Estabilidade dos serviços em julho reforça desaceleração

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Fonte da notícia: Valor Valor

O setor de serviços ― que responde por aproximadamente dois terços da economia brasileira ― iniciou o segundo semestre andando de lado, reforçando a expectativa dos economistas de uma desaceleração suave da atividade.

Segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), o volume de serviços prestados no país ficou estável (0%) em julho na comparação mensal, após alta de 0,1% em junho. A leitura veio abaixo da mediana das projeções coletadas pelo Valor Data, de crescimento de 0,2%. Assim, no acumulado em 12 meses, o setor registra avanço de 2,4%.

Na comparação com julho de 2025, por outro lado, o indicador registrou crescimento de 0,9%, em linha com a expectativa mediana do mercado apontada pelo Valor Data.

A receita nominal dos serviços prestados no país, por sua vez, avançou 0,1% em julho. Na comparação com julho de 2025, o crescimento foi de 7,1%.

“O dado reforça que o processo de desaceleração permanece. A alta acumulada de 2,4% em 12 meses é a menor desde setembro de 2024”, pondera o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo. “Dito isso, não é um número alarmante, apenas endossa esse esfriamento. O setor está somente 0,2 ponto abaixo da máxima histórica", acrescenta.

Em sua avaliação, o comportamento sugere que o setor efetivamente se afasta de seu pico após meses de resultados mistos ― o que levava economistas a duvidar se a esperada desaceleração enfim se concretizaria. Contribui para essa avaliação a percepção de que não há muito de onde tirar novos impulsos ― os juros reais permanecerão altos mesmo com novas quedas da Selic, o mercado de trabalho também esfria e a inadimplência continua a crescer. A consultoria estima crescimento de 1,5% do volume de serviços da PMS em 2026, pouco mais da metade do ano passado (2,9%). Para o ano que vem, a projeção é de 1,6%.

Analista da PMS no IBGE, Luiz Carlos de Almeida Junior também destacou a estabilidade do setor nas últimas leituras. “De fato, o setor de serviços tem andado de lado, sem movimento ascendente nem descendente desde outubro. Mas está muito próximo, ou quase colado, do topo da série histórica”, afirmou.

Na XP, o dado de julho manteve o indicador de alta frequência (tracking) para o PIB do terceiro trimestre apontando estabilidade, nota o economista Alexandre Maluf.

Apesar da leitura estável em julho, ele pondera que a composição veio um pouco melhor do que esperado, uma vez que somente uma das cinco atividades pesquisadas registrou queda, os serviços de informação e comunicação (-2,5%).

“Vale contextualizar que este grupo vinha sendo o principal motor do crescimento da PMS no ano, apresentando desempenho bastante positivo — na leitura de junho, havia avançado 3,0%, de modo que a queda de 2,5% representa uma devolução parcial. No acumulado do ano, o grupo ainda cresce 4,6% e mantém uma contribuição positiva para o indicador."

Do lado positivo, Maluf destaca os transportes, que subiram 1,7% após longa sequência de baixas. Na métrica interanual, no entanto, a atividade acumula recuo de 24%.

Ele também ressalta a resiliência dos serviços prestados às famílias, com alta de 2,9% na comparação com julho de 2025. Em especial, os serviços de alimentação avançam 5,4% no período. “Esse movimento reflete um mercado de trabalho que segue apertado, rendimentos em alta e estímulos vigentes que sustentam a demanda. Embora o endividamento das famílias preocupe na margem, ainda observamos um consumo relativamente sólido no ano.”

Para Stefano Pacini, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), chama atenção que resultado de julho mostra caráter de compensação: algumas atividades que caíram mês passado subiram neste e vice-versa.

"A percepção que se tem é que não há mudança estrutural, ou seja, nem início de recessão nem reaceleração do setor", diz. "Isto reforça a ideia de desaceleração gradual em um momento de bastante complexidade na economia, com inflação e juros altos e incerteza por causa da proximidade da eleição, mas também mercado de trabalho resiliente e estímulos fiscais sustentando a demanda.

Mulher corta cabelo em salão de beleza Cottonbro studio/pexels

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