'Estou comemorando a Gleisi ter me elogiado', diz Haddad após ministra defender candidatura dele em São Paulo

 

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ironizou nesta quinta-feira a defesa feita pela ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) de sua candidatura ao governo de São Paulo. Os dois viveram uma série de atritos ao longo do governo, que incluíram críticas de Gleisi à condução da economia.

— Estou comemorando a Gleisi ter me elogiado — disse Haddad ao chegar ao Ministério da Fazenda.

Gleisi defendeu no dia anterior que Haddas seja candidato nas eleições deste ano. A ministra ressaltou, porém, que isso depende de tratativas entre ele e o presidente Lula.

— Todos têm que entrar em campo, todos têm que vestir a camisa e fazer aquilo que melhor sabem fazer na disputa. Eu defendo que todos os quadros nossos, inclusive o ministro (Fernando Haddad), sejam candidatos nesse processo eleitoral. Nós precisamos disso. Nós precisamos fazer essa disputa nos estados para a extrema-direita e precisamos instalar os nossos melhores quadros — disse Gleisi ao ser questionada por jornalistas sobre o tema.

A ministra seguiu o tom que já havia sido adotado por Camilo Santana, titular da Educação, que em entrevista ao GLOBO afirmou que Haddad não pode se dar ao "luxo" de tomar uma decisão individual.

Gleisi ressaltou que vários ministros de Lula vão deixar seus cargos para disputar as eleições deste ano e disse que, apesar de ter inicialmente a intenção de concorrer à reeleição como deputada federal, aceitou um pedido de Lula para concorrer ao Senado no Paraná.

— A priori, eu seria candidata a deputada federal, porque também acho que temos que investir na nossa chapa e precisamos aumentar a nossa bancada. Mas, numa conversa com o presidente Lula, dentro dessa estratégia de que temos que fazer uma disputa efetiva, ele me chamou para ser candidata a senadora. Eu aceitei com muita alegria, já fui senadora pelo Brasil e eu acho que há chance da gente fazer um bom trabalho e uma boa campanha no Paraná — afirmou Gleisi.

Haddad deve deixar o cargo ainda em fevereiro, mas já disse publicamente que não tem a intenção de ser candidato e que preferiria atuar na campanha de Lula à reeleição.

— Eu tenho a intenção de colaborar com a campanha do presidente Lula, e disse isso a ele, que eu não pretendo ser candidato em 2026, mas quero dar uma contribuição para pensar o programa de governo, para pensar como estruturar a campanha dele — afirmou o ministro da Fazenda ao GLOBO no mês passado.

Haddad foi o candidato do PT ao governo de São Paulo em 2022 e obteve o melhor desempenho de um candidato petista na disputa. O atual ministro da Fazenda foi derrotado no segundo turno pelo bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos) no segundo turno por 55,34% a 44,66% dos votos válidos, uma diferença de 2,4 milhões de votos.