Estudo aponta que um em cada três bebês diagnosticados com alergia a amendoim não tem a condição

Estudo aponta que um em cada três bebês diagnosticados com alergia a amendoim não tem a condição - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Um estudo realizado na Austrália e publicado na revista científica "The Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice" nesta quinta-feira (5) identificou que 35% dos bebês diagnosticados com alergia a amendoim não apresentaram reação ao alimento durante um teste de provocação oral supervisionado por equipes médicas.

O resultado indica que mais de um terço das crianças avaliadas poderia não ter a condição e, portanto, não precisaria manter as restrições alimentares associadas ao diagnóstico. Mpox: Ministério da Saúde autoriza a compra de 20 mil doses de vacina

Doença rara: Qual é o câncer de Christa Pike, condenada à morte que sobreviveu a duas doses de injeção letal? A pesquisa foi conduzida pelo Murdoch Children's Research Institute (MCRI) e pelo National Allergy Centre of Excellence (NACE), em parceria com dez hospitais pediátricos públicos australianos.

Ao todo, 1.275 bebês com menos de 18 meses foram avaliados. Desse grupo, 778 passaram pelo teste de provocação oral, no qual receberam doses progressivamente maiores de amendoim em ambiente hospitalar, sob monitoramento médico.

Entre eles, 65% apresentaram alguma reação alérgica, enquanto os outros 35% toleraram o alimento e tiveram o diagnóstico de alergia retirado. Testes tradicionais podem não ser suficientes

Segundo a professora Kirsten Perrett, diretora do NACE e responsável pelo programa ADAPT, o histórico clínico e os exames de alergia, isoladamente, não foram suficientes para confirmar a condição em uma parcela significativa dos bebês. — Nossos resultados mostram que o histórico clínico e os testes de alergia, por si só, não foram suficientes para diagnosticar com precisão a alergia ao amendoim em muitos casos — afirmou à emissora australiana ABC.

A pesquisadora defende que o teste de provocação oral supervisionado seja considerado rotineiramente antes de iniciar a imunoterapia oral, tratamento que consiste na administração diária de pequenas doses do alimento para aumentar gradualmente a tolerância do organismo. Teste exige acompanhamento médico

Apesar dos resultados, os especialistas alertam que o procedimento não deve ser reproduzido em casa. Entre os bebês submetidos ao teste, 12% apresentaram anafilaxia, reação alérgica grave e potencialmente fatal.

Todos os episódios foram controlados pelas equipes médicas responsáveis pela pesquisa. Um dos casos acompanhados pelos pesquisadores foi o de Arthur, filho de Leah e Jake.

Aos cinco meses, o bebê apresentou vermelhidão no rosto e urticária nos ombros e abaixo do nariz logo após experimentar amendoim pela primeira vez. Após a reação, ele recebeu o diagnóstico de alergia e foi encaminhado ao programa ADAPT.

Durante o teste supervisionado, porém, tolerou doses progressivamente maiores do alimento, sem apresentar sintomas. Com o resultado, os médicos retiraram o diagnóstico.

— É um enorme alívio saber que Arthur consegue tolerar o amendoim e que podemos seguir em frente sem a incerteza de lidar com uma suspeita de alergia — afirmou a mãe. Os pesquisadores esperam ampliar o programa para investigar também a alergia à castanha-de-caju, outro alimento associado a reações alérgicas na infância.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →