Estratégia de voto útil em Flávio é ‘mentira’ do bolsonarismo, afirma Renan Santos

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Fonte da notícia: Valor Valor

Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, votou pouco depois das 10h30 em um colégio estadual no bairro de Vila Friburgo, zona sul de São Paulo. Ele estava acompanhado de seu maior aliado na campanha, o deputado federal Kim Kataguiri (Missão), que tenta a reeleição, e de outros candidatos do partido. Antes de votar, Santos afirmou que os casos de interferência do Poder Judiciário tornaram essa eleição a “mais bizarra de todas”, desde a redemocratização.

Ele criticou, ainda, a ausência de debates. “[É uma eleição] que foi construída para ser vazia, porque as forças políticas majoritárias não querem discussão”, disse.

Santos afirmou que a estratégia de “voto útil” por parte de apoiadores de Flávio Bolsonaro é uma “mentira”. “Criaram mentira de que se você não vota no Flávio, o Lula é eleito no primeiro turno, mas o nosso eleitor é bem informado”, disse.

O candidato do Missão ainda afirmou ser “muito triste” que o país vote “em um cara completamente desqualificado como o Flávio”.

Perguntado pelo Valor se alguma ação de Flávio faria com que o apoiasse em um eventual segundo turno, Renan respondeu “nascer de novo”. Um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) e presidente do Missão, partido registrado em 2025 por apoiadores do movimento, Santos terminou a campanha estacionado em 3% das intenções de voto, de acordo com as últimas pesquisas Datafolha e Quaest, divulgadas neste sábado (3). O candidato está tecnicamente empatado com Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante).

Posicionado à direita, se destacou de outros candidatos dessa linha por criticar Flávio Bolsonaro e o movimento bolsonarista.

Após o voto de Santos, Kataguiri também afirmou que os eleitores do Missão são mais “impermeáveis” ao bolsonarismo, e que o partido espera uma transferência baixa de votos para Flávio. “Diferente do Caiado e do Zema, temos discurso incisivo sobre Bolsonaro desde 2019”, disse, ressaltando que Caiado e Zema “sempre tiveram postura mais subserviente sobre o Bolsonaro”.

A missão do Missão

Além de chegar à presidência, nesta eleição o Missão também tenta vencer a cláusula de desempenho, regra que determina se o partido pode ter acesso a recursos do fundo partidário e a tempo de propaganda na rádio e televisão.

A expectativa de integrantes do partido, como mostrou reportagem do Valor, é eleger quatro deputados federais, todos no Sudeste, sendo Kataguiri um deles e puxador de votos do Missão.

Kataguiri não quis estimar um número de eleitos, mas afirmou que trackings internos do partido mostram um crescimento da procura por candidatos a deputado que sejam no mesmo partido de Santos.

A referência para o Missão, disse, é a votação de João Amoedo em 2018, então candidato à presidência pelo Novo, na qual “quase 100%” dos eleitores que escolheram o candidato também escolheram um deputado do Novo. “Temos tamanho muito maior do que o João em 2018, esperamos que tenha transferência grande para ajudar a eleger bancada”.

Kataguiri também disse esperar ficar pelo menos entre os cinco candidatos a deputado federal mais votados por São Paulo.

Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão Ana Luiza Thiegui/Valor

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