afirmou que os EUA foram “incapazes de conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações”, mas acrescentou que “agora é hora de decidir se podem ou não conquistar nossa confiança”.

“Meus colegas na delegação iraniana (...) apresentaram iniciativas construtivas, mas, em última instância, a outra parte não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações”, disse Ghalibaf na rede X.

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Em suas primeiras declarações desde o fracasso das conversas no Paquistão, o parlamentar também adotou um tom de vitória.

“Em todos os momentos, vemos a diplomacia forte como um caminho paralelo à ação militar na defesa dos direitos do povo iraniano, e não vamos parar nem por um instante de trabalhar para garantir as conquistas dos quarenta dias de defesa nacional”, escreveu.

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Em linha semelhante, o analista conservador Ali Gholhaki, próximo ao governo iraniano, afirmou nas redes sociais que as negociações fracassaram porque os EUA exigiram enriquecimento zero de urânio, a retirada de cerca de 900 libras do estoque do material do país e o “controle da segurança do Estreito de Ormuz em seus próprios termos”.

Segundo ele, os EUA também não ofereceram garantias de que Israel encerraria os bombardeios no Líbano.

“Parece que os americanos não vieram para negociar!”, destacou.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance (à esquerda), conversa com o chefe das Forças de Defesa e chefe do Estado-Maior do Exército do Paquistão, marechal de campo Asim Munir (à direita), e com o vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Mohammad Ishaq Dar (ao centro), antes de embarcar no Air Force Two, após participar de negociações sobre o Irã em Islamabad, em 12 de abril de 2026

JACQUELYN MARTIN / POOL / AFP

O ex-ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, que liderou a delegação do país nas negociações nucleares de 2015, também atribuiu neste domingo o fracasso das conversas à tentativa dos EUA de “impor” suas condições.

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“Nenhuma negociação — ao menos com o Irã — terá sucesso com base em ‘nossas/suas condições’”, afirmou Zarif, um dos arquitetos do acordo nuclear firmado com os EUA e outras potências mundiais, abandonado em 2018 pelo presidente Donald Trump.

“Os Estados Unidos precisam aprender: não podem impor suas condições ao Irã. Ainda não é tarde para aprender. Ainda”, acrescentou Zarif em uma publicação no X.

No sábado, autoridades de alto escalão dos EUA e do Irã realizaram negociações de paz no Paquistão, enquanto uma trégua de duas semanas permanece em vigor.

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Após o fracasso das conversas, o portal americano Axios citou uma fonte anônima com conhecimento das negociações, segundo a qual os desacordos incluíam a exigência do Irã de controlar o Estreito de Ormuz e sua recusa em abrir mão de suas reservas de urânio enriquecido.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, que liderou a delegação americana, afirmou em entrevista coletiva neste domingo que as negociações duraram cerca de 21 horas e que o Irã “decidiu não aceitar nossas condições”.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, afirmou que as duas partes chegaram a um entendimento em alguns pontos, mas que “persistiam divergências em duas ou três questões importantes”.

O Irã está em guerra com EUA e Israel desde 28 de fevereiro, quando os dois países atacaram o território iraniano e mataram o líder supremo da República Islâmica, Ali Khamenei, desencadeando um conflito que se espalhou pelo Oriente Médio.

(Com New York Times e AFP)