Estratégia do consórcio Livorno e da Equatorial para comprar a Copasa preserva caixa de Aegea e Sabesp, diz analista

Estratégia do consórcio Livorno e da Equatorial para comprar a Copasa preserva caixa de Aegea e Sabesp, diz analista

 

Fonte: Bandeira



Está previsto para quarta-feira o anúncio pela Copasa de quem são os investidores finalistas para a escolha do acionista de referência da companhia, levando 30% do capital da estatal de saneamento de Minas Gerais. A Aegea está no páreo, mas por meio do consórcio Livorno Participações, integrado pelos acionistas da gigante de serviços de água e esgoto, confirmou a companhia.

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Ela concorre, de acordo com informações da agência Bloomberg, com a Equatorial, acionista de referência da Sabesp. Na última semana, a companhia paulista de saneamento desistiu de participar do processo de privatização da estatal mineira. A entrada da Equatorial no trâmite, porém, não foi descartada.

Os dois grupos entram na disputa utilizando uma estratégia que permite fazer frente ao alto volume de recursos exigido pelo trâmite, enquanto preserva o caixa de suas controladas, Aegea e Sabesp, aponta Cláudio Frischtak, presidente da InterB. Consultoria.

Longo prazo

Em comunicado ao mercado, a Aegea confirmou que integra o Livorno, que apresentou proposta pela Copasa. E explicou que sua participação acionária na Livorno, após concluído o processo de aquisição da empresa de Minas Gerais, será inferior a 1%. O restante do capital social ficará com seus acionistas — Itaúsa, GIC, o fundo soberano de Cingapura, e Equipav.

“A iniciativa evidencia os objetivos de longo prazo da Aegea e o seu posicionamento como uma plataforma relevante no setor de saneamento, reforçando o pilar de disciplina financeira com foco em preservação de liquidez e estrutura de capital adequada”, diz o comunicado.

Nesta terça-feira, as ações da Copasa fecharam o dia com alta de 0,49%, cotadas a R$ 53,26.

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Preservação de caixa

A privatização da estatal é a última dentre as grandes no país, podendo movimentar mais de R$ 10 bilhões e tendo exigido uma carta de garantia no valor de R$ 7 bilhões de cada grupo interessado em concorrer ao posto de investidor de referência.

A leitura de especialistas é de que a estratégia usada por Aegea e Equatorial para ingressarem no processo permite viabilizar a aquisição sem comprometer o caixa nem da própria Aegea nem da Sabesp.

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— A Aegea não tem muito espaço frente ao seu nível de endividamento e compromissos assumidos pelas suas concessionárias, e a Sabesp tem um programa de investimento muito pesado, e poderia ser criticada por tentar ampliar excessivamente seu escopo de negócios — avalia Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria. — Os acionistas (Itaúsa, GIC e Equipav e Equatorial) teriam relativamente mais solidez e capacidade de bancar a conta.

‘Tranformacional’

O CEO da Aegea, Radamés Casseb, já vinha dizendo que a companhia estudava participar do processo da Copasa, descrito por ele como “trasformacional”, em teleconferência com analistas para comentar os resultados financeiros do primeiro trimestre.

Com dívida elevada, a Aegea recebeu aporte de R$ 1,2 bilhão de seus acionistas de referência em março. E, há um par de semanas, a Bloomberg noticiou que esse grupo colocaria US$ 1 bilhão na companhia de saneamento, com um naco dessa soma sendo reservada para financiar a aquisição da Copasa.

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A estrutura do consórcio apresentada pelo grupo Aegea é semelhante ao modelo utilizado na privatização da Cedae, empresa de saneamento do Rio de Janeiro, em 2021, quando um grupo liderado pelos mesmos acionistas garantiu a participação majoritária na concessão, lembrou a Bloomberg.

A estatal mineira busca um acionista de referência que deve comprar 30% do capital anteriormente a uma oferta pública de ações da companhia, quando poderá arrematar mais papéis até o limite de 45% dos direitos de voto na empresa.

A meta é que a participação do Governo de Minas Gerais recue dos atuais 50,03% para apenas 5,03%, ou até mesmo para zero, se houver oferta adicional de ações. A desestatização da Copasa tem como objetivo preparar a empresa para ampliar investimentos, universalizar serviços de água e esgoto, mas gerar recursos para que o estado possa abater suas dívidas com a União.

trâmite prevê uma oferta inicial de 171,1 milhões de ações da Copasa, a R$ 53,77 por papel, valor de fechamento na última terça-feira. Essa fatia movimentaria R$ 9,029 bilhões. Está prevista, porém, a possibilidade de um lote adicional de 19,13 milhões de ações, o que elevaria o valor total.

Procurado, o Grupo Equatorial informou em nota estar “sempre atento às oportunidades em suas áreas de atuação, mas não comenta sobre possibilidades de negócios ou aquisições”.