Estudo encontra doença cerebral em 215 ex-jogadores da NFL que doaram cérebros para pesquisa - QTU Questões do Universo

Estudo encontra doença cerebral em 215 ex-jogadores da NFL que doaram cérebros para pesquisa

Fonte: Bandeira da fonte

Um novo estudo sobre os efeitos do futebol americano no cérebro identificou encefalopatia traumática crônica (ETC) em 215 de 235 ex-jogadores da NFL que tiveram seus cérebros doados para pesquisa após a morte.
A doença degenerativa, associada a impactos repetitivos na cabeça, só pode ser diagnosticada de maneira definitiva após a morte.

Publicado no "British Medical Journal" (BMJ), o levantamento analisou 878 ex-jogadores da liga que morreram durante um período de seis anos.
Entre eles, 235 tiveram os cérebros examinados.
Além da alta ocorrência de ETC neste grupo, os pesquisadores encontraram casos frequentes de demência entre os doadores.

Os autores ressaltam que existe um viés importante na amostra: famílias de jogadores com sintomas neurológicos podem ter maior propensão a doar o cérebro para pesquisas.
Por isso, os cientistas utilizaram diferentes cenários para tentar estimar a prevalência da doença no conjunto dos 878 atletas.

A estimativa "mínima conservadora" apontou que pelo menos 24,5% dos ex-jogadores que morreram no período tinham ETC.
No cenário máximo calculado pelos pesquisadores, a proporção chegou a 97,7%.

Daniel Daneshvar, professor associado da Faculdade de Medicina de Harvard e principal autor do estudo, destacou que pesquisas anteriores já haviam identificado uma mortalidade maior por doenças neurodegenerativas entre atletas da liga.

 

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— Nós e outros demonstramos que, especificamente entre os jogadores da NFL, a taxa de mortalidade por doenças neurodegenerativas é cerca de quatro vezes maior do que na população em geral — afirmou.

Segundo Daneshvar, os novos resultados indicam que a prevalência de ETC entre jogadores da NFL no momento da morte é superior à identificada anteriormente em diferentes estudos realizados com a população em geral.

O pesquisador também chamou atenção para o fato de que a exposição aos impactos na cabeça começa muito antes de os atletas chegarem ao futebol profissional.

— A maior parte dos impactos na cabeça que esses ex-jogadores da NFL sofreram não ocorreu na NFL.
Eles aconteceram no nível universitário, no ensino médio e, em muitos casos, no juvenil.
Todos esses impactos cumulativos contribuíram para um aumento do risco — explicou.

Diante dos resultados, os pesquisadores defenderam novas medidas para diminuir a quantidade de impactos repetitivos na cabeça em todas as categorias do futebol americano, desde a formação de jovens atletas até o nível profissional.

Em resposta ao estudo, a NFL afirmou que trabalha continuamente para tornar o esporte mais seguro e destacou a adoção de estratégias destinadas à redução de concussões e impactos na cabeça.

— A NFL continua empenhada em garantir que a comunidade tenha acesso a um conjunto robusto, e crescente, de recursos para melhorar seu bem-estar físico e mental — afirmou um porta-voz da liga.

A relação entre futebol americano, impactos repetitivos na cabeça e doenças neurológicas é alvo de preocupação há anos.
Em 2011, um acordo coletivo da NFL passou a limitar a quantidade de treinamentos com contato físico.