Esquiva no tema Vorcaro, dubiedade sobre urnas, erro de Eduardo: a entrevista de Flávio Bolsonaro à Globo em sete pontos - QTU Questões do Universo

Esquiva no tema Vorcaro, dubiedade sobre urnas, erro de Eduardo: a entrevista de Flávio Bolsonaro à Globo em sete pontos

Fonte: Bandeira da fonte

No quinto e penúltimo dia da série de entrevistas da TV Globo com os candidatos ao Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL) procurou se esquivar de responsabilidade no tarifaço dos EUA, apoiado por seu irmão, minimizou a tentativa de golpe no 8 de Janeiro e buscou transferir a responsabilidade do caso do Banco Master para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Na entrevista, Flávio se recusou a prestar explicações sobre o financiamento do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, a um filme em homenagem a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e disse que vai respeitar as urnas, após ter citado dado falso sobre o tema a diplomatas, em julho.
Ele, porém, evitou responder se essa postura vale mesmo em caso de derrota.
Veja a seguir os principais pontos da entrevista:
1- Financiamento de filme
O presidenciável do PL foi questionado mais de uma vez, nesta sexta-feira, sobre detalhes da destinação dos R$ 134 milhões acertados entre ele e Vorcaro sob pretexto de financiar o filme “Dark horse”, sobre a trajetória de Bolsonaro.

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Embora tenha sido lembrado que os recursos usados por Vorcaro eram fruto de fraude bancária, alvo de apurações da Polícia Federal e do Banco Central, Flávio argumentou que sua relação com o dono do Master limitou-se a uma “busca de patrocínio”, e não se responsabilizou por dar transparência às relações entre o banqueiro e a produtora do filme.
— Não firmei contrato com ninguém.
O contrato não cabe a mim.
Toda a minha relação com ele (Vorcaro) foi relativa ao filme.
Uma relação privada que não teve nenhuma contrapartida da minha parte — alegou Flávio, que disse ainda que seu pai “merecia uma obra-prima”.
2- Tarifaço
Mantendo a estratégia de se esquivar de respostas sobre temas sensíveis para sua campanha, Flávio atribuiu o tarifaço aplicado pelo governo de Donald Trump sobre exportações brasileiras a “provocações” de Lula.
Flávio também minimizou o papel de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que mantinha reuniões com a Casa Branca e chegou a agradecer pelas tarifas.
O candidato do PL disse que seu irmão “errou” nesse agradecimento, mas disse que a decisão “foi do governo americano e não teve nada a ver com Eduardo”.
3- Urnas eletrônicas
Ao ser questionado sobre ataques recentes que fez às urnas eletrônicas, emulando discursos que levaram seu pai a ser condenado à inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio se retratou por ter espalhado desinformação sobre a suposta participação de uma empresa da Venezuela na fabricação das urnas.

Ele também disse que irá “respeitar o resultado do processo eleitoral”, mas evitou se comprometer ao ser perguntado se essa seria sua postura “mesmo que perca” a disputa presidencial.
— Eu não vou perder.
E digo mais, vou ganhar no primeiro turno — disse Flávio.
4- Transferência de culpa
Em diferentes momentos da entrevista, Flávio também buscou redirecionar críticas a ele para uma comparação com episódios envolvendo o governo Lula.
O presidenciável do PL alegou, por exemplo, ao ser questionado sobre uma visita feita ao banqueiro Daniel Vorcaro quando ele já estava em prisão domiciliar, que “quem deve esclarecimentos é o Lula, pela reunião secreta” com o dono do Master.

Flávio referia-se a um encontro ocorrido entre Vorcaro e integrantes do governo fora da agenda oficial, no qual Lula afirma ter negado ajuda ao banqueiro.
Flávio adotou estratégia similar ao ser lembrado de declarações recentes do ex-comandante da Aeronáutica no governo Bolsonaro, o brigadeiro Baptista Junior, que relatou ter havido “risco iminente de golpe” na gestão de seu pai.
O candidato do PL chamou Baptista Jr.
de “parcial” e alegou que o ex-comandante estaria pedindo votos pela reeleição de Lula.
5- Acusação de "farsa" do STF
O presidenciável também referiu-se ao julgamento do 8 de Janeiro, que levou à condenação de seu pai, como uma “grande farsa” e criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal no caso.
Ao negar que tenha havido tentativa de golpe nesse episódio e eximir Bolsonaro de culpa pela invasão de apoiadores às sedes dos três Poderes, Flávio disse que pretende “colocar as instituições em seu lugar” se for eleito, indicando um esforço para reverter o julgamento do STF.
— Quem o julgou foi o ministro Alexandre de Moraes, inimigo declarado do (ex-)presidente Bolsonaro.
Foram também Flávio Dino e Cristiano Zanin, ministros indicados pelo Lula.
Isso foi uma farsa.
Sou o único candidato que pode trazer segurança jurídica de volta, para que parte do Supremo volte a cumprir a Constituição — disse Flávio.
6- Críticas na economia
Flávio também culpou Lula pelo atual patamar da taxa básica de juros, que está em 14%, e argumentou que isto é consequência de “um governo que gasta demais e aumenta impostos de forma desenfreada”.
O candidato do PL procurou combinar um discurso de responsabilidade fiscal com um afastamento de medidas impopulares recomendadas pelo mercado financeiro.

Ele afirmou, por exemplo, que não pretende desvincular o reajuste de aposentadorias do salário mínimo, e argumentou haver outras formas de trazer equilíbrio as contas do governo, embora sem entrar em muitos detalhes.
7- Aceno na saúde
O candidato do PL também aproveitou a entrevista para anunciar como seu futuro ministro da Saúde, caso eleito, o médico Claudio Lottenberg, atual presidente do conselho de administração do Hospital Albert Einstein em São Paulo.
O gesto de Flávio se insere em tentativas recentes do candidato do PL de se apresentar como uma versão mais moderada do que o pai.

Uma das áreas em que Flávio mais tem buscado esse tipo de gesto envolve justamente a saúde: o candidato do PL alega ter defendido a vacinação para Covid-19, enquanto Bolsonaro desincentivava o procedimento.