'Está errado fazer gestão pública depois do desastre', diz vice-governador de MG sobre situação na Zona da Mata
São 36 mortes confirmadas desde o início das fortes chuvas que assolam a Zona da Mata Mineira. O temporal começou na noite de segunda-feira (23), mas ainda deve atingir a região nesta quarta. Os municípios mais impactados até o momento são Juiz de Fora, com 30 vítimas, e Ubá, com seis.
Zona da Mata Mineira: sobe para 36 número de mortes provocadas pelo temporal
Qual a previsão do tempo para Minas Gerais nesta quarta (25)? Chuvas devem continuar atingindo cidades
Os bombeiros passaram a madrugada trabalhando nas buscas por 36 pessoas que estão desaparecidas em Juiz de Fora e outras duas em Ubá. Médicos-legistas de Belo Horizonte também foram deslocados para Juiz de Fora, na Zona da Mata, para a identificação mais rápida dos corpos das vítimas das fortes chuvas que atingem a região.
Em Juiz de Fora, há três mil pessoas desabrigadas e 600 famílias foram orientadas pela Defesa Civil a sair de suas casas devido ao risco de deslizamento.
Em entrevista ao Jornal da CBN, o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), afirma que o governo estadual está atuando nas cidades com medidas emergenciais, como de salvamento e resguardo.
“Infelizmente, ainda estamos buscando desaparecidos. Já chegamos a 36 corpos recuperados, mas ainda temos muitos desaparecidos. Com o apoio do Crea-MG, além das defesas Civil e Municipal, temos outro trabalho de campo na identificação de imóveis em risco e retirada dos moradores”, diz.
A dificuldade, segundo o vice, está ao tentar convencer as pessoas a sair de suas residências, mesmo em locais de risco. Com o solo desnaturado e encharcado, o risco de novos desabamentos permanece alto.
Quando desabrigados, os moradores dos municípios têm se dirigido para as casas de parentes ou para abrigos.
“Disponibilizamos kits de ajuda humanitária, colchões, roupas de cama, itens de higiene e limpeza e alimentos. (Os moradores) ficam em escolas nesse primeiro momento, até que possamos realocá-los na cidade. Em Ubá, o rio subiu e destruiu muita coisa, mas baixou de novo. Lá, estamos em uma situação de recuperação, mesmo que preocupados com novas chuvas”, explica Simões.
Segundo o vice-governador, 50 mil imóveis localizados em áreas de risco em Juiz de Fora passaram por vistorias.
Atuação para prevenir desastres
Quanto a atuações futuras para evitar que novas situações como a da Zona da Mata Mineira ocorram, Mateus Simões diz que espera “trabalhar em conjunto” com a prefeitura de Juiz de Fora, hoje comandada por Margarida Salomão, do PT.
“Precisamos aprender o quanto a polarização tem feito mal para a realização de políticas públicas. Quero discutir com as cidades que foram atingidas qual será o investimento em construções para as famílias (desabrigadas) e para as que precisam sair das áreas de risco”, afirmou.
Quanto às atuações entre as gestões municipal, estadual e federal, o vice-governador alega que é preciso direcionar esforços para os principais rios de Minas Gerais, especialmente para os da Zona da Mata.
Segundo ele, é preciso replantar a cobertura vegetal da região.
“Precisamos que as cidades sejam ‘cidades-esponja’, que sejam capazes de reter um pouco de água. E precisamos construir moradia fora das áreas de risco, de investimento conjunto e prévio. Está errado fazer gestão pública desse jeito, depois do desastre”, alegou.
