'Estou para conhecer sujeito mais baixo', diz Carlos Bolsonaro sobre novas críticas de Zema a Flávio
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, foi às redes sociais nesta segunda-feira para criticar o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). O embate entre o pré-candidato à Presidência da República e a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) começou quando ele passou a criticar publicamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Desta vez, Carlos definiu Zema como um "sujeito baixo".
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Na publicação, o ex-vereador compartilhou um vídeo em que Zema faz novas críticas a Flávio durante uma palestra em São Paulo. Em declaração concedida a jornalistas, o mineiro disse que quem vota no senador na disputa pelo Palácio do Planalto está "muito provavelmente entregando a eleição" para a esquerda e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Estou para conhecer sujeito mais baixo que esse! Tentamos e na primeira oportunidade vem mais uma facada! E não me venham falar que isto é pontual, pois não é", rebateu Carlos, em publicação nas redes. "Este sujeito está cada dia fazendo a chance de seu partido se desintegrar de forma brutal. E os que o apoiam de forma velada ou se mantém inertes, se mostram cada vez de forma mais cristalina o que pretendem fazer com o país", completou.
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‘Gambá cheira gambá’
Na mesma ocasião, ao ser questionado sobre a ligação de Flávio com Vorcaro, Zema criticou a aproximação do senador com o banqueiro que definiu como "o maior bandido do Brasil":
– Para mim, quem se aproximou de banqueiro bandido é um mau sinal. Gambá cheira gambá. Eu sempre escutei isso no interior – afirmou. — Alguém que tem um relacionamento tão próximo com um banqueiro bandido, que é como eu considero o senhor Vorcaro, o maior bandido do sistema financeiro da história do Brasil e provavelmente um dos maiores do mundo, é muito preocupante — completou.
Segundo o último Datafolha, publicado na sexta-feira (22), Lula abriu nove pontos de vantagem a Flávio, no primeiro turno, depois dos diálogos. No segundo turno, o petista venceria o senador por 47% a 43%.
– Eu fico muito preocupado que nós estejamos entregando para a esquerda mais uma vez essa eleição. E essas últimas pesquisas demonstraram que quem está votando no Flávio, muito provavelmente vai estar entregando a eleição para o Lula, que manteve o seu posicionamento enquanto ele caiu. Isso se não surgir mais nada daqui por diante — avaliou Zema.
'Imperdoável'
À época da divulgação, no início deste mês, Zema fez um vídeo poucas horas após a publicação de áudios, pelo portal Intercept Brasil, em que Flávio cobra dinheiro a Vorcaro para financiar a produção de um filme sobre seu pai. O ex-governador definiu como "imperdoável" e "um tapa na cara dos brasileiros".
— Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil — disse Zema na gravação.
A reação rendeu críticas ao ex-governador por parte das pessoas próximas a Flávio, como o ex-vereador Carlos, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o coordenador da campanha presidencial, o senador Rogério Marinho (PL-RN). Em publicações nas redes sociais, eles classificaram Zema como "oportunista".
Dias depois, Zema ponderou que "não houve nenhuma ruptura" entre a direita na disputa ao Palácio do Planalto. O posicionamento rendeu desgastes para Zema entre o campo bolsonarista e também em diretórios do partido Novo no Paraná e em Santa Catarina.
— Fiquei muito decepcionado (com o áudio), mas eu agi de acordo com meus princípios e valores. E, para mim, é uma página virada — disse. — Nós temos vários pré-candidatos à Presidência. Não houve nenhuma ruptura. Houve uma manifestação dura da minha parte, que fiquei decepcionado, mas o cenário continua o mesmo. A pré-candidatura dele, a minha pré-candidatura, e tenho certeza de que, no segundo turno, nós estaremos todos juntos contra a esquerda, contra o PT — completou.
'Irmão, estarei contigo sempre'
A cobrança dos recursos feita por Flávio Bolsonaro ocorreu em 8 de setembro de 2025, no momento em que os envolvidos na produção tinham dificuldades para honrar compromissos da montagem do filme "Dark Horse", em homenagem a Bolsonaro.
Os recursos pedidos pelo filho 01 de Bolsonaro e pré-candidato do PL à Presidência da República fazem parte de uma negociação envolvendo Vorcaro e Flávio, no qual o primeiro teria se comprometido a custear parte da produção do filme.
— Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme — diz o senador, em áudio enviado ao banqueiro.
Outro contato também foi feito dois meses depois, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes bilionárias, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro.
"Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!", escreveu Flávio.
Como mostrou o GLOBO, parlamentares e empresas ligadas ao projeto passaram a apresentar explicações divergentes sobre a origem dos recursos, os contratos firmados e a estrutura usada para operacionalizar os pagamentos. A sequência de declarações levou a Polícia Federal (PF) a aprofundar apurações sobre o destino do dinheiro.
Além dos áudios, Flávio também confirmou ter ido visitar Vorcaro na residência do banqueiro — enquanto ele já cumpria prisão domiciliar e utilizava tornozeleira eletrônica. Segundo o senador, a motivação teria partido de seu desejo em colocar um "ponto final na história".
