Estelionato: golpes são 80% das ocorrências registradas no Fonseca, revela novo delegado da área
Ao assumir a 78ª DP do Fonseca, em abril, o delegado Fábio Corsino encontrou uma região marcada pela escalada de violência causada pela disputa entre facções criminosas na Zona Norte de Niterói. Mas o cenário que mais chamou a atenção do novo titular da delegacia não veio dos confrontos armados. Segundo ele, cerca de 80% das ocorrências registradas atualmente na unidade são casos de estelionato, reflexo, afirma, de uma mudança no perfil da criminalidade.
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— Hoje, de uma média de 40 registros diários, cerca de 30 são estelionatos. Isso me surpreendeu. Mas o crime mudou. O dinheiro deixou de circular fisicamente e migrou para o ambiente digital. Os golpes acompanham isso — diz.
Segundo o delegado, os casos mais comuns envolvem clonagem de WhatsApp, falsas centrais de atendimento, golpes de pix, lojas virtuais fraudulentas, falsos advogados e uso de inteligência artificial para simular vozes de parentes pedindo transferências bancárias.
— O criminoso está cada vez mais sofisticado. Não existe mais aquela lógica antiga do assalto a banco porque o dinheiro hoje é digital. O crime também ficou digital — diz.
Para enfrentar o avanço desse tipo de delito, a delegacia começou a estruturar uma equipe especializada em inteligência e rastreamento eletrônico, voltada para identificação de golpistas que atuam em plataformas digitais.
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Apesar do foco nos crimes virtuais, o delegado afirma que o tráfico continua no radar da unidade. Segundo ele, foi criado um setor exclusivo para mapear as comunidades da área da 78ª DP, identificar lideranças criminosas e concentrar esforços em investigações e pedidos de prisão.
— O papel da Polícia Civil é investigar para prender. Não adianta colocar policiais em risco em operações sem saber exatamente quem estamos procurando. Primeiro identificamos as lideranças, depois estruturamos as ações — afirma.
A área da 78ª DP concentra comunidades como Palmeira, Santo Cristo, Coreia, Pimba, Brasília, Caramujo e Engenhoca, que nos últimos meses viveram uma sequência de confrontos ligados à disputa territorial entre integrantes do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando Puro (TCP). Desde o início do ano, moradores relatam rotina de tiroteios frequentes, mudanças nos trajetos diários e medo dentro de casa.
Embora os indicadores de violência sigam elevados na região, Corsino afirma perceber redução na intensidade dos conflitos armados desde que chegou à delegacia:
— A sensação é de que diminuíram. A população deixa de ouvir tiros durante a madrugada, e isso impacta a sensação de segurança.
‘Guerra é caro’
O delegado atribui a mudança à atuação mais ostensiva do novo comando do 12º BPM, à resistência das facções rivais e a o custo operacional imposto pela própria guerra territorial.
— Guerra é muito caro. O crime organizado funciona com lógica empresarial. Existe gasto com armamento, logística, pagamento de soldados. Pode ser que eles tenham percebido que o custo-benefício não compensava da forma que imaginavam — avalia.
Corsino também minimiza o impacto da prisão de lideranças criminosas específicas, como o traficante conhecido como Drill, apontado como uma das figuras ligadas aos confrontos recentes.
— No crime organizado não há vácuo de poder. A sucessão é imediata. Enquanto uma liderança está sendo presa, outra assume.
Com mais de 40 anos de Polícia Civil, sendo 26 como delegado, Corsino, morador de Niterói, deixou a Delegacia Antissequestro (DAS), onde atuou nos últimos três anos, para assumir a distrital do Fonseca. Entre os projetos prioritários anunciados por ele está o reforço da iluminação pública em áreas onde há grande ocorrência de roubos de rua. A proposta apresentada ao Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM) prevê o reaproveitamento de refletores usados no carnaval, que atualmente ficam sem uso ao longo do ano:
— O criminoso depende do anonimato. Se você melhora a iluminação, inibe sua ação.
Outra aposta é a instalação de câmeras de monitoramento integradas aos sistemas de identificação da polícia. A implantação vem sendo discutida junto aos vereadores de Niterói. Sobre o debate em torno do armamento da Guarda Municipal, Corsino defende cautela e treinamento adequado:
— Sou favorável desde que haja preparo técnico e psicológico. Dependendo da função, faz sentido o armamento.
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