'Estuda, se dedica e acredita': JP, primeiro DJ com Down a tocar no Rock in Rio, se prepara para fazer história

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Aos 23 anos, João Pedro Rocha, o DJ JP, está prestes a realizar um sonho que começou na adolescência, quando ganhou uma pequena controladora de DJ para brincar em casa. No dia 11 de setembro, ele sobe ao Palco Artist Village do Rock in Rio e se torna o primeiro DJ com síndrome de Down a se apresentar no festival. E, se depender dele, o público não vai ficar parado.

— Eu gosto da reação do público; tem uma energia, e eu gosto de fazer o público pular — resume JP, quando questionado sobre o que mais gosta no momento de se apresentar.

Hiato de três anos: Festival Canta volta a reunir grandes atrações no Caminho Niemeyer, em Niterói, após três anos De volta: feira da agricultura familiar retorna ao Ceasa após sete anos Nos shows, ele não se limita a escolher as músicas e comandar a mesa: interage com quem está na pista e, quando termina, costuma descer para agradecer.

— Eu tiro eles para dançar — afirma JP.

A relação com a música começou muito antes da carreira profissional. Criado em uma família ligada à cultura e ao carnaval, JP cresceu frequentando shows, blocos e rodas de samba. Fez aulas de violão, cavaquinho, percussão e piano e, adolescente, já demonstrava interesse pelos equipamentos usados pelos DJs.

Aos poucos, a curiosidade virou profissão. Em 2024, ele começou a estudar discotecagem com o DJ e produtor Rafael Nazareth, numa escola na Barra da Tijuca. A estreia profissional aconteceu em 2025, na Casa Bloco, no Jockey Club, na Zona Sul do Rio. Desde então, JP já passou por grandes eventos, abriu os oito shows da turnê “Oitentação”, de Geraldo Azevedo, e se apresentou na abertura da rvore de Natal da Lagoa, ao lado da Orquestra Sinfônica Petrobras.

DJ JP se apresenta no Palco Artist Village do Rock in Rio, no dia 11 de setembro Divulgação/DJ JP Para montar suas apresentações, JP costuma escolher as músicas a partir dos gêneros que gosta e das referências que acumulou ao longo da vida. Entre seus artistas favoritos estão Caetano Veloso e Gilberto Gil. O repertório também passa por nomes mais antigos e contemporâneos da música brasileira, além de pop, funk e rock. Entre os DJs que admira estão Alok, Pepe Jordão e Tropicals.

— Eu vou ser igual a ele — brinca ao falar de Alok.

Como será o Rock in Rio Para o Rock in Rio, ele prefere não revelar tudo o que preparou. A promessa é de um set com pop, MPB e rock, especialmente dos anos 1980, misturados a diferentes ritmos brasileiros.

— Surpresa! — responde quando questionado sobre o que o público pode esperar.

A apresentação no festival também ganha um significado especial porque JP já esteve do outro lado da grade. Ele conta que já foi ao Rock in Rio como público e, embora já tenha alimentado o desejo de um dia tocar no evento, não imaginava que isso realmente pudesse acontecer.

Câmeras 24 horas por dia: Linha Amarela terá fiscalização eletrônica nas pistas automáticas de pedágio O convite chegou depois que seu trabalho do DJ foi apresentado a pessoas ligadas ao festival. Para JP, a oportunidade representa mais do que uma grande apresentação: é a chance de mostrar o que faz para uma multidão.

— Eu nunca poderia imaginar que um dia eu chegaria ao Rock in Rio — diz.

Mesmo diante de um dos maiores palcos de sua carreira, JP parece não se preocupar tanto com o frio na barriga. Segundo a mãe, Rita Fernandes, os pais é que costumam ficar nervosos antes das apresentações. Ele, não.

— Parece que nasceu para o palco — conta ela.

E JP já sabe o que quer despertar em quem estiver diante dele: vontade de dançar, animação e troca. O objetivo é fazer o público entrar na mesma energia que ele sente ao tocar.

Depois de tantas apresentações, ele também aprendeu a confiar no próprio trabalho. Se pudesse voltar no tempo e conversar com o menino que, aos 12 ou 13 anos, começava a experimentar sua primeira controladora, a mensagem seria simples. — Estuda, se dedica e acredita — diz JP.

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