Estreito de Ormuz está aberto para se comunicar com as autoridades do Irã, diz diplomata iraniano
O Estreito de Ormuz está aberto à navegação e qualquer pessoa que se comunique com as autoridades iranianas terá permissão para passar. A afirmação é do governo do país, através do vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh.
Em um vídeo divulgado nesta quinta-feira (9) Khatibzadeh afirmou à rede britânica ITV News que existem 'restrições técnicas devido à zona de guerra' para navios que tentam passar.
'É por isso que todos os navios que desejam atravessar o Estreito de Ormuz precisam se comunicar com nosso exército e forças armadas', disse ele.
Segundo ele, essas restrições 'estão muito ligadas às condições de guerra e levam tempo para serem removidas'.
'Portanto, a passagem segura está garantida. O Estreito de Ormuz está aberto. Mas, é claro, cada petroleiro e cada embarcação deve fazer os arranjos necessários com as autoridades iranianas para poder atravessar o estreito com segurança'.
No entanto, as nações vizinhas contestam essa afirmação. O ministro da Indústria dos Emirados Árabes Unidos, Sultan Al Jaber, escreveu na rede social Linkedin que o momento 'exige clareza'.
'Portanto, sejamos claros: o Estreito de Ormuz não está aberto. O acesso está sendo restringido, condicionado e controlado'.
Ele pediu ao Irã que abra incondicionalmente o estreito, por onde passaram apenas cinco navios nessa quarta (8), segundo a empresa de análise de dados Kpler.
Em outra entrevista, Khatibzadeh criticou os Estados Unidos depois que, mesmo após o acordo de cessar-fogo, Israel atacou o Líbano e teve apoio americano.
Em entrevista à BBC, ele cita que não 'se pode pedir um cessar-fogo e depois aceitar os termos e condições, aceitar todas as áreas em que o cessar-fogo se aplica, e mencionar especificamente o Líbano, e então o seu aliado [Israel] simplesmente inicia um massacre'.
Ele acrescentou que os EUA 'devem escolher' se querem guerra ou paz.
'Eles não podem ter as duas coisas ao mesmo tempo. São mutuamente exclusivas, isso é bastante claro', completou.
Fumaça após ataque contra o Irã na guerra do Oriente Médio.
AFP
O preço do petróleo voltou a subir e as bolsas asiáticas fecharam em queda diante do temor de interrupção do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã. O regime iraniano acusou Israel de ter violado o acordo por atacar o Hezbollah em território libanês.
Na maior ofensiva em um dia desde o início da guerra, o Exército Israelense matou mais de duzentas e cinquenta pessoas.
Em resposta aos bombardeios, o regime iraniano fechou novamente o Estreito de Ormuz, deixando parados cerca de 800 navios petroleiros.
Os governos dos Estados Unidos e de Isael alegam que o Líbano não foi incluído na trégua de duas semanas, anunciada na terça-feira à noite.
Nesta manhã, o Exército de Israel confirmou ter matado o sobrinho e secretário pessoal do chefe do Hezbollah num ataque a Beirute durante a noite.
Diante das incertezas sobre o cumprimento do acordo, o preço do barril de petróleo voltou a subir e está perto dos 100 dólares.
Agora, o presidente iraniano alerta que a retomada das hostilidades é iminente caso Israel não recue dos ataques ao Líbano.
Do lado americano, o presidente Donald Trump ameaça fazer novos ataques se o Irã não cumprir o que ele chamou de “verdadeiro acordo”.
Apesar da fragilidade da trégua, por enquanto está mantida para o fim de semana a reunião de representantes dos Estados Unidos e do Irã no Paquistão para tentar negociar o fim da guerra.
A equipe de Teerã será liderada pelo presidente do Parlamento e ex-comandante da Guarda Revolucionária, além do ministro das Relações Exteriores.
Já a delegação norte-americana será chefiada pelo vice-presidente JD Vance. O republicano disse que a proposta de paz apresentada pelo Irã parece ter sido escrita pelo ChatGPT.
Segundo o vice-presidente americano, ao menos três versões distintas de um plano de 10 pontos circularam nos bastidores, dificultando a definição de uma base comum para o diálogo.
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