Estudante inglês que morreu de câncer aos 21 anos pode se tornar o primeiro santo da geração Z; conheça Pedro Ballester
A breve vida de Pedro Ballester, estudante de engenharia química que morreu em 2018 aos 21 anos em decorrência de um câncer ósseo, ultrapassou fronteiras e gerações. Seu testemunho pessoal é agora objeto de estudo por parte da Igreja Católica dentro de um eventual processo de canonização.
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Quem foi Pedro Ballester e por que seu legado está sendo estudado para que ele se torne santo?
Pedro Ballester morreu em 13 de janeiro de 2018 após três anos de tratamento contra uma doença oncológica avançada na pelve. Após conquistar uma vaga no Imperial College de Londres, para cursar engenharia química, começou a sentir fortes dores nas costas durante o primeiro semestre, o que levou ao diagnóstico do câncer agressivo nos ossos. Desde então, passou longos períodos no Hospital Christie’s, em Manchester, sua cidade natal na Inglaterra, onde recebeu tratamento oncológico.
Pedro Ballester morreu em 13 de janeiro de 2018 após vários anos de tratamento contra uma doença oncológica avançada na pelve
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Segundo relatos de pessoas que o acompanharam, durante a internação ele fez amizade com outros pacientes e com a equipe de saúde, demonstrando interesse ativo por suas vidas.
O padre Joseph Evans, capelão do Greygarth Hall, em Manchester, afirmou à EWTN News: “Ele se interessava genuinamente por você. Inspirava as pessoas de forma muito natural. Conectava-se com as pessoas e falava com elas sobre Deus”.
O processo de canonização em estudo
Representantes do Vaticano começaram a entrevistar familiares e amigos de Ballester para avaliar se a causa de canonização deve ser formalmente aberta. Caso o processo avance, ele poderá se tornar um dos primeiros santos ligados à geração Z. Seu pai resumiu sua vida com uma frase que se espalhou amplamente: Pedro viveu “uma vida ordinária de forma extraordinária”.
O padre Evans explicou à EWTN News como Ballester enfrentou a doença: “Ele se unia ao sofrimento de Cristo. A dor que sentia era um grande compartilhar da paixão de Cristo, oferecendo esse sofrimento a Cristo pelas almas, pela salvação. Acima de tudo, dizia que a melhor forma de oração era oferecer o nosso sofrimento”.
Em visita ao Papa Francisco, Pedro disse que oferecia seu sofrimento "pela salvação das almas"
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Durante uma visita a Roma, em novembro de 2015, Ballester entregou pessoalmente ao papa Francisco um cartão assinado por colegas pacientes com câncer. Seu pai relatou que o jovem disse ao pontífice: “Eu só queria que você soubesse que tenho câncer e ofereço todo o meu sofrimento por você e pela Igreja”.
Vínculo com o Opus Dei e projeção internacional
Pedro Ballester nasceu em uma família católica em 22 de maio de 1996. cujos pais, de nacionalidade espanhola, são membros do Opus Dei. Ele ingressou nessa prelazia em 2013 como numerário, comprometendo-se com o celibato e a viver sua fé no meio da vida cotidiana. O Opus Dei impulsiona sua causa de santidade e destaca que sua trajetória pode seguir o caminho de jovens como Carlo Acutis, falecido em 2006 e canonizado em 2025.
Para que uma pessoa se torne santa, é necessário um longo processo na Santa Sé. Segundo a Canção Nova, é preciso, primeiramente, solicitar a abertura da causa, em seguida, nomear um responsável para acompanhar o processo, investigar a fama de santidade do candidato, comprovar um milagre realizado após a morte do candidato a santo e beatificá-lo. Somente após a beatificação, caso seja comprovado um segundo milagre, realizado após o título de beato, ele pode ser canonizado.
Jack Valero, do Opus Dei, declarou à EWTN News que a figura de Ballester reflete o surgimento de novas referências juvenis dentro do catolicismo: “Parece haver toda uma série de pessoas, uma nova geração de católicos que vai liderar o caminho”.
“Nunca fui tão feliz”
Segundo o site oficial que conta a história de Pedro Balleste, ele morreu enquanto rezava a oração da "Salve Rainha" com sua família e amigos. O funeral foi realizado na igreja Holy Name, em Manchester, que ficou lotada, com a presença de mais de 500 pessoas, entre elas cerca de 40 padres concelebrantes.
— O sofrimento foi o currículo, o programa de estudos que Pedro recebeu para aprender, não de maneira abstrata ou intelectual, mas da forma mais pessoal, de carne e osso, que se possa imaginar. E ele foi aprovado com distinção — afirmou o padre Joseph Evans, capelão do Greygarth Hall.
Pedro declarou a um amigo pouco antes de morrer que 'nunca foi tão feliz'
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Seis meses após sua morte, em 17 de julho de 2018, a Universidade de Manchester concedeu a Pedro, de forma póstuma, o título de mestre em Engenharia. Foi o primeiro diploma póstumo já concedido pela Escola de Engenharia Química e é um testemunho da marca que Pedro deixou no curto período em que estudou ali.
Menos de um mês antes de morrer, um grupo de jovens membros do Opus Dei foi visitá-lo no hospital. Após um encontro em grupo, ele quis falar com cada um individualmente. Mais tarde, os amigos relataram que Pedro encorajou cada um deles a ser fiel e perseverar em sua vocação. A um amigo, perguntou: "Você é feliz?". Ao ouvir como resposta "Sim, sou. E você?", Pedro respondeu, após três anos de sofrimento e ciente de quão próxima estava a morte: "Nunca fui tão feliz".
