Etanol avança como plataforma energética no mundo

 

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A escalada recente nos preços dos combustíveis fósseis começa a acelerar um reposicionamento dos combustíveis de baixo carbono na matriz energética global. A avaliação foi reforçada no painel “Corredores verdes: desenvolvendo o mercado de combustíveis de baixo carbono na aviação e no transporte marítimo Brasil–China”, onde ganhou força a leitura de que o país reúne condições para praticamente dobrar sua escala em relação aos EUA na produção de etanol.

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—O Brasil pode chegar a cerca de 30 milhões de toneladas por ano, enquanto os EUA estão em torno de 15 milhões, mas o principal desafio ainda é a escala. Sem isso, não conseguimos avançar na adoção desses combustíveis, que conectam agricultura, energia e transporte — afirmou Shen Wang, CEO da SafPac, durante o painel mediado por Fernanda Delmas, diretora de Redação do Valor.

O dado sinaliza uma mudança na inserção do etanol na transição energética, passando a ser tratado como uma plataforma capaz de conectar diferentes cadeias produtivas e rotas tecnológicas, inserindo-se “em três frentes principais de descarbonização: marítima, aviação e indústria, e avançando ainda sobre uma quarta dimensão, ligada ao setor energético”.

Nesse contexto, o avanço de tecnologias digitais cria espaço para o uso do etanol como vetor energético fora dos modelos convencionais de geração e com menor intensidade de carbono. Isso amplia o papel do combustível em novas arquiteturas energéticas associadas à digitalização da economia e seu uso em diferentes setores, como transporte marítimo, aviação e indústria. A consolidação desse novo papel ainda depende, porém, de ganhos de escala e redução de incertezas. Ao mesmo tempo, o contexto internacional leva a discussão a incorporar a dimensão geopolítica de forma mais explícita.

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— Não se trata apenas de descarbonização, mas também de garantir o fornecimento de energia no futuro — afirmou Li Zhenglong, vice-diretor da Universidade de Zhejiang.

Esse movimento reduz uma das principais barreiras históricas dos combustíveis de baixo carbono, o custo. Nesse cenário, a relação entre Brasil e China tende a ganhar centralidade. O país asiático avança na definição de padrões, na demanda por combustíveis de baixo carbono e na capacidade tecnológica, enquanto o Brasil reúne vantagens associadas à disponibilidade de biomassa e à escala agrícola. É justamente nessa combinação que emerge um dos principais alertas levantados no debate:

— Se não houver estratégia, corremos o risco de ficar apenas como exportadores de etanol, sem desenvolver a indústria associada — afirmou Larissa Wachholz, senior fellow do Cebri.