Uma pesquisa publicada na revista Pulmonology revelou que aumentar os passos diários pode ajudar consideravelmente no controle dos sintomas em pacientes que sofrem com asma moderada a grave.
De acordo com os resultados obtidos pelos pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), essa prática melhora a qualidade de vida, alivia os sintomas de ansiedade e depressão, e mantém a asma sob controle a médio prazo.
Esta descoberta simboliza o surgimento de alternativas mais flexíveis e acessíveis de tratamento não farmacológico contra uma das doenças respiratórias que mais acometem brasileiros.
“Vimos que, se um paciente caminha 7.500 passos por dia, ele já tem um melhor controle clínico da asma”, disse David Halen Pinheiro, pós-doutorando do Laboratório de Investigação em Fisioterapia e Exercício (Liffe) da USP à Agência Fapesp.
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Os resultados da pesquisa
Para a realização da pesquisa, os 480 voluntários foram divididos em dois grupos: o primeiro frequentou duas vezes por semana o HC para um treinamento aeróbio em esteira ergométrica com orientação profissional por 45 minutos.
Já o segundo grupo frequentou o HC uma vez por semana, para sessões de até 90 minutos, o que resultou em uma melhora com menos sintomas respiratórios que se manteve por quatro meses.
Segundo Pinheiro, há uma diferença entre treinamento aeróbico e a caminhada.
"O treinamento aeróbio requer um aparato maior e precisa ser supervisionado.
Já com uma simples caminhada, ao aumentar o número diário de passos, o paciente tende também a controlar a doença e obter outros benefícios, como, por exemplo, a melhora da qualidade de vida e a redução dos sintomas de ansiedade e depressão", destacou.
“Depois dos quatro meses, muitos pacientes do grupo do treinamento aeróbio contaram que entraram na academia para fazer esteira e os pacientes do grupo da intervenção comportamental mantiveram a caminhada no dia a dia (...) Depois de quatro meses, o número de passos registrados pelo grupo da intervenção comportamental foi um pouco maior do que o do treinamento aeróbio", complementou.
O estudo é fruto do doutorado do fisioterapeuta David Halen Araújo Pinheiro, desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP).
A pesquisa teve colaboração com a Unidade de Doenças de Vias Aéreas da Divisão de Pneumologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (HC) da FM-USP.
(Victoria Rodrigues, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Enderson Oliveira, editor web em O Liberal)
