Estudos associam mudanças climáticas ao avanço do hantavírus; entenda

 

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Como as mudanças climáticas se relacionam com o aumento do risco de surtos de hantavírus pelo mundo? Segundo estudos recentes, secas prolongadas, chuvas intensas e aumento das temperaturas criam condições favoráveis para a expansão dos roedores transmissores da doença e elevam as chances de contato com humanos.

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O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. A infecção pode causar a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, doença grave que provoca febre, dores no corpo e insuficiência respiratória. Em alguns casos, a taxa de mortalidade pode chegar a 50%.

Uma pesquisa divulgada pela revista “Live Science” nesta terça-feira utilizou modelos climáticos para analisar a expansão do rato-arroz pigmeu de cauda longa, espécie associada ao vírus dos Andes na Argentina. Os pesquisadores concluíram que o avanço das mudanças climáticas deve ampliar significativamente a área ocupada pelo animal até 2040, aumentando o risco de exposição humana ao vírus.

Segundo o estudo, eventos extremos ligados ao aquecimento global alteram diretamente a dinâmica populacional dos roedores. Períodos de seca levam os animais a buscar alimento em áreas urbanas e rurais habitadas. Em seguida, chuvas intensas favorecem explosões populacionais ao aumentar a disponibilidade de sementes e vegetação.

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A preocupação cresceu após o aumento recente de casos na Argentina. Segundo autoridades sanitárias do país, houve alta expressiva nos registros de hantavírus no último ano, incluindo mortes associadas à cepa Andes, uma das poucas variantes capazes de transmissão entre humanos em situações específicas de contato próximo.

Na Europa, uma análise publicada na revista “Environmental Research” em março deste ano identificou fatores climáticos, ambientais e socioeconômicos como determinantes importantes para o risco de infecção por hantavírus. O estudo concluiu que temperaturas mais altas e alterações na biodiversidade influenciam diretamente a circulação da doença.

Especialistas ressaltam, porém, que as mudanças climáticas não atuam isoladamente. Desmatamento, expansão urbana, queimadas e ocupação humana de áreas silvestres também aumentam o contato entre pessoas e animais transmissores, favorecendo o surgimento de doenças.