Estados mais populosos do Brasil ainda não alcançaram 30% de cobertura vacinal contra a gripe

 

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Um mês após o início da campanha de vacinação contra a gripe, os estados mais populosos do país ainda não alcançaram 30% de imunização dos grupos prioritários. Um levantamento feito pela CBN com dados do Ministério da Saúde e das Secretarias Estaduais de Saúde indica que o índice de imunização contra a Influenza em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Paraná, além do Distrito Federal, por exemplo, variou entre 22% e 28% no período. Ou seja, menos de um terço do patamar preconizado pelo Ministério da Saúde, que é de 90%.

No DF, o grupo das crianças menores de 6 anos atingiu apenas 15% de vacinação contra a gripe. Em Minas, a situação é semelhante e, por isso, a Secretaria de Estado de Saúde vai iniciar, a partir da próxima semana, uma ação de vacinação nas escolas, com foco na ampliação da cobertura entre crianças e adolescentes, para facilitar o acesso.

O vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde e titular da pasta no estado do Paraná, César Augusto Neves, localidade que tem cobertura de 27%, destacou a preocupação com casos de síndromes respiratórias associadas à baixa vacinação.

"Esse ano, as chamadas síndromes respiratórias agudas, num comportamento atípico, já estão acometendo fortemente estados da região Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste. Ainda os estados do Sul estão fora desse mapa de gravidade. Contudo, com a queda das temperaturas, natural na nossa região nos meses de outono, se encaminhando para o inverno, esses índices podem piorar. Qual é a nossa grande arma? Vacinarmos. Quanto antes vacinarmos, melhor. O corpo demora de 2 a 3 semanas para estar com a reação de imunidade completa", afirmou.

O último boletim Infogripe divulgado pela Fiocruz aponta que a maior parte dos estados do país apresenta incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave ao nível de alerta, risco ou alto risco. Até o momento, já foram notificados mais de 46 mil casos de internações de quadros graves respiratórios, além de 1.960 mortes.

A pesquisadora da Fiocruz Tatiana Portella ressalta que o aumento da síndrome está associado à circulação de vírus respiratórios que podem ser prevenidos com a vacinação em dia, como a influenza A e o vírus sincicial respiratório, causador da bronquiolite.

"Essa alta de casos da SRAG, em muitos estados, se deve principalmente à temporada de sazonalidade do vírus sincicial respiratório e também do vírus da Influenza A. O VSR é uma das principais causas de bronquiolite nas crianças pequenas, enquanto o vírus da Influenza A é o vírus que provoca uma maior gravidade em alguns grupos, principalmente entre os idosos, onde a gente observa uma maior mortalidade pelo vírus nessa faixa etária", explicou.

Segundo o Ministério da Saúde, a circulação da Influenza começou mais cedo neste ano e, por isso, a pasta reforça a importância da Campanha Nacional de Vacinação, que vai até 30 de maio. Mais de 17 milhões de doses já foram distribuídas no país.