Estrelado por Gabriel Leone, 'Barba ensopada de sangue' mergulha em traumas que atravessam gerações
Uma história sobre a dificuldade de entender o outro é guiada por um protagonista solitário (interpretado pelo ótimo Gabriel Leone), que sofre de um distúrbio que embaralha ainda mais sua relação com o mundo: a prosopagnosia, condição que o impede de reconhecer rostos. Como se conectar com alguém quando as feições do outro lhe escapam?
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Baseado no romance homônimo de Daniel Galera, “Barba ensopada de sangue” não tenta oferecer uma resposta direta para essa pergunta. Prefere, em vez disso, explorar os efeitos da ausência de diálogo, empatia e perdão. É um filme sobre desencontros, sobre traumas que atravessam gerações e sobre personagens condenados a viver às cegas, mesmo quando estão fisicamente próximos.
Já no início, a narrativa expõe uma primeira ruptura brutal: o pai comunica ao filho que vai se matar e diz querer que ele sacrifique sua cachorra para que ela não fique sozinha. A partir dali, o personagem de Leone parte em busca de alguma explicação para si mesmo ao viajar para a cidade em que seu avô, morto anos antes em circunstâncias misteriosas, viveu.
Spoiler: ele não mata a cachorra. Mas isso não significa que o filme economize na violência. Ao contrário, “Barba ensopada de sangue” deixa claro que a incompreensão cobra um preço alto, tanto individualmente quanto na esfera coletiva de uma pequena cidade litorânea.
Com direção de Aly Muritiba, o filme é construído em torno de lacunas, silêncios e pistas incompletas. Fotografia, som e montagem ajudam a sustentar a atmosfera de thriller, ainda que, em certos momentos, a repetição da espiral de violência acabe esfriando a narrativa.
Cotação: Bonequinho aplaude.
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