Estandarte de Ouro 2026: saiba como foi premiação, com Mestre Ciça como personalidade e Viradouro em peso no palco
Nada de despedida: o clima foi de celebração, homenagens e emoção no Vivo Rio. Na noite desta quarta-feira, foram entregues os prêmios aos ganhadores do Estandarte de Ouro de 2026, com a Viradouro (atual campeã do carnaval) liquidando cinco categorias. Foi pela agremiação que desfilou Mestre Ciça — que, além de enredo e de reger os ritmistas, estrelou a comissão de frente na Sapucaí —, eleito como personalidade do ano pelo júri do Estandarte.
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— Estou vivendo esse momento único, e a Viradouro também, que mereceu o título e os prêmios que recebeu aqui hoje — comemorou Ciça, que se diz "grato" pela homenagem. — É uma honra.
Junto ao mestre de 69 anos, que não pensa em aposentadoria e que "em algum momento" vai parar de fumar, conforme prometido em caso de título no último carnaval, outros integrantes que marcaram o desfile catártico da Viradouro subiram ao palco, como o pequeno Vitor Gabriel (que interpretou Ciça criança) e o leão articulado, referência à Estácio, escola em que o sambista começou a carreira, ambos da comissão de frente, vencedora da categoria no Estandarte.
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Priscilla Mota, que coreografou o grupo ao lado de Rodrigo Negri, contou que o tripé usado no desfile, que transformava a escultura de um apito nos arcos da Apoteose, surgiu quando comprou vários apitos pela internet para uma apresentação no pré-carnaval: ao brincar com os instrumentos, nasceu a ideia que acabou indo para a Avenida. Em seu discurso, a coreógrafa se emocionou e agradeceu à escola por deixá-la "fazer história em mais um ano".
Ao centro, Priscilla Mota emocionada, abraça Rodrigo Negri. De camiseta regata, o carnavalesco Tarcísio Zanon, ao lado do pequeno Vitor Gabriel e outros integrantes da comissão de frente
Marcelo Theobald / Agência O Globo
Tarcísio Zanon, carnavalesco da escola, também comemorou:
— A tônica (do desfile) foi a emoção. A gente trabalhou muito para emoldurar essa emoção, acho que deu certo — celebrou o carnavalesco.
Estandarte de Ouro: Viradouro ganha em cinco categorias (escola, enredo, comissão de frente, personalidade e mestre-sala). Na foto, Julinho (mestre-sala), Bernardo Fellows (presidente da Riotur), Marcelinho Calil (diretor-executivo), Alex Fab (diretor de carnaval), Tarcísio Zanon (carnavalesco), Vitor Gabriel (mini Ciça), Mestre Ciça (enredo), Prisclilla Motta e Rodrigo Negri (comissão de frente) e a rainha Juliana Paes
Marcelo Theobald / Agência O Globo
Emoção e saudade
A Viradouro subiu ao palco em peso: foi embalada pelo intérprete Wander Pires e seu topete, assim como pelo samba no pé da rainha Juliana Paes (que disse que "não dá para largar essa escola" ao comentar sobre o futuro de seu reinado) e pelo bailado de Julinho Nascimento e Rute Alves, casal que desfilará pela União de Maricá em 2027. Emocionado, Julinho venceu a categoria de mestre-sala e dedicou o Estandarte ao irmão, Edson Ney, que morreu próximo ao carnaval. A agremiação conquistou ainda os prêmios de enredo e melhor escola.
De saída para a União de Maricá, Julinho Nascimento dedica o Estandarte de melhor mestre-sala ao irmão, que morreu perto do carnaval
Marcelo Theobald / Agência O Globo
Com o jornalista Leonardo Bruno — um dos jurados do Estandarte — como mestre de cerimônias, a noite contou também com uma homenagem a Haroldo Costa e Maria Augusta, integrantes do júri até o último carnaval e que morreram no ano passado.
Em sua 54ª edição, o Estandarte de Ouro 2026 conta com patrocínio de Riotur, promoção exclusiva da Rádio Globo e realização dos jornais O GLOBO e Extra.
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Samba: da voz à caneta
Um ano após o veterano Neguinho da Beija-Flor se aposentar do microfone após meio século comandando o carro de som nilopolitano, a escola viu sua sucessora, a intérprete Jessica Martin, ser eleita como revelação deste carnaval. Com personalidade e carisma, além do seu grito de guerra de "Esquece" (carregado no chiado do Rio de Janeiro), a cantora deu seu recado ao receber o prêmio, torcendo por mais mulheres puxando sambas na Sapucaí: em 2026, ela foi a única puxadora oficial do Grupo Especial.
—Gratidão por esse reconhecimento maravilhoso. Só agradecer mesmo ao Estandarte de Ouro por reconhecer meu talento e meu trabalho — disse Jessica, que faz dupla com Nino na Beija-Flor e brinca sobre o futuro sucedendo o ídolo. — Nosso mestre Anísio (Abraão David, presidente de honra) e nosso presidente Almir Reis dizem que não aceitam (que eu cante na escola) por menos de 50 anos.
'Esquece': Jessica Martin, intérprete da Beija-Flor, eleita revelação do carnaval 2026 pelo júri do Estandarte de Ouro
Marcelo Theobald / Agência O Globo
Já Igor Sorriso, eleito como revelação em 2011, quando cantava pela São Clemente, voltou a vencer o Estandarte neste ano, agora na categoria de melhor puxador, pelo Salgueiro. Surpreso com o prêmio, o intérprete comemora o "trabalho com muita qualidade", exaltando a equipe musical da escola.
— Não se ganha Estandarte de Ouro sozinho — pondera o puxador.
Estandarte de Ouro: melhor puxador em 2026, Igor Sorriso recebe o prêmio
Marcelo Theobald / Agência O Globo
Pelo Grupo Especial, a Vila Isabel venceu a categoria de samba-enredo, numa parceria de André Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho. Já na Série Ouro, o prêmio foi da União do Parque Acari, em parceria de Fred Camacho, Gustavo Clarão e Moacyr Luz.
Moa, bem-humorado e recuperado de uma cirurgia que fez em outubro para diminuir os sintomas do Parkinson, celebra a conquista. Segundo o compositor, que havia pensado em dar um tempo dos sambas-enredo antes do convite da Acari, a frase de efeito neste momento é a seguinte:
— Do Parkinson ao Estandarte.
Ainda pela Série Ouro, a Unidos de Padre Miguel foi eleita a melhor escola, com a presidente Lara Mara subindo ao palco e afirmando que a conquista do prêmio era uma das metas de sua administração. Já a Acadêmicos de Vigário Geral conquistou a categoria Fernando Pamplona, pelo uso de tecido reaproveitado na última alegoria da escola, que precisou ser refeita após um incêndio no barracão. A premiação foi recebida pelos carnavalescos Caio Cidrini e Alex Carvalho.
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Bateria, baianas e fantasias
Quem marcou presença no palco ao longo de toda a noite foi a bateria vencedora de sua categoria neste ano, da Unidos da Tijuca, comandada pelo Mestre Casagrande. O músico exaltou seus ritmistas e disse ainda que quem diz que estava dormindo quando soube que venceu o Estandarte está mentindo.
— Todo sambista vai dormir de terça para quarta (de cinzas) esperando ganhar o Estandarte de Ouro — revelou Casagrande.
Unidos da Tijuca: Mestre Casagrande a bateria vencedora do Estandarte de Ouro de 2026
Marcelo Theobald / Agência O Globo
Já a categoria inovação foi vencida pela Vila Isabel, com os tamborins quadrados usados pela bateria: como a escola homenageou Heitor dos Prazeres, a ideia surgiu da diretora de tamborim Thalita Santos, que se inspirou em pinturas de uma exposição que viu sobre o multiartista. O mestre de bateria Macaco Branco, então, abraçou a causa.
– Nosso intuito foi homenagear o Heitor dos Prazeres e todos os amigos que fabricavam o próprio instrumento para curtir o carnaval — resumiu o mestre.
Inovação: tamborins quadrados da bateria da Vila Isabel, durante apresentação no palco do Estandarte de Ouro
Marcelo Theobald / Agência O Globo
Durante a noite, outros vencedores subiram ao palco. As melhores baianas foram as do Paraíso do Tuiuiti — que estiveram acompanhadas pelo intérprete Pixulé, que, mesmo sem ser agraciado pelo prêmio este ano, foi aplaudido de pé pelo público, em reconhecimento ao seu trabalho —, assim como as melhores passistas foram as da Mocidade. A estrela-guia de Padre Miguel também recebeu o prêmio de destaque do público, pelo colorido psicodélico do desfile sobre Rita Lee.
Mocidade vence os Estandartes de Ouro de ala de passistas e destaque do público, com o colorido psicodélico do desfile sobre Rita Lee
Marcelo Theobald / Agência O Globo
Presente na década de 1970, no início do Estandarte, a categoria de fantasias voltou a ser eleita pelo júri este ano, com a Imperatriz sagrando-se vencedora. A escola de Ramos ganhou ainda na categoria de melhor ala, com a "Bota pra ferver", que encerrou o desfile sobre Ney Matogrosso, misturando diversas estéticas do cantor. O carnavalesco Leandro Vieira, renovado com a escola para o próximo carnaval, agradeceu à sua equipe e a todo componente da agremiação, que, segundo ele, é quem embarca em suas "loucuras".
Cintya Santos, da Mangueira, vencedora da categoria de porta-bandeira, que está no Rio Grande do Sul, receberá o prêmio assim que voltar. A festa contou ainda com o Grupo SER: Samba Enredo de Raiz abrindo e fechando a noite, com os sucessos que marcaram os carnavais na Sapucaí.
