Estudo indica que transferência de fezes pode aumentar fertilidade e retardar a menopausa

 

Fonte:


Um estudo realizado por pesquisadores da Califórnia (EUA) e publicada na revista "Nature Ageing" sugere que a fertilidade no corpo humano pode ser prolongada através de um novo tipo de transplante. O procedimento envolve a transferência de fezes de um indivíduo para outro, aumentando a quantidade de bactérias boas no organismo, o que provocaria o "rejuvenescimento" dos ovários.

Toda a pesquisa foi conduzida por integrantes da Universidade do Sul da Califórnia (USC), que faziam parte do setor de Gerontologia. Os testes foram realizados em camundongos e mostraram que as transferências de microbiota fecal provocaram uma melhora na função ovariana dos animais e, por consequência, maiores índices de fertilidade.

Apoiados nos resultados, os autores do estudo acreditam na existência de uma comunicação entre o ovário e a microbiota intestinal e que essa troca de informações mudaria ao longo da vida e do envelhecimento.

Artigo, de título "Transplante de microbiota intestinal melhora indicadores da função ovariana em camundongos adultos" foi publicado nesta terça-feira (3)

Reprodução

O estudo

Na pesquisa, camundongas foram tratadas com antibióticos para limpar por completo a microbiota intestinal. Em seguida, receberam transplantes fecais de outras camundongas mais jovens ou mais velhas. O objetivo era "remodelar" o universo de bactérias do intestino.

Os animais que receberam transplantes fecais de espécimes mais velhas apresentaram uma mudança nas células ovarianas, tornando-se semelhantes às de camundongos mais jovens. Os ovários também apresentaram menos marcadores de inflamação e mostraram-se mais férteis.

Em entrevista ao jornal "The Sun", os pesquisadores reforçaram que a transferência de microbiota funcional veio apenas dos espécimes mais velhos:

"Alguns dos ratos que receberam o microbioma mais jovem nunca produziram filhotes, enquanto todos os ratos que receberam o microbioma mais velho produziram."

Gráfico do estudo que mostra o sistema de compensação da microbiota dos camundongos, um aumento da saúde dos ovários e diminuição em inflamações

Reprodução

A explicação desse fenômeno, segundo o estudo, reside em um dos componentes da microbiota intestinal — o estroboloma. O componente está envolvido no metabolismo do estrogênio e ajuda o sistema reprodutivo a manter os hormônios em equilíbrio.

Quando os ovários envelhecem, há menos respostas aos sinais do estroboloma. A partir da transferência de microbiota fecal, alvo do estudo, há um aumento das taxas de fertilidade.

Continuidade da pesquisa

Embora as conclusões sejam baseadas em pesquisas com ratos, os pesquisadores afirmaram que modular a microbiota intestinal pode influenciar o envelhecimento reprodutivo e até mesmo retardar processos como a menopausa.

Segundo os estudiosos, a menopausa não se resume apenas à perda da fertilidade. Essa fase da vida também implica efeitos negativos drásticos na saúde geral das mulheres e está associada a um aumento enorme nos riscos de doenças que vão desde osteoporose e diabetes até doenças cardíacas e demência.

A pesquisa conclui, portanto, que um retardamento eficaz da menopausa ajudaria as mulheres a viver vidas mais longas e saudáveis.

As pesquisas a respeito do transplante de microbiota fecal ainda precisam evoluir para testes em mulheres, mas os estudos avaliam que o procedimento pode atuar na prevenção de diversas doenças, como a insônia, Parkinson, depressão e até cânceres de pele e pulmão.

(*) Estagiário sob supervisão de Fernando Moreira