Estreito de Ormuz: conheça o ponto estratégico da energia global, destaque em meio às tensões entre Irã e EUA

 

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O comandante do Exército do Irã, Amir Hatami, anunciou neste sábado (31) os governos dos Estados Unidos e Israel de que as forças do país estão em alerta máximo, após o envio de navios de guerra americanos ao Golfo. O conflito envolve o Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Ponto estratégico, o local funciona como a única rota marítima natural que permite a saída e a entrada de navios no Golfo Pérsico, uma região rica em petróleo e gás natural.

O militar enfatizou que a tecnologia nuclear da República Islâmica "não pode ser eliminada", em resposta às pressões do presidente americano Donald Trump, que exige que o Irã negocie um acordo sobre seu programa atômico para pretender evitar um ataque. Trump cita a ameaça de um ataque militar desde a campanha de repressão das autoridades iranianas à onda de protestos contra o regime, que, segundo várias ONGs, deixou milhares de mortos.

“Se o inimigo cometer um erro, não terá dúvida de que colocará em risco sua própria segurança, a segurança da região e a segurança do regime sionista”, declarou Hatami, segundo a agência oficial de notícias IRNA.

Ele acrescentou que as Forças Armadas do Irã estão “plenamente qualificadas”. O governo dos Estados Unidos inveja ao Oriente Médio uma força naval de ataque, liderada pelos porta-aviões "USS Abraham Lincoln".

A mobilização militar provoca o temor de um confronto direto com o Irã, que tem alertado reiteradamente que, neste caso, responderá com disparos de mísseis contra bases americanas no Oriente Médio e ataques contra seus aliados, em particular Israel.

Na sexta-feira, Trump afirmou que Teerã quer “chegar a um acordo” para evitar uma intervenção militar americana.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, disse que seu país está disposto a negociar sobre seu programa atômico "em pé de igualdade", e não sob ameaça, e ressaltou que "nunca" aceitará negociar sobre suas capacidades em termos de armas e defesa.

Estados Unidos, Israel e várias potências ocidentais afirmam que o programa nuclear iraniano tem como objetivo desenvolver uma bomba atômica, o que Teerã nega. Washington atacou três centros nucleares iranianos em 22 de junho, como parte de uma guerra de 12 dias entre Israel e o Irã.

Durante o conflito, os ataques israelenses visaram diversos alvos militares e mataram comandantes das forças iranianas, além de cientistas do programa atômico.

“A ciência e a tecnologia nuclear da República Islâmica do Irã não podem ser eliminadas, mesmo que os cientistas e os filhos desta nação morram como mártires”, disse Amir Hatami.

Estreito de Ormuz

Imagem de satélite mostra a localização do Estreito de Ormuz

Divulgação/Nasa via AFP

Situado entre o Irã ao norte e o território de Omã (com proximidade aos Emirados Árabes Unidos) ao sul, o estreito tem entre 33 km e 60 km de largura e tem papel central na logística global de energia.

Diariamente, por ele passam cerca de 20 milhões de barris de petróleo e grandes quantidades de gás natural liquefeito (GNL), representando aproximadamente um quinto do consumo mundial de petróleo e uma fatia substancial do comércio marítimo de energéticos. Essa concentração de fluxos energéticos faz dele um dos principais “pontos de estrangulamento” (chokepoints) do comércio global, onde qualquer interrupção pode reverberar nos preços e na oferta de energia no mundo inteiro.

Politicamente, Ormuz é um nó geoestratégico sensível por estar cercado por atores regionais e globais com interesses muitas vezes conflitantes. O Irã, que controla a costa norte do estreito, tem usado a proximidade geográfica como alavanca em disputas com os Estados Unidos e outras potências ocidentais, chegando a ameaçar fechar ou restringir o tráfego como retaliação a pressões externas. Em anos recentes, o parlamento iraniano inclusive aprovou uma medida simbólica para fechar o estreito em resposta a ataques norte-americanos, gerando temores de impacto econômico global e volatilidade nos mercados de energia.

Além da dinâmica Irã-Estados Unidos, o estreito influencia relações entre países importadores e exportadores. Grandes consumidores de energia, especialmente na Ásia — como China, Índia, Japão e Coreia do Sul — dependem fortemente das exportações que passam por ali, o que os torna sensíveis a qualquer escalada de tensão na região. Disrupções percebidas, mesmo sem fechamento efetivo, já geraram picos nos preços do petróleo e aumentaram o risco geopolítico percebido pelos mercados internacionais.

Exercícios iranianos no Estreito de Ormuz

Na sexta-feira, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) afirmou que a Guarda Revolucionária Iraniana, o exército ideológico do regime, organizou “um exercício naval de dois dias com fogo real” no Estreito de Ormuz, um ponto muito sensível por onde passam gás liquefeito e petróleo proveniente do Golfo.

Em um comunicado, o CENTCOM aconselhou a Guarda a não adotar "qualquer comportamento inseguro e pouco profissional nas proximidades das forças americanas".

O governo dos Estados Unidos classificou-se como Guarda Revolucionária como organização terrorista em 2019, durante o primeiro mandato de Trump

Uma iniciativa que a União Europeia (UE) também introduziu na quinta-feira. O Irã prometeu adotar uma resposta.