'Estamos juntos, irmão': Rodrigo Barcellar e Thiago Rangel, ambos presos pela PF, mantinham relação de amizade e parceria
O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) é aliado de primeira hora do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União). Ambos são naturais de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, e foram presos pela Polícia Federal em diferentes fases da operação Unha e Carne. Os dois mantinham uma relação de amizade e parceria, frequentemente demonstrada nas redes sociais com troca de frases que reforçavam a união, como: “Estamos juntos, irmão”.
Quem é Thiago Rangel, deputado estadual preso em operação da PF nesta terça-feira
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Thiago Rangel e Rodrigo Barcellar
Reprodução
Rangel entrou na vida política em 2020, quando foi eleito vereador em sua cidade natal. Na ocasião, contou com o apoio de Wladimir Garotinho, filho de Anthony Garotinho, que se candidatou à prefeitura. A vitória veio em dose dupla, e ambos conquistaram seus respectivos cargos. Os dois romperam a parceria em seguida. Na denúncia que serve de base para a operação desta terça-feira, a PF afirmar que antes do rompimento, entre 2021 e 2022, Thiago Rangel "exerceu influência política junto à Prefeitura de Campos dos Goytacazes" chegando a indicar Fabio Pourbaix Azevedo, tido como seu "braço direito", para a direção da Empresa Pública de Habitação do Município de Campos o que possibilitou a "manipulação de diversos procedimentos de aquisição de bens e serviços, a maioria por meio do expediente da dispensa de licitação, direcionando os contratos para empresas fechadas com a organização criminosa".
Em 2022, Rangel foi eleito deputado estadual pelo Podemos, com 31,1 mil votos. Após chegar à Alerj, passou a demonstrar nas redes sociais sua parceria com Bacellar, também eleito deputado estadual. Em 2 de fevereiro, Rangel parabenizou o amigo pela vitória na presidência da casa:
“Com muita satisfação, quero parabenizar meu conterrâneo e agora presidente da Alerj. Desejo um mandato coerente, pacificado e, acima de tudo, voltado para a população. Vamos juntos pelo Rio”.
Thiago Rangel via Instagram
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A partir daí, as publicações ao lado de Bacellar se tornaram mais frequentes. Em setembro de 2023, o então deputado comentou em suas redes sociais que dividir o parlamento com o amigo era motivo de orgulho e mencionou “brigas políticas na cidade vindas de uma família”.
“Nossa cidade de Campos dos Goytacazes é marcada por diversas brigas políticas, pelo fato de uma família não aceitar que conquistamos o protagonismo no Legislativo, a ponto de querer nos atacar, difamar e tentar desmoralizar nossa reputação. Quem conhece sabe do que essas pessoas são capazes de fazer para atingir quem ameaça ocupar espaços políticos”.
Rodrigo Bacellar e Thiago Rangel
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Essa família seria a família Garotinho, que apoiou Rangel em sua eleição para vereador e é rival da família Bacellar. O embate entre os grupos é antigo e remonta ao século passado, quando os patriarcas Anthony Garotinho e Marcos Bacellar disputavam os votos dos campistas.
Nas eleições de 2024, a parceria entre Rangel e Bacellar se fortaleceu, com o ex- presidente da Alerj apoiando a pré-candidatura do ex-vereador à prefeito em Campos em abril de 2024.
Rodrigo Barcellar e Thiago Rangel
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No entanto, quem veio disputando o pleito no núcleo de Barcellar em Campos foi a delegada Madeleine Dykeman pelo União Brasil, que não obteve sucesso. O vencedor foi Wladimir Garotinho, que foi reeleito.
Apesar de não ter disputado as eleições de 2024 na cidade natal, Rangel conseguiu eleger sua filha Thamires Rangel (PMB) como vereadora, se tornando a mais jovem do país ao ocupar o cargo com 18 anos, quando ainda cursava o 3º ano do Ensino Médio. A investigação que aponta o esquema no âmbiro da Secretaria estadual de Educação indicou um suposto comprometimento de Bacellar com Thiago Rangel para disponibilização, por meio de caixa 2, de apoio financeiro na ordem de R$ 2,9 milhões para a campanha de Thamires Rangel e outros candidados a vereador aliados do deputado. A descoberta foi fita a partir da análise de ,emsagens encontradas em um telefone celular apreendido com Thiago Rangel
Ano passado, ela chegou a ser nomeada subsecretária do Ambiente e Sustentabilidade do Rio, mas anunciou a saída nas redes sociais após a exoneração do então secretário Diego Faro, em meio à reforma administrativa conduzida pelo governador em exercício, Ricardo Couto.
Thamires também foi a única mulher a conquistar uma das 25 cadeiras do legislativo campista. O apoio à herdeira foi além da participação assídua em comícios e carretas: dos R$ 119 mil recebidos pela candidata em doações de campanha, R$ 41,5 mil foram desembolsados por Thiago.
Em meio a uma trajetória marcada pelo apoio do pai, o deputado estadual Thiago Rangel, Thamires busca firmar sua própria identidade política
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Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, em 2024 o valor dos bens de Rangel eram avaliados em R$ 224 mil. Dois anos depois, o montante chega a quase R$ 2 milhões (R$ 1.972.000,00).
Motivo da prisão
Rangel foi preso na quarta fase da Operação Unha e Carne. Também é alvo de mandado de prisão o ex-deputado Rodrigo Bacellar (União), que já estava preso. A ação busca desarticular uma suposta organização criminosa voltada para a prática de fraudes em procedimentos de compra de materiais e aquisição de serviços, como obras para reformas, no âmbito da Secretaria estadual de Educação.
Policiais federais cumprem sete mandados de prisão e 23 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana, as três últimas no Noroeste Fluminense, reduto político do parlamentar. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal.
De acordo com a investigação, foi descoberto um suposto esquema de direcionamento das contratações realizadas por escolas estaduais para empresas previamente selecionadas e vinculadas à organização criminosa investigada.
