EUA afirmam que Cuba \'está nas últimas\' e, por isso, \'deveria ter cautela\'
Os Estados Unidos responderam ao pedido do governo de Cuba para que as conversas ente os dois países aconteçam sob condições iguais. A negativa veio através de Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca.
Questionada sobre o pedido cubano, ela comentou que o país 'está nas últimas' e 'à beira do colapso'. Por isso, 'deveriam ser cautelosos em suas declarações dirigidas ao presidente dos Estados Unidos'.
A porta-voz disse nessa quinta-feira (5) que as negociações com Cuba já começaram, ainda nos estágios iniciais, mas conduzidas pelo que Washington quer.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, havia feito o pedido para o governo Trump mais cedo. Ele defendeu a disponibilidade para o diálogo, mas que isso não resultasse em restrições ao país.
'[Dialogamos] em posição de igualdade, de respeito à nossa soberania, à nossa independência, à nossa autodeterminação. Sem abordar questões que entendamos como ingerência em nossos assuntos', disse.
Desde o início do ano, os EUA colocaram mais um bloqueio contra Cuba, dessa vez impedindo que a ilha do Caribe importe petróleo. Essa é a principal matriz energética do país, o que vem gerando apagões desde então e uma alta nos alimentos.
Esse bloqueio americano ocorreu alguns dias depois da captura e prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Antes, a Venezuela exportava diretamente petróleo para Cuba. Só que as exportações agora estão comandadas pelos EUA.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca.
SAUL LOEB / AFP
Trump defende as novas imposições pelas relações do país comandado pelo Partido Comunista com a Rússia e a China.
Nessa quarta-feira (4), o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, defendeu que as conversas não incluem uma mudança no regime.
'Cuba não representa nenhuma ameaça aos Estados Unidos. Não é agressiva contra os Estados Unidos. Não é hostil. Não abriga terroristas, nem os patrocina. Não há bases militares estrangeiras em Cuba, ao contrário do que se diz - com exceção de uma, em Guantánamo, uma base americana', afirmou à CNN.
