'Estou seguindo à risca orientação de não receber políticos', diz secretário de saúde do governo interino do RJ
O governo interino do Rio de Janeiro, comandado por Ricardo Couto, precisou lidar com as críticas da gestão anterior sobre a secretária de estado de saúde, que era acusada de direcionar recursos apenas para prefeituras aliadas. A nova gestão da pasta, assumida por Ronaldo Damião há um mês, prioriza redefinir os critérios para redistribuir o dinheiro aos municípios.
Em entrevista ao CBN Rio, o médico e ex-diretor do Hospital Pedro Ernesto também apresentou projetos que pretende implementar durante sua gestão interina, como a criação de um hospital de cuidados paliativos, ampliação da telesaúde e redução do absenteísmo em consultas.
O secretário revelou que não conhecia o governador em exercício antes de assumir a pasta, e recebeu com surpresa o convite para o cargo por meio de uma ligação inesperada. Ele nem mesmo sabe quem o indicou. Questionado sobre qual será o critério utilizado para a distribuição do financiamento da Saúde entre os municípios, Damião explica que a metodologia utilizada pelo Ministério da Saúde, levando em conta a vulnerabilidade da população de cada cidade, será adotada. Com isso, há a previsão de que os municípios recebam 70% a mais do que é recebido no Programa de Detenção de Família.
"Nós passamos a fazer as nossas contas aqui dentro do orçamento e foi possível, então, chegar ao consenso de distribuir 70% que esses municípios ganham do projeto. Já foi publicado no Diário Oficial, mas as resoluções vão ser agora assinadas e já começa a partir de junho receber 70% a mais daquilo que é recebido do Programa de Detenção de Família.
O secretário conta que chamou atenção a secretaria distribuir recursos para apenas 35 dos 92 municípios do Rio. Orientado pelo governador Ricardo Couto a não se envolver com políticos, ele conta que chama atenção a ausência de influência partidária na pasta. Há um mês no cargo, ele conta que recebeu poucos políticos pessoalmente.
"Se qualquer político que viesse me procurar com alguma intenção nesse sentido, que isso fosse passado para a Casa Civil. E é exatamente isso que eu estou fazendo. Eu estou aqui há um mês e praticamente não recebi nenhum político que viesse aqui conversar comigo. Um ou outro que subiu aqui, por educação, por cortesia, eu recebi e conversei um pouco. Mas nós não estamos agendando entrevistas ou conversas com políticos. Qualquer político que nos procura vai diretamente para a Casa Civil. Então, eu estou seguindo à risca essa orientação".
Damião compartilhou alguns dos planos de ações que pretende fazer até o fim do mandato. Uma delas é um hospital especializado em atendimento dermatológico de Jacarépagua que, segundo o secretário, está "um pouco descoupado" e "não há razão de existir". O local seria transformado em um hospital de cuidados paliativos. Além disso, ele afirma que a telesaúde - atendimento on-line - ainda é tímido, e que pretende expandi-lo visando diminuir filas e o tempo de espera para atendimentos médicos.
"Eu fundei a Telesaúde no Hospital Universitário Pedro Ernesto no atendimento a diversos setores das especialidades e está funcionando muito bem. Já se atende um número muito grande de pacientes hoje em dia e a gente consegue, nisso, diminuir as filas, fazer com que o tempo de espera seja menor. Uma outra questão também que eu gostaria de atuar é sobre o absenteísmo. A ausência de pessoas que têm consultas marcadas, como a consulta é marcada e demora muito até a consulta, às vezes a pessoa já resolveu o problema dela e não aparece. Cerca de 40% das pessoas não aparecem no dia da consulta e isso já está reduzido para 30%".
Além dos planos para aumentar o número de teleatendimentos e da transformação de um hospital em Jacarépagua, o secretário disse que gostaria de fazer uma UPA Universitária. O local seria útil para a captação de recursos humanos e para a preparação de jovens médicos formados que ainda não possuem experiência prática.
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