Estudantes realizam protesto contra expulsão de mãe quilombola de sala de aula na UFPA

 

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Diversas entidades estudantis realizaram um protesto contra a expulsão de uma mãe quilombola, aluna do curso de Desenvolvimento Rural, da Universidade Federal do Pará (UFPA), na tarde desta quarta-feira (11), no campus Guamá, em Belém. De acordo com o relato da estudante, ela foi expulsa por estar com o seu filho de sete meses no colo na sala da aula.


A  manifestação foi organizada pela Associação dos Discentes Quilombolas da UFPA (ADQ UFPA), a Associação dos Povos Indígenas (APYE UFPA), o Centro Acadêmico de Desenvolvimento Rural (CADER), o Coletivo de Mães Universitárias Pela Permanência e o pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE). 


A estudante Lorrany da Paixão Maia, que teria sido expulsa de sala pela professora, relata que na última segunda-feira (10), por volta das 14h, estava aguardando o começo da aula, com o filho de sete meses no colo. Neste momento a docente chegou e começou a lhe indagar. 


"Fui questionada por uma professora se queria resolver minha situação ali logo, ou ia esperar os demais alunos chegarem. No momento, fiquei sem entender e perguntei novamente 'que situação?'  e ela disse que irá jogar para turma decidir o que faria, pois a minha situação não era da conduta dela da aula daquela maneira, e falou 'quero que você se retire da aula'", relata. 


"Eu, no momento, fiquei assustada e perguntei 'se eu sair a senhora vai me passar alguma atividade no lugar da minha presença' e ela disse 'não, eu não vou te orientar'. Logo em seguida, comecei a chorar sem acreditar no que eu estava ouvindo ainda mais diante da turma, aí ela me disse ‘para de chorar porque isso é vitimismo’. Me levantei com meu filho dormindo no meu colo visivelmente abalada e me retirei da sala", detalha Lorrany.


[[(com.atex.plugins.image-gallery.MainElement) Galeria de imagens do protesto]]


As entidades estudantis divulgaram nota pública de repúdio sobre o caso. "Repudiamos veementemente a atitude tomada por uma professora do curso de Desenvolvimento Rural da UFPA, que expulsou de sala uma discente quilombola mãe por estar acompanhada de seu filho. Reafirmamos que não compactamos com práticas racistas, excludentes e desumanas, e que esse tipo de violência institucional não ficará impune". 


"Defendemos o direito de ser mãe universitária, de permanecer na universidade e de assistir aula com seu (sua) filho (a). A universidade deve ser um espaço de inclusão, permanência e respeito", cobram as entidades.


A Universidade Federal do Pará (UFPA) foi procurada para se manifestar sobre o ocorrido, mas até o momento a instituição não se pronunciou. O espaço segue aberto.